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Polímeros orgânicos melhoram qualidade do pegamento de mudas

Luiz Marcandalli

Mestre em Nutrição Mineral pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura CENA/USP

 

Crédito UPL
Crédito UPL

Atualmente, o Brasil possui aproximadamente sete milhões de hectares de florestas plantadas, sendo principalmente de eucalipto e pinus, grande parte em Minas Gerais, porém, com destaque importante para os Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

O Eucalyptus (inserido na categoria das folhosas), com mais de 600 espécies descritas, principal matéria-prima do processo de produção da celulose de fibra curta, ocupava, em 2015, aproximadamente cinco milhões de hectares em todo o Brasil, localizados, em sua maior parte, na região Sudeste e no Estado da Bahia.

Já o pinus (inserido na categoria das coníferas), utilizado como insumo para a produção de celulose de fibra longa, painéis de madeira e na indústria moveleira, entre outros usos, tem 76% de seu plantio nas regiões sul e sudeste do País, onde o clima lhe é mais favorável.

Liderada pelo setor de celulose e papel, a indústria consumidora de madeira investiu de forma significativa em tecnologia florestal. Graças a esses investimentos, aliados aos esforços de instituições de pesquisa e de universidades e às condições edafoclimáticas do território brasileiro, as florestas de pinus e de eucalipto plantadas no Brasil apresentam rápido crescimento, excelente produtividade e custos de implantação/manutenção em declínio.

Os esforços somados à tecnologia e melhoramento genético visam produzir mudas de melhor qualidade e também ampliam rapidamente as áreas com florestas no Brasil.

Demanda

A demanda de madeira é crescente e constante. Dessa forma, o desenvolvimento das florestas está ocorrendo em regiões onde as condições climáticas e de solos não são as ideais em todos os períodos do ano para o melhor desenvolvimento dos cultivos.

Um grande exemplo desse desenvolvimento é o Estado do Mato Grosso do Sul, mais precisamente a região leste do Estado, próximo aos municípios de Três Lagoas e Águas Claras, os quais estão se tornando importantes polos silvicultores do Brasil. Apesar do grande desenvolvimento dessa região como um polo no plantio de florestas, grandes desafios precisam ser vencidos para que tenhamos uma melhor uniformidade e rentabilidade das florestas plantadas nesta região, assim como em outras que compartilham das mesmas dificuldades.

Exigências florestais

As culturas florestais são extremamente exigentes em água na sua fase inicial para que tenhamos um excelente pegamento e desenvolvimento inicial das mudas, porém, os solos arenosos podem dificultar essas características.

Eles possuem baixa capacidade de retenção de água, devido à grande quantidade de macroporos por onde a água é percolada e também não há retenção de nutrientes devido à baixa capacidade de troca de cátions desse tipo de solo. Isso faz com que o plantio de florestas nessas condições de solo seja técnico e cauteloso para não haver perdas no investimento inicial devido à morte das mudas plantadas.

Como o grande problema dos solos arenosos está relacionado à água, seja por ausência ou excesso desta, precisamos trabalhar fortemente no desenvolvimento de tecnologias que ajudem a expandir as áreas de florestas para os ambientes com solos mais pobres.

Solução

Uma importante ferramenta para expansão do plantio de florestas está no polímero hidrorretentor, que possui capacidade de auxiliar no desenvolvimento inicial das mudas até a fase onde a planta possua um crescimento radicular suficiente para que essa possa explorar mais o solo em busca de água e nutrientes.

O polímero hidrorretentor de água deve ser utilizado durante a formação e transplantio das mudas, para que possa aumentar a viabilidade de cada muda, assim reduzindo os custos com replantio e também melhorando a velocidade inicial de desenvolvimento.

Sua tecnologia faz com que, ao adicioná-lo junto à muda, tenhamos inúmeros benefícios, como redução da temperatura média do solo próximo à muda, regulagem da disponibilidade de água para ela, redução das perdas de nutrientes por lixiviação, aumento da capacidade das plantas se manterem hidratadas, consequentemente melhora da atividade fisiológica, fotossíntese, crescimento e absorção de nutrientes.

Os polímeros podem possuir atividade nos solos por até 180 dias, sendo que em períodos de estiagem podem fornecer água para as mudas por até 15 dias,voltando após a próxima chuva ou irrigação.

O uso de polímeros no plantio de florestas é uma realidade no Brasil, porém, precisamos investir muito em pesquisas e trabalhos de campos para responder todas as questões que ainda existem e assim posicionar um produto de qualidade que traga inúmeras vantagens aos silvicultores e a toda a cadeia da silvicultura.

Essa matéria você encontra na edição de março/abril 2017  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua.

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