24.6 C
Uberlândia
sábado, junho 22, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosO uso da leonardita na agricultura

O uso da leonardita na agricultura

O uso da leonardita na agricultura se expande cada vez mais devido os resultados positivos agregados na qualidade e produtividade nas culturas.

Regina Maria Quintão Lana
Doutora em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas e CEO – Agro.R Consultoria e Serviços Agrícolas

Atualmente toda a sociedade vem buscando cada vez mais alternativas para atingir a sustentabilidade agrícola. A maior parte da produção agrícola provém da utilização de defensivos e fertilizantes químicos sintéticos.

A utilização desses produtos pode causar inúmeros danos ao meio ambiente, poluindo os solos, animais, atmosfera e corpos hídricos. Há relatos sobre a resistência de pragas e patógenos a agroquímicos, bem como, o desequilíbrio do solo que impactam negativamente o rendimento das culturas.

O uso da leonardita na agricultura se expande cada vez mais devido os resultados positivos agregados na qualidade e produtividade nas culturas.

O que é leonardita?

A leonardita é uma matéria-prima sustentável e eficiente, originária da decomposição de depósitos orgânicos naturais (figura 1), que gastam milhares de anos para se transformar através da intemperização do lignito, podendo ser originário também da turfa, produzindo um material com alto teor de carbono orgânico.

Figura 1. Depósito orgânico de leonardita

A leonardita apresenta alta concentração de ácidos húmico, fúlvico e huminas.

A leonardita é um material rico em matéria orgânica podendo chegar a 50 a 75% de sua composição. Seu conteúdo de ácido húmico pode variar entre 30 a 80%, enquanto os solos contêm, em média, apenas 1 a 5% de ácido húmico.

Aplicação de leonardita e de suas substâncias húmicas funcionam como condicionadores de solo e estimulantes de plantas. Sua aplicação melhora as propriedades físico-químicas e os aspectos biológicos do solo e promovem o crescimento das plantas.

Nas propriedades físicas do solo:

As substâncias húmicas melhoram a distribuição das partículas e agregados do solo, aumenta a porosidade favorecendo a retenção e infiltração de água, a aeração e diminui a densidade do solo.

Além disso, reduzem a pegajosidade e a plasticidade, tornando o manejo do solo mais fácil e contribuindo para uma maior resistência aos processos de erosão. Assim, em solos leves e arenosos os ácidos húmicos previnem grandes perdas de água e nutrientes e em solos pesados e compactados melhoram a aeração e retenção de água. A coloração do solo também fica mais escura, o que favorece a temperatura.

Nas propriedades químicas do solo

As substâncias húmicas contribuem para o tamponamento do solo, maior estabilidade do pH e quelatização dos micronutrientes facilitando sua absorção.

Promove também um aumento da CTC, o que resulta em maior retenção de fertilizantes inorgânicos solúveis em água, reduzindo as perdas de nutrientes, a exemplo da volatilização da ureia e lixiviação de N e k, bem como, redução da fixação de P no solo com Fe, Al em pH baixo e Ca em pH elevado. Com isso, tem-se maior eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas e menor disponibilidade de substâncias tóxicas nos solos.

Nas propriedades biológicas do solo:

As substâncias húmicas promovem a estabilização da temperatura do solo e serve como fonte de energia, estimulando o crescimento e a proliferação de microrganismos desejáveis no solo.

Ao favorecer o desenvolvimento de microrganismos benéficos promove a supressão de microrganismos oportunistas causadores de doenças, inclusive nematoides, assim como o biocontrole de pragas, através de diferentes mecanismos, como: antibiose, parasitismo, competição e indução de resistência das plantas aos patógenos.

Efeito da leonardita sobre o crescimento das plantas

As substâncias húmicas presentes na leonardita exercem diversos efeitos nas plantas com diferentes formas de ação.

Efeitos indiretos: Ação nas propriedades químicas, físicas e biológicas do solo e o fornecimento de compostos nitrogenados, cadeias carbonadas e fitohormônios para as plantas.

Efeitos diretos: Modificações nos diferentes processos e rotas do metabolismo das plantas.

Por serem constituintes da fração estável da matéria orgânica, as substâncias húmicas afetam positivamente a absorção e retenção de água e nutrientes pelas raízes, melhorando a germinação das sementes, o desenvolvimento radicular e, consequentemente, o crescimento e produtividade das plantas.

No metabolismo das plantas, as substâncias húmicas exercem influência positiva sobre: 1) o transporte de íons, facilitando a absorção de nutrientes; 2) o aumento da respiração e da velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, resultando em maior produção de ATP; 3) o aumento no conteúdo de clorofila; 4) o aumento na velocidade e síntese de ácidos nucléicos; 5) o efeito seletivo sobre a síntese proteica; e 6) o aumento ou inibição da atividade de diversas enzimas.

As substâncias húmicas atuam no metabolismo secundário das plantas, influenciando a produção de um grande número de compostos que contribuem para a mitigação de estresses abióticos e bióticos.

Um dos principais efeitos da leonardita está relacionado com o sistema radicular e envolve a formação de raízes laterais, raízes adventícias, o alongamento radicular e a formação de pelos radiculares. Todos esses fatores aumentam a massa radicular e a área de superfície das raízes, contribuindo para maior absorção de água e nutrientes.

Essas substancias húmicas atuam na proteção das plantas por meio de quatro abordagens: 1) aumento das atividades microbianas do solo, que atuam como agentes de controle biológico; 2) interação direta com o patógeno; 3) proteção física para microrganismos benéficos; 4) aumento do sistema de defesa antioxidante da planta contra patógenos por meio da modulação de compostos químicos e enzimas.

Portanto a leonardita, promove o bem-estar ambiental e aumenta a qualidade e quantidade produtiva das culturas, bem como, a rentabilidade do produtor.

ARTIGOS RELACIONADOS

Pesquisa – Novo método avalia potássio na soja

Cientistas da Embrapa Soja (PR) desenvolveram um teste que avalia na lavoura de soja a concentração de potássio (K), macronutriente fundamental para o desenvolvimento das plantas. A avaliação permite corrigir possíveis deficiências nutricionais com agilidade, pois substitui as atuais análises laboratoriais convencionais mais demoradas. Os pesquisadores ressaltam, porém, que as análises laboratoriais continuam sendo importantes para a avaliação dos demais nutrientes.

Trigo: Área no Brasil Central deverá atingir novo recorde

A região central do Brasil responde pelas primeiras semeaduras com o cereal no País, iniciadas ainda no mês de fevereiro com o trigo de sequeiro e...

Nutrição inteligente na produção de couve-flor

Lucas Aparecido Gaion Doutorando em Agronomia (Produção Vegetal), departamento de Biologia Aplicada à Agropecuária, UNESP/FCAV Fernando Kuhnen Engenheiro agrônomo, doutor e professor titular da Faculdade Anhanguera...

Boas práticas agrícolas são passaporte para exportação de melão

Brasil é o maior exportador da fruta, atendendo as altas exigências do mercado Mais de 220 mil toneladas de melão foram embarcadas na temporada 2017/2018...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!