Manejo de Diabrotica speciosa no milho

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Paulo Afonso Viana

Ph.D em  Entomologia e pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo

paulo.viana@embrapa.br

 

Entre as seis espécies de Diabrotica que ocorre nos trópicos destaca-se pela importância econômica a Diabrotica speciosa. Esta espécie é uma praga polífaga, amplamente distribuída nos Estados brasileiros e em alguns países da América do Sul. Os adultos danificam a parte aérea de diversas culturas como as hortaliças (solanáceas, cucurbitáceas, crucíferas), feijoeiro, soja, girassol e milho, causando desfolha e, em alguns casos, são vetores de patógenos.

A alimentação dos adultos transmite inúmeras viroses para as plantas, que são facilmente transmitidas mecanicamente e produzem respostas altamente antigênicas. A transmissão da virose de um inseto para outro está associada ao contato com material regurgitado, defecado ou por meio de hemolinfa contaminada. Na ordem Coleoptera, as espécies dos gêneros Cerotoma e Diabrotica são os vetores de viroses mais importantes nas Américas.

Prejuízos

A larva tem sido considerada uma das principais pragas subterrâneas - Crédito Ademir Torchetti
A larva tem sido considerada uma das principais pragas subterrâneas – Crédito Ademir Torchetti

A larva tem sido considerada uma das principais pragas subterrâneas de culturas como o milho, trigo, outros cereais e batatinha. O prejuízo causado pela larva para essas culturas tem sido expressivo nos Estados do Sul e em algumas áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

No Sul, em áreas onde os solos são geralmente ricos em matéria orgânica e retém maior umidade, favorece a biologia das larvas. Em áreas irrigadas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde várias culturas hospedeiras são cultivadas em sucessão, os danos têm sido representativos.

As larvas alimentam-se das raízes, reduzindo a capacidade das plantas em absorver água e nutrientes, tornando-as menos produtivas e sujeitas ao acamamento, causando perdas quando a colheita é realizada mecanicamente. Para a cultura do milho têm sido relatadas perdas na produção variando entre 10 e 13% devido ao ataque, quando ocorre alta infestação desta praga.

Amostragem e monitoramento

O monitoramento de adultos de D. speciosa não tem sido usualmente empregado em culturas. Entretanto, as armadilhas luminosas são efetivas na captura de adultos, sendo as lâmpadas do tipo BLB (ultra-violeta), BL (ultra-violeta) e B (azul) as mais atrativas para machos e fêmeas.

Também se tem empregado experimentalmente o uso de iscas atrativas utilizando partes do fruto de abóbora amargosa (Lagenaria vulgaris) e do tubérculo conhecido como “Taiuá“ (Cerathosantes hilaria)
Também se tem empregado experimentalmente o uso de iscas atrativas utilizando partes do fruto de abóbora amargosa (Lagenaria vulgaris) e do tubérculo conhecido como “Taiuá“ (Cerathosantes hilaria)

Também se tem empregado experimentalmente o uso de iscas atrativas utilizando partes do fruto de abóbora amargosa (Lagenaria vulgaris) e do tubérculo conhecido como “Taiuá“ (Cerathosantes hilaria). A isca de abóbora pode ser tratada com inseticidas visando o controle do adulto.

O método de amostragem mais utilizado para larvas é peneirar o solo sobre um plástico preto, onde as larvas podem ser identificadas. Outros métodos, tais como o funil de Berlese e flutuação do solo em mistura com soluções químicas, também podem ser utilizados.

Entretanto, essa informação somente é útil para determinar a infestação existente no campo, dificultando a sua utilização para a tomada de decisão visando o controle das larvas danificando as raízes do milho.

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