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quinta-feira, agosto 11, 2022
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O cultivo de morangos no Brasil

 

Carlos Reisser Junior

carlos.reissser@embrapa.br

Luis Eduardo Correa Antunes

Pesquisadores da Embrapa Clima Temperado

CréditoShutterstock
CréditoShutterstock

O morango é uma ‘fruta’ com um apelo de consumo dos mais elevados dentre as consumidas no mundo. Nos EUA, segundo maior produtor mundial (30% do mercado mundial), atrás apenas da China, a produção e o consumo vêm aumentando a cada ano e o morango já é mais consumido do que bananas, maçãs, melancias e uvas.

Motivado pelos benefícios à saúde, por possuir elevados níveis de antioxidantes, vitamina C e conteúdo de fibras, e pelos avanços em práticas redutoras de produtos químicos, o valor da comercialização da fruta chega a mais de US$ 2,2 milhões anuais. Na Europa esta tendência também é observada.

Dados do IBGE (2003) mostram que as regiões sul e sudeste são os maiores consumidores desta fruta, com média anual de consumo de 250 g, enquanto o Centro-Oeste e Nordeste ficam próximo de 100 g, e a região norte com consumo inexpressivo. Nos EUA o consumo médio anual de morangos, em 2012, foi mais do que 3,5 kg.

No Brasil o apelo de consumo também é grande, e o mercado nacional é muito maior do que o existente, pois nas regiões onde climaticamente é possível se produzir, a oferta de mais de 100 mil toneladas não atende ao potencial de consumo. Informações da CEAGESP mostram que entre 2004 e 2007 o aumento médio anual situou-se em torno de 46% ao ano e dados do IBGE mostram que a produção em 2006 era de mais de 72 mil toneladas.

Além da produção nacional, o mercado tenta abastecer a crescente necessidade, com importações de fruta ‘in natura’, que foi, em 2012, de aproximadamente 4,1 mil toneladas (Anuário Brasileiro de Hortaliças, 2012). Uma das razões para o aumento de consumo é a melhora da qualidade da fruta, principalmente em aparência e redução da contaminação com produtos químicos.

cultivo em bancadas elevadas resulta em frutas mais bonitas e saudáveis - Crédito Gláucio Genúncio
cultivo em bancadas elevadas resulta em frutas mais bonitas e saudáveis – Crédito Gláucio Genúncio

Produção de peso

Nas regiões sul e sudeste concentram-se os Estados responsáveis por mais de 80% da produção nacional. Minas Gerais (40%) é o produtor mais importante, seguido por São Paulo (25%) e Rio Grande do Sul (15%).

Apesar da produção abaixo das potenciais necessidades de consumo do Brasil, a cultura vem aumentando a produção em escala acentuada, graças a aumentos nas áreas de produção, mas, principalmente, no aumento de produtividade.

A cultura é uma das que responde muito às tecnologias, e desde o início do cultivo em nosso país os avanços são enormes. Passamos de 200 g de morangos por planta para mais de 2 kg, em determinadas condições.

A produtividade por área, que era inicialmente de oito toneladas por hectare, hoje pode passar de 90, 100 toneladas em cultivos adensados, fora do solo e sob proteção.

As técnicas que fizeram com que a cultura atingisse estes valores, em ordem cronológica foram:

ü Cultivares melhoradas (novas variedades e sadias);

ü Uso de cobertura do solo dos canteiros (mulching);

ü Irrigação localizada;

ü Cobertura de canteiros e plantas (túneis plásticos baixos);

ü Produtos químicos mais eficientes (menor toxicidade e menor carência);

ü Novas cultivares importadas, com características diferenciadas;

ü Mudas de maior potencial produtivo (importadas);

ü Fertirrigação (adubos solúveis e micronutrientes);

ü Produção fora do solo (em substrato e sob proteção de túneis plásticos).

 

O uso de mulching é uma das técnicas para alcançar alta produtividade - Crédito Shutterstock
O uso de mulching é uma das técnicas para alcançar alta produtividade – Crédito Shutterstock

Produção de mudas

O morangueiro, apesar de ser uma planta perene, no Brasil é conduzida como anual, visto que existe a produção de mudas, como um sistema inicial de produção, e posteriormente a produção de frutas como um sistema totalmente diferente.

No passado as mudas de morangueiro eram quase que totalmente produzidas no Brasil, em sistemas que utilizavam plantas ‘matrizes’ que tinham terminado de produzir frutas, para a nova produção de mudas.

Com o surgimento da limpeza viral, por meio de cultura de tecidos, laboratórios especializados começaram a multiplicação das plantas matrizes com esta técnica. Esta prática ainda é utilizada no Estado de Minas Gerais e em São Paulo, mas na região sul a não há grande disponibilidade de viveiros para produção de mudas, sendo que para produzir frutas as mudas são oriundas de viveiros localizados na Patagônia, Chile e Argentina, que produzem uma muda com um elevado potencial produtivo, pois as condições climáticas da região são mais adequadas a esta produção.

A produção da região sudeste, como em outras regiões do Brasil, começa junto com o inverno e continua até o fim da primavera. Para este sistema de produção as mudas devem ser transplantadas até fevereiro, para iniciarem a produção no fim do outono.

Portanto, para este sistema de produção de outono/inverno as mudas ficam prontas para transplante em uma época em que o Chile e a Argentina não têm possibilidade de produzi-las, e também porque nesta região do Brasil já existe um sistema de produção eficiente que abastece as necessidades regionais.

Na região sul as mudas são importadas, visto que o sistema que fazia o abastecimento não pode competir com o sistema de importação de mudas e, principalmente, pela velocidade de introdução de novas cultivares criadas nos EUA, que são as mais procuradas na região.

 A oferta de mais de 100 mil toneladas não atende ao potencial de consumo - Crédito Shutterstock
A oferta de mais de 100 mil toneladas não atende ao potencial de consumo – Crédito Shutterstock

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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