Precisão na medição das áreas e caracterização do relevo

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Autor

Luiz Eduardo Sabbado
Gerente de Desenvolvimento e Excelência Operacional da Suzano

A tecnologia LIDAR (da sigla inglesa Light Detection And Ranging; em português Detecção de Luz e Alcance) é uma tecnologia óptica de detecção remota que mede propriedades da luz refletida de modo a obter a distância ou outra informação a respeito de um determinado objeto distante.

É uma iniciativa pouco utilizada no Brasil para medição de áreas rurais, relevo, classificação de fitofisionomia das áreas ambientais e volume da floresta plantada para inventário florestal.

O LIDAR permite, na prática, uma visão tridimensional da floresta a partir da captura de dados por meio de instrumentos a laser, embarcados em aviões tripulados de pequeno porte, que sobrevoam grandes áreas em intervalos de tempo mais curtos. Com auxílio de unidades de GPS, instaladas no avião e no solo, além de um sensor inercial acoplado à unidade laser, os dados são coletados e enviados para análise em um software especializado.

Culturas beneficiadas

LIDAR é uma tecnologia que permite o melhor gerenciamento de terras, por meio da disponibilização de informações com alta acurácia de relevo, área e caracterização do uso do solo. A análise dos dados coletados pelo LIDAR se traduz em informações importantes para manter a excelência no manejo florestal, seja no planejamento de operações ou na gestão territorial e ambiental, e nas suas certificações. Portanto, é uma tecnologia que tem potencial utilização com ampla abrangência, independente da cultura agrícola.

Como implantar a técnica

A geração de informações a partir do LIDAR tem três etapas distintas. A primeira é a realização de uma varredura com emissão de pulsos a laser na área, por meio de voo com aeronave de pequeno porte. A partir dos dados gerados, temos uma nuvem de pontos da área medida, sendo possível a geração de Modelos Digitais do Terreno, que representa o relevo da área e da superfície, mostrando a formação vegetal.

A terceira etapa é a geração de múltiplas análises com base nas informações obtidas, como por exemplo, a classificação de fitofisionomia (estágio de restauração) de áreas ambientais. A seguir está um exemplo de perfil de vegetação de áreas ambientais em dois momentos (2012 e 2018), que demonstram a regeneração da área.

Custo

O custo de implantação é similar ao de outras tecnologias de atualização de base cartográfica que utilizam imagens de satélite de alta resolução. Como se trata de voo, o custo tem uma relação direta com a escala. Grandes áreas têm menor custo de implantação. A Suzano utiliza várias tecnologias, como imagem de satélite, imagens de drones, e sempre está buscando utilizar a tecnologia de melhor custo-benefício.

Mais produtividade

A acurácia da informação tem uma relação direta com a redução de riscos e com a produtividade. O uso de mapas digitalizados embarcados em máquinas de colheita (silvicultura de precisão), por exemplo, tem objetivo de redução de riscos, ao orientar os operadores a trabalhar com maior segurança e maior produtividade.

Aliado a outras tecnologias, por exemplo telemetria, nossos controles de produção e de consumo (combustíveis/lubrificantes) subsidiam ações específicas de capacitação de operadores (pilar pessoas) e mudanças na forma de operar (pilar processo), com foco na redução de custos e aumento da produtividade.

Outro exemplo que podemos citar é o melhor aproveitamento de áreas. Entre os anos de 2015 a 2018 tivemos uma otimização do uso em áreas de produção que viabilizaram o plantio de 8,0 mil hectares adicionais. A informação no tempo correto e com acurácia são fatores determinantes na tomada de decisão e geração de valor.

Resultados práticos em campo:

9  Viabilização da silvicultura de precisão, que consiste em embarcar, em computadores de bordo, mapas com informações detalhadas das operações. Como exemplo, temos mapas de alinhamento de plantio e mapas de planejamento de colheita florestal;

9 Planejamento de áreas destinadas à restauração ambiental, por meio do uso da classificação do estágio de regeneração das áreas ambientais;

9  Distância de transporte automatizada e automação de roteirização para transporte;

9  Otimização do uso de áreas produtivas;

9  Inventário florestal contínuo – esse projeto ainda em escala semi-operacional.

Sem errar

Estamos utilizando esta tecnologia desde 2011. O principal ponto de atenção está na varredura de pontos, dado que é necessária uma densidade mínima de 05 pontos por m². Dessa forma, garantimos uma nuvem de pontos de qualidade muito boa, o que permitirá múltiplos usos do levantamento.

Para evitar eventuais problemas em relação a isso, precisamos trabalhar com empresas com capacidade técnica reconhecida no mercado e ter em nossos quadros, profissionais com conhecimento técnico específico para validar as entregas efetuadas, garantindo assim qualidade mínima aos levantamentos realizados.

Versatilidade

Pensando na utilização para inventário florestal, estamos em constante contato com pesquisadores do Brasil e de outros países, buscando sempre otimizar o fluxo dos levantamentos. Um exemplo dessa prática é a utilização, no futuro, de um LIDAR Terrestre associado ao levantamento Lidar Aerotransportado, permitindo assim maior precisão na correlação dos dados de produtividade florestal e também maior correlação com o desenvolvimento para monitoramento das áreas de conservação.

Investimento x retorno

O LIDAR trouxe economia de 12% no custo de monitoramento e atualização de áreas, nas unidades em que houve implementação da tecnologia, além de viabilizar inúmeros projetos de modernização que resultaram no aumento de oito mil hectares na base florestal da empresa.

“O LIDAR permite, na prática, uma visão tridimensional da floresta a partir da captura de dados por meio de instrumentos a laser”