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Morango: por onde começa o plantio?

Foto Shutterstock

Fabrício Custódio de Moura Gonçalves
Engenheiro agrônomo e biólogo, doutor em Agronomia/Horticultura e professor de Engenharia Agronômica – Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
fabriciocustodiodemouragoncalves@urc.uespi.br

Embora as condições climáticas do Brasil possuam um amplo potencial para o cultivo do morangueiro, sua principal produção é oriunda das regiões sudeste e sul, com destaque para o Estado de Minas Gerais, principal produtor nacional, seguido de São Paulo, sendo que ambos são responsáveis por aproximadamente 65% da produção do País.

Outros Estados que têm o morango tradicionalmente cultivado e como uma atividade importante para sua economia e em termos sociais são o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Tem-se verificado crescimento da produção em outros Estados e também na região nordestina, com destaque para a Bahia.

Potencial produtivo

O morango é uma fruta de mercado em expansão, com bastante demanda junto ao consumidor em virtude de características visuais, sabor, coloração, aroma e bom valor nutricional.

Trata, também, de outras características, como é o caso da grande necessidade de uso de mão de obra, principalmente na época da colheita, com média de empregabilidade de quatro pessoas por hectare.

Nesse sentido, torna-se uma boa opção para agricultores familiares, com o aproveitamento de pequenas áreas para a produção. Contudo, antes de iniciar o empreendimento, é necessário verificar a demanda do mercado consumidor e a logística de transporte, pois o morango é uma fruta muito perecível.

A produção visa abastecer o mercado de frutos “in natura”, porém, a produção para a indústria de processamento vem crescendo dia a dia.

Preparo do solo

O morangueiro prefere solos levemente ácidos, com pH na faixa de 5,5 a 6,0, ricos em matéria orgânica e com a textura areno-argilosa. Além disso, a boa drenagem do solo é um fator muito importante, pois a planta não tolera um mínimo encharcamento. Por isso, é primordial que se verifique a presença de manchas no solo e promova análises individuais para tantas quantas forem as manchas necessárias.

A mobilização do solo para a cultura depende da análise química. Se os resultados determinarem a necessidade de aplicação de calcário, a mobilização deve ser intensa, revolvendo o solo profundamente. Caso contrário, a mobilização deve ocorrer somente até a espessura da camada umificada ou da camada enraizada.

Foto Shutterstock

Implementos

Existem, pelo menos, quatro tipos de implementos utilizados pelos agricultores tradicionais: os arados de disco e de aivecas, as grades aradoras, os escarificadores e as enxadas rotativas.

Os arados são indicados para uma mobilização profunda com revolvimento, enquanto as grades aradoras servem para mobilizações médias, às vezes, da mesma forma que a enxada rotativa. Quanto aos escarificadores, estes servem para mobilizações verticais profundas e rasas, porém, sem revolvimento.

Após o preparo primário, promove-se o destorroamento e a nivelação, com o auxílio de grades niveladoras, ou constroem-se os canteiros mecanicamente, dispensando a nivelação. Isso deve ser realizado, de preferência, bem próximo à época do plantio.

A altura é variável e dependente da drenagem interna do solo. Quanto à drenagem, 20 cm é a média. A largura varia de 1,00 m a 1,20 m. Já a distância entre canteiros é de 50 centímetros.

Nutrição

Calagem: aplicar calcário para elevar a saturação por bases a 80% e o teor de magnésio a um mínimo de 9 mmolc/dm3.

Adubação orgânica: utilizar de 15 a 30t/ha de esterco puro de galinha (poedeira). Este deve ser aplicado em mistura com os adubos minerais de plantio, 25 a 30 dias antes do transplante das mudas, nos canteiros de produção.

Adubação mineral de cobertura: aplicar 180 kg/ha de N e 90 kg/ha de K20, parcelando em seis aplicações espaçadas de um mês, a partir do plantio das mudas.

Adubação foliar: sugere-se, também, quatro aplicações de solução de ureia a 5,0 g/L, uma vez por semana, a partir do plantio. É recomendada, também, a aplicação de solução de micronutrientes, contendo boro, zinco e cobre, a cada três semanas. Além disso, na fase de frutificação, é vantajoso o uso de potássio, na forma de sulfato de potássio e cálcio, via foliar, para melhor firmeza dos frutos.

Dicas importantes

A área não deve ter antecedentes de plantio de morangueiro, batata, tomate, pimentão ou outra hortaliça da família das solanáceas, para evitar a reinfestação e doenças de solo.

Época de plantio:

a) Produção de mudas: setembro a novembro;

b) Produção de frutos: depende do clima da região de cultivo, variando do início de fevereiro ao final de abril. O plantio escalonado (até junho) permite estender a colheita de frutos de melhor qualidade, obtidos das primeiras floradas.

Espaçamento e mudas necessárias:

a) Produção de mudas: entre 1,5 a 3,5 m2 por matriz, obtendo-se de 75 a 150 mudas por metro quadrado para a maioria das cultivares;

b) Produção de frutos: 30 x 30 a 35 cm, sendo as plantas dispostas em quadrado ou quincôncio, em canteiros com duas a quatro fileiras, em função do porte do cultivar e da umidade do ar no local. São utilizadas de 65 a 80 mil mudas por hectare, de acordo com o espaçamento e a área de carreadores utilizados.

Plantio

Em geral, os erros mais comuns na produção de morangueiro estão relacionados ao plantio, que deve ser planejado com antecedência, pois influencia diretamente no investimento e manejo da produção.

Antes do plantio é importante realizar análise do solo para verificar a necessidade de calagem e adubação, o que é essencial para uma produção de qualidade. A correção do solo deve ser realizada com base na recomendação de um agente da assistência técnica após a análise de solo e, pelo menos, três meses antes do plantio.

De maneira em geral, o plantio é realizado nos meses de fevereiro e maio, porque é durante esse tempo, de dias mais curtos e temperaturas mais baixas, que a planta tem seu florescimento estimulado.

De preferência, o plantio deve ser no final da tarde, para favorecer o pegamento das mudas. É importante a aquisição de mudas sadias e de cultivares resistentes às doenças.

O plantio escalonado (até junho), em regiões frias, permite estender a colheita de frutos de melhor qualidade, obtidos das primeiras floradas. Já o cultivo protegido pode permitir, em alguns casos, que o produtor tenha a fruta durante todo o ano.

Detalhes que fazem a diferença

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Quanto aos aspectos climáticos, o principal fator que limita e tem definido as condições que tornam apta uma determinada região para o cultivo do morangueiro é a temperatura, seguido da disponibilidade hídrica.

O morangueiro é considerado sensível ao excesso e à falta de água. Os períodos críticos em que o morango necessita de uma quantidade hídrica exata ocorrem logo após o transplante das mudas, na época da formação dos botões, na floração e frutificação.

Erros no manejo de água geralmente provocam sérias reduções na produtividade. A espécie de morango cultivada desenvolve-se sob condições de clima temperado e subtropical, sendo apontada como referência a faixa de temperatura de 13 a 26°C como condição propícia para a floração e frutificação.

Sob temperaturas constantes, acima de 28°C há inibição da floração e abaixo de 3°C o risco de danos por geadas. Portanto, é fundamental verificar essas referências para se tomar a decisão pelo cultivo do morangueiro em determinada localidade.

O controle do mato que nasce junto à muda também é importante. Esse trabalho é feito manualmente e simultâneo a uma prática profilática, que é a retirada das folhas velhas e com sintomas de doenças. Em estágios mais avançados, é recomendada a prática da profilaxia contínua aliada à eliminação dos estolhos ou “cipós” que por ventura apareçam, tirando a “força” da frutificação.

Colheita

A colheita do morango ocorre 60 dias após o plantio e permanece durante todo o ciclo da cultura. O ponto de colheita é determinado por um tom avermelhado e um tamanho uniforme dos frutos. Além disso, devem ter paladar adocicado.

Os que não tiverem essas características devem ser deixados no campo para maturação e posterior colheita. Recomenda-se que aconteça duas vezes por semana, com intervalo de três dias para que haja uma boa maturação.

Na cultura do morangueiro, a colheita deve ocorrer, prioritariamente, nas primeiras horas da manhã para garantir uma boa aparência dos frutos. Colheitas realizadas nas horas mais quentes do dia podem prejudicar a aparência dos frutos devido ao manuseio intensivo para colhê-los e embalá-los.

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