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Projeto piloto de seguro paramétrico para mulheres cafeicultoras é iniciado

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A agricultura familiar é extremamente importante na produção de alimentos, sendo a base da pirâmide da produção brasileira, empregando 10 milhões de pessoas, o que corresponde a 67% da força de trabalho ocupada em atividades agropecuárias. Atualmente, pequenas produtoras e produtores são responsáveis por 77% dos estabelecimentos agrícolas do Brasil, segundo último Censo Agropecuário, realizado pelo IBGE, e abrange 80,9 milhões de hectares.

Mesmo com tanta importância e protagonismo, essa categoria é carente de soluções e tecnologias específicas para suas atividades. Para tentar mudar esse cenário, a Picsel, insurtech brasileira especializada no agronegócio, por meio do programa EuroClima+, após realização de um diagnóstico e roadmap para o setor (especificado e aprovado pelos Ministérios da Economia e Agricultura), desenvolverá um modelo de seguro específico para os agricultores familiares, por meio de um projeto piloto com cafeicultoras no Paraná.

A Picsel foi selecionada em processo competitivo pela Agência Alemã de Cooperação Internacional Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), que é uma implementadora do Euroclima+ que conta com recursos da União Europeia e cofinanciamento do BMZ. Por meio do Projeto EU+ “Instrumentos Inovadores de Gestão de Risco para aumentar a resiliência dos pequenos agricultores”, a insurtech brasileira foi escolhida para testar a viabilidade financeira do seguro paramétrico. Este tipo de iniciativa já existe em outros países, mas no Brasil ainda não se conseguiu fazer com que essa modalidade seja massificada, um dos objetivos do Projeto é que isso aconteça e seja e replicável.

Esse tipo de seguro é feito sob medida para atender às necessidades específicas de um grupo de clientes, protegendo os resultados do negócio de oscilações climáticas. Diferente da proteção agrícola tradicional, o seguro paramétrico está relacionado diretamente com as variáveis climáticas, por exemplo, índices de temperatura ou de precipitação, e o sinistro ocorre se os níveis medidos estiverem fora dos parâmetros definidos anteriormente na apólice, independentemente do impacto causado na produção agrícola e da ocorrência efetiva de perdas.

Segundo Daniel Miquelluti, COO da Picsel, nos últimos anos foram feitas várias tentativas por diversas empresas para implantar o seguro paramétrico no Brasil, mas sem sucesso. “Analisando tudo isso e fazendo estudos detalhados, percebemos que essa modalidade pode funcionar com pequenos agricultores, diferentemente de tudo que já foi tentado até hoje. O nosso trabalho é fazer com que eles entendam o produto, que não é tão simples, mas que pode ser muito importante para a segurança de seus negócios”, detalha.

Mulheres em ação

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Para de fato aferir a eficiência do projeto que será desenvolvido pela Picsel, foi escolhida como parceira a Amucafé – Associação das Mulheres do Café do Norte Pioneiro do Paraná. A entidade começou em 2013, com o objetivo de capacitar as mulheres que trabalham na cafeicultura familiar, além de dar visibilidade ao seu trabalho e produzir cafés especiais para aumentar a renda das famílias. 

O grupo foi criado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e atualmente abrange mais de 250 mulheres, distribuídas por 12 grupos de 11 municípios. Em nove anos de projeto, os cafés produzidos por elas já foram diversas vezes premiados, e são vendidos para quatro continentes e correspondem a 15% da produção total de café dos municípios. A associação também é vinculada à Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA), instituição internacional de valorização ao trabalho feminino nessa cadeia.

Segundo a produtora e presidente da Amucafé, Claudionira Inocência de Souza, mais conhecida como Nira, essa nova ferramenta apresentada pelo projeto através da Picsel será muito importante para dar mais segurança às produtoras, uma vez que os impactos climáticos causaram grandes perdas nos últimos anos. “Para o cafeicultor ter uma nova opção de seguro é muito importante, pois é a garantia que teremos. Se passarmos por uma geada ou precisarmos cortar os pés de café, por exemplo, são três anos pelo menos sem produzir e se buscarmos as opções disponíveis nos bancos hoje é inviável. São anos pagando e muita burocracia”, destaca.

Com as dificuldades para acessar linhas de crédito e até mesmo com a escassez dos recursos, algumas produtoras muitas vezes são obrigadas a arredarem suas terras a grandes fazendeiros. Com isso, aos poucos a cafeicultura principalmente do Norte Pioneiro do Paraná, que é tão importante para manter a renda das famílias da região e seus arredores, vai ficando enfraquecida.

Segundo Nira, somente soluções tecnológicas podem ajudar a manter a atividade fortalecida engajando principalmente os jovens. “A tecnologia tem que chegar para continuarmos produzindo café de qualidade. Não podemos parar no tempo, temos que evoluir para melhorarmos a vida das pessoas e nossos produtos”, diz.

Ainda segundo a produtora, o clima tem sido muito complexo a todas elas, por sua instabilidade nos últimos anos. Portanto, ter uma proteção contra esses fatores dará mais tranquilidade às cafeicultoras. “Além da segurança, vamos ter a possibilidade de investir nas nossas lavouras e assim ter um planejamento para adoção de muitas outras tecnologias também”, detalha Nira.

Solução na prática

Na prática, o desafio da Picsel é testar a viabilidade de dois tipos de seguros paramétricos (de seca e geada). Entre suas atribuições, a plataforma vai disponibilizar seus dados climáticos, algoritmos e tecnologia, e fazer simulações da operação desde a contratação até a gestão dos sinistros. Além disso, vai georreferenciar todas as propriedades das associadas da Amucafé utilizando suas tecnologias.

De acordo com o COO da Picsel, no momento as equipes estão detalhando as etapas de trabalho. O projeto prevê quatro entregas que serão acompanhadas pela GIZ e Ministérios e precisam ser realizadas ao longo dos próximos 12 meses. “Agora estamos detalhando a entrega do produto um, depois passamos para a etapa dois e assim por diante. Se conseguirmos obter bons resultados no projeto piloto, posteriormente há a possibilidade de ofertarmos esse produto comercialmente a estas produtoras, podendo ainda ser replicado a outras regiões e culturas”, finaliza.

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