Manejo da soja orgânica

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Autores

Tais Santo DadazioEngenheira agrônoma, mestra e doutora em Agronomia/Proteção de Plantas e professora de Fitopatologia – FIB e Unisalesianotais.dadazio@hotmail.com

Roque de Carvalho DiasEngenheiro agrônomo, mestre em Proteção de Plantas e doutorando em Agronomia UNESP/FCA roquediasagro@gmail.com

Leandro TropaldiEngenheiro agrônomo, mestre em Agronomia/Agricultura, e doutor em Agronomia/Proteção de plantas e professor de Plantas Daninhas da UNESP – Dracenal.tropaldi@unesp.br

Soja – Fotos: Shutterstock

Com a crescente consciência ecológica e busca por alimentos mais saudáveis, há uma expansão na produção e no consumo de produtos orgânicos na sociedade, que também aconteceu para a soja. A cultura em plantio orgânico já se destaca no Brasil, perdendo apenas para frutas, cana-de-açúcar, palmito e café, e além disso, há uma demanda crescente para os consumidores japoneses e europeus e, mais recentemente, brasileiros.

 Cultivada livre de produtos químicos como herbicidas, fungicidas e inseticidas, a soja orgânica também é um bom investimento para pequenos produtores. A soja vem ganhando espaço e conquistando não apenas os consumidores, mas também agricultores que podem lucrar quase o dobro, quando comparado com a produção convencional.

Manejo da soja orgânica

Inicialmente, para os produtores que desejam produzir soja orgânica é recomendado que procurem uma instituição de certificação orgânica, afim de se orientarem em relação à conversão do sistema convencional para o orgânico, que pode demorar até dois anos.

As certificadoras levam em consideração fatores econômicos, ambientais e sociais. Um dos maiores entraves para essa conversão está no manejo de plantas daninhas, pragas e doenças. Além disso, exigem a criação de barreiras naturais na divisa de cultivo da área orgânica, controle biológico de pragas e doenças, sementes orgânicas e a não utilização de produtos químicos para o manejo de plantas daninhas.

Para a produção orgânica de soja, recomendam-se implementos que cortem eficientemente a palha e removam o mínimo de solo; já para a adubação recomenda-se o uso de matéria orgânica e fertilizantes minerais naturais.

Por outro lado, para o manejo de pragas e doenças preconiza-se o uso de variedades resistentes, controle biológico, produtos naturais e repelentes. No manejo de plantas daninhas recomenda-se evitar a ressemeadura, garantindo uma boa qualidade da palhada e uso de práticas manuais e mecânicas (Darolt; Shora Neto, 2002).

Cultivares e ciclos

Em relação às cultivares a serem utilizadas no plantio, pode-se optar por qualquer uma adaptada à região de plantio, desde que não seja transgênica. Um ponto importante a ser observado é a resistência a doenças, o ciclo da cultura e coloração do hilo.

Deve-se conhecer o histórico da área, afim de se optar por alguma cultivar com resistência às doenças presentes. Cultivares como a Taquari, Mandi, Campo Grande, Surubi e Celeste, em pesquisas mostraram um desempenho agronômico satisfatório e elevado rendimento de grãos no sistema orgânico, superando as médias nacionais (Padovan et al., 2002).

Em relação ao ciclo, cultivares de ciclo precoce são indicadas para fugir de altas taxas de infecção da ferrugem e do ataque de percevejos. Quando a soja for destinada à alimentação humana, devem ser escolhidas cultivares com hilo claro. O uso de inoculantes para a fixação biológica de nitrogênio (FBN) é permitido e auxilia no manejo em relação à adubação nitrogenada.

Fitossanidade

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