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Pinta-preta no tomate: alerta para diminuição foliar

Estação Experimental Agrícola Campos Gerais/Reprodução

Alasse Oliveira da Silva
Engenheiro agrônomo e mestrando em Fitotecnia – ESALQ/USP
alasse.oliveira77@usp.br
Liliane Marques de Sousa
Engenheira agrônoma e mestranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
liliane.engenheira007@gmail.com
Walleska Silva Torsian
Engenheira agrônoma e doutoranda em Fitotecnia – ESALQ/USP
walleskatorsian@usp.br

O tomateiro (Solanum lycopersicum L.) é uma das principais hortaliças plantadas e consumidas no Brasil e no mundo, por isso tem grande importância no cenário do agronegócio.

O Brasil é um grande produtor e consumidor de tomate, sendo considerado o 5° maior produtor mundial de tomate para processamento. No segmento de tomate de mesa, se destaca pelo alto volume produzido mediante as tecnologias disponíveis para a produção.

O Estado de Goiás é o maior produtor de tomate para processamento industrial, enquanto os Estados de Minas Gerais e São Paulo são os maiores em tomate de mesa.

Características

O tomate é uma planta de origem andina que possui vários gêneros para adaptação em diferentes regiões. Pertence à família das Solanáceas, que também tem como representantes a berinjela, a pimenta, a batata, o jiló, entre outros.

Existem inúmeras limitações para o cultivo do tomateiro, entre as quais as doenças ocasionadas, principalmente, por fungos, bactérias, vírus e nematoides. Os fungos são os principais causadores do maior número de doenças de plantas, principalmente no tomate. Aproximadamente 15% dos custos de produção de tomate se devem à aplicação de fungicidas para o controle de doenças fúngicas.

Alerta

A pinta-preta é uma doença fúngica bem conhecida dos produtores de tomate no Brasil. Causada pelo fungo Alternaria solani, é identificada por uma grande diminuição da área foliar, o que faz com que a planta tenha menos vigor, depreciação de frutos e consequente diminuição da produtividade no campo e qualidade do fruto.

O fungo Alternaria solani, conhecido também como mancha de alternaria, tem sido destacado como uma das principais doenças fúngicas para o cultivo de tomateiro em campo e estufa, na medida em que sua presença é encontrada em todas as regiões produtoras do País e seu manejo preventivo e de controle são elevados.

Além da cultura do tomate, essa doença é fator limitante para o cultivo de batatas, causando prejuízos aos horticultores.

Causas

Alguns fatores são preponderantes para o surgimento dessa doença, dentre eles:

  • Temperaturas entre 25 a 32ºC;
  • Umidade acima de 80%;
  • Alta densidade de folhas por plantas (microclima propício);
  • Mudas de baixa qualidade e sem resistência;
  • Falta de manejo preventivo;
  • Nutrição desequilibrada.

Em campo, os sinais e sintomas são descritos da seguinte forma:

  • Redução da área foliar por planta;
  • Queda de folhas, seguida de clorose e necrose;
  • Queda do vigor;
  • Redução de frutos e queda.

Prejuízos

A mancha de alternária está entre as doenças mais frequentes e de grande importância da cultura. Os prejuízos causados por ela variam em razão de inúmeros fatores, tais como época da introdução da doença, avanço da doença na lavoura, cultivar plantada, assim como as condições ambientais na lavoura.

Esses fatores potencializam o poder destrutivo das lavouras, principalmente porque essa doença ataca folhas, hastes, pecíolos e frutos, provocando altos prejuízos econômicos para os tomaticultores.

Condições para a doença

No campo, na presença de água livre na superfície foliar ou com umidade relativa superior a 90%, favorecem a germinação dos conídios, que são as estruturas reprodutivas dos fungos, em menos de duas horas.

As temperaturas ótimas para a colonização são 24 a 28°C. O ataque dessa doença é mais frequente em plantios abertos, sujeito às condições climáticas como chuvas, e apresenta pouca importância em cultivo protegido.

Sintomas

Os sintomas iniciais surgem primeiro nas folhas baixeiras e posteriormente expandem-se para a parte superior das plantas. Nas folhas, causam lesões necróticas de coloração marrom escura a preta, com bordos bem definidos, podendo ser mais ou menos circulares, elípticas ou irregulares e com halo de coloração amarelada.

Já nos frutos, provocam lesões escuras, deprimidas e na forma de anéis concêntricos, que normalmente localizam-se na região peduncular do fruto. Também são observadas manchas pardo-escuras nos pedicelos e cálices das flores e frutos infectados.

No caule e pecíolos de tomates adultos, as lesões observadas são escuras, alongadas, circulares e ligeiramente deprimidas.

Em condições ambientais de elevada temperatura e umidade, as lesões têm crescimento aveludado negro composto por frutificações do patógeno. Quando sementes infectadas vão à campo, podem resultar em plântulas como podridão e anelamento do colo, tombamento em pré e pós-emergência e morte de plantas jovens.

Em mudas, a região de ataque geralmente é o caule próximo ao solo, provocando a morte das plantas.

Redução foliar no tomate

Em virtude do avanço da doença rapidamente em tamanho e em número, as lesões levam à destruição total das folhas devido ao coalescimento das mesmas. Além do mais, quando atacam as nervuras, bloqueiam a circulação de seiva pelos tecidos.

A redução da área foliar expõe os frutos a queimaduras pelas altas temperaturas, tornando-os impróprios para a comercialização.

Controle da pinta-preta

É recomendável adotar o controle integrado na lavoura para um melhor controle ou prevenção da doença no cultivo de tomate. Entretanto, medidas preventivas são de suma importância, visto que quando a doença se instala na lavoura, o custo para o controle é mais difícil e os prejuízos econômicos podem ser mais altos.

As principais medidas adotadas nas lavouras são:

  • Escolha da área e época de plantio: em campo aberto, devem-se evitar áreas onde há acúmulo de umidade relativa, ventos fortes e constantes e período do ano de maior precipitação pluviométrica, pois favorecem o surgimento da doença. Já no cultivo em ambiente protegido, o ataque pode ser diminuído com o uso de cobertura plástica, a qual desfavorece a esporulação do patógeno e a taxa de progresso da doença;
  • Uso de sementes e mudas sadias e/ou tratadas com fungicidas: utilizar substratos e matérias-primas para sua formulação de boa qualidade e procedência, livre de patógenos;
  • Rotação de culturas: realizar rotação de culturas por dois a três anos com gramíneas ou outras plantas leguminosas que não sejam hospedeiras do patógeno;
  • Restos culturais: Incorporação dos restos culturais logo após a colheita visando reduzir os inóculos;
  • Prevenção: não plantar próximos a lavouras em fase final de produção que possam servir de fonte de inóculo;
  • Arejamento: adotar maiores espaçamentos de plantio que evitem a formação de microclimas úmidos favoráveis ao patógeno;
  • Irrigação: fazer irrigações preferencialmente usando o sistema de irrigação por gotejamento e no período da manhã;
  • Daninhas: eliminar plantas de hospedeiras, plantas voluntárias (tigueras) ou de cultivos anteriores que nascem e se desenvolvem dentro da lavoura;
  • Adubação: nutrição equilibrada no cultivo, baseada em análise de solo e foliar, que confere uma maior resistência das plantas para suportar a infecção pelo patógeno, ou até mesmo evitar a doença;
  • Solo: utilizar a cobertura do solo com palhada, que contribui para a diminuição da disseminação da doença, porque impede que respingos da chuva transportem conídios do patógeno do solo para a parte aérea dos vegetais.

Manejo químico

O controle químico preventivo de fungicidas protetores, como (mancozebe, metiram, propinebe e clorotalonil) ou cúpricos (oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre e óxido cuproso) são utilizados para pulverizar no início da fase vegetativa do tomate.

Para o controle químico curativo, recomenda-se a aplicação de fungicidas sistêmicos (boscalida, iprodiona, procimidona, tebuconazol, difenoconazol, tetraconazol, bromuconazol, imidazol procloraz, pirimetanil e ciprodinil), alternando com aplicação de fungicidas protetores.

É importante salientar que estes produtos possuem risco de seleção de patógenos resistentes, por isso, recomenda-se alternar com a rotação de ingredientes ativos ou mistura com fungicidas de contato.

Com os avanços tecnológicos no manejo da pinta-preta, existem fungicidas com atividade sistêmica que possuem elevada fungitoxicidade, elevando os níveis de controle em situações que antes eram irreversíveis.

Estes possuem rápida absorção e são menos sujeitos às adversidades climáticas. Atualmente, o acibenzolar-S-methyl (BTH) se destaca no controle da pinta-preta em tomate, pois é capaz de induzir a resistência de plantas à ação de patógenos.

Monitoramento

Atualmente, há no mercado sistemas de previsão de doenças capazes de monitorar a incidência da doença nos plantios e prever a ocorrência com base nas condições climáticas da região de cultivo.

Com isso, é possível adotar o melhor período para a aplicação de fungicidas na cultura, reduzindo o número de aplicações e, consequentemente, os custos com a aplicação destes produtos, além dos benefícios ao meio ambiente, assim como a redução dos riscos de contaminação dos frutos por fungicidas, devido às elevadas concentrações de resíduos.

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