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Mecanização no plantio de mudas – A inovação do sistema

Paulo Roberto Arbex Silva

Professor da FCA Unesp de Botucatu-SP

arbex@fca.unesp.br

Samantha Vieira de Almeida

Doutoranda em Agronomia – FCA Unesp de Botucatu-SP

Laís Busca Consoline

Mestranda em Agronomia – FCA Unesp de Botucatu-SP

Fotos Paulo Arbex
Fotos Paulo Arbex

A precisão no transplante de mudas é um fator de fundamental importância para a qualidade das hortaliças, pois o tamanho da planta, da raiz ou do fruto é um elemento que define o valor comercial do produto.

Vale ressaltar que tal parâmetro é extremamente afetado pelo espaçamento entre plantas. A desuniformidade de espaçamento gera competição entre as plantas e compromete seu desenvolvimento individual, com consequente queda do rendimento e/ou qualidade do produto.

No caso de plantas que apresentam um espaçamento entre plantas menor que o recomendado, devido à falta de uniformidade, aumenta a chance de competição intraespecífica, ocasionando o aparecimento de plantas dominadas e dominantes. Nessa condição, os indivíduos tendem a acentuar as desigualdades de crescimento, tornando os dominantes maiores e os dominados menores, ao longo do seu ciclo produtivo.

Quando o espaçamento entre plantas é maior que o recomendado, ocorre a perda de produção pelo não aproveitamento de toda área que poderia ser plantada.

Sem erros humanos

As transplantadoras entram no cenário agrícola com o objetivo de aumentar o rendimento, agilidade e, principalmente, a uniformidade na hora do transplante. Muitas vezes o transplante manual se caracteriza como sendo desgastante para o trabalhador ao longo do dia devido às condições ergonômicas, o que pode comprometer a qualidade final do serviço. No caso da máquina, sua eficiência é constante e independe de fatores como desgaste físico, devido a certas horas do dia ou até mesmo dias da semana.

Esse tipo de máquina transplanta mecanicamente todas as espécies hortícolas que permitem a produção de mudas, como as hortaliças do tipo folhosa (alface, rúcula, couve-manteiga), hortaliças-fruto (tomate, pimentão, berinjela) e algumas raízes (rabanete e beterraba).

Comprovado

Estudos realizados pelo Grupo de Plantio Direto da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu comprovaram que o custo com a mão deobra se caracteriza como o principal e mais caro componente de custo operacional no transplante de mudas de hortaliças.

Isso sem contar a escassez de mãodeobra qualificada para a realização do processo. Neste contexto, a mecanização do sistema de transplante se torna grande aliada do produtor, já que a máquina pode substituir o trabalho de aproximadamente dez pessoas em campo.

Mesmo diante desse quadro, a aquisição de máquinas para transplante de mudas ainda é baixa pelo produtor de hortaliças devido a diversos fatores, sendo um dos principais o investimento inicial. Uma transplantadora de mudas contendo duas linhas de plantio se encontra no mercado na faixa de preço entre R$ 30.000,00 e R$ 40.000,00.

Deve ser levado em consideração que esse investimento se dilui devido ao maior rendimento que a máquina apresenta em relação ao transplante manual, além de reduzir custos de produção, principalmente com a mão deobra.

O investimento a ser realizado também se justifica pelo intenso uso ao longo do ano. Em comparação com a cultura de grãos que apresentam no máximo três semeaduras, as hortaliças podem ser transplantadas durante todo o ano agrícola, caracterizando um retorno ainda mais rápido do capital.

Da esquerda para direitaSamantha Almeida, Paulo Roberto Arbex e Laís Busca Consoline, da Unesp - Fotos: Paulo Arbex
Da esquerda para direitaSamantha Almeida, Paulo Roberto Arbex e Laís Busca Consoline, da Unesp – Fotos: Paulo Arbex

Demanda

A demanda por máquinas transplantadoras não tem passado despercebida pelo mercado e pelas instituições de pesquisa. O Grupo de Plantio Direto da Unesp de Botucatu realiza periodicamente trabalhos de dissertações e teses abordando esse tema, com o intuito de levar mais informações e tentar solucionar possíveis questionamentos que o produtor possa ter.

Em relação ao mercado, empresas já investem em novas tecnologias nesse setor. Como destaque, podemos citar transplantadoras automotrizes importadas que estão chegando ao mercado brasileiro, ou seja, não precisam do trator para deslocamento, o que permite que sejam realizadas operações de transplantes em condições não tão favoráveis de solo, com o teor de água elevado, otimizando assim as janelas de transplante do produtor rural.

Outro diferencial destas transplantadoras é que elas oferecem condições de um único operador manuseá-las enquanto realizam a alimentação dos sulcadores com as mudas, diminuindo a necessidade de mão de obra. A maioria das transplantadoras necessita a mão de obra do tratorista e cerca de mais duas pessoas para a deposição das mudas.

 

O plantio manual possibilita falhas, o que não ocorre com a mecanização Fotos Paulo Arbex
O plantio manual possibilita falhas, o que não ocorre com a mecanização Fotos Paulo Arbex

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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