Qual a nutrição correta da goiabeira em produção?

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Autores

Damaris Eugênia Dina
eugeniadamaris@gmail.com
Luan Fernando Mendes
luan.mendes14@hotmail.com
Graduandos em Engenharia Agronômica – Centro Universitário Sudoeste Paulista (UNIFSP)
Letícia Galhardo Jorge
Bióloga e mestranda em Botânica – IBB/UNESP
leticia_1307@hotmail.com
Bruno Novaes Menezes Martins
Engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia/Horticultura) – FCA/UNESP e professor – UNIFSP
brunonovaes17@hotmail.com

Crédito: Shutterstock

A nutrição adequada e equilibrada é um parâmetro essencial para um eficiente sistema de produção de goiabas. Para aumentar a produtividade e qualidade do produto, um dos principais fatores é o manejo correto da adubação. Tal prática se resume a satisfazer as necessidades nutricionais da planta nos diferentes estádios de desenvolvimento. Em condições de preços baixos da goiaba, é necessário racionalização do uso dos adubos, visto que o manejo é significativo sobre o custo de produção.

Entenda melhor

A goiabeira é uma cultura de pouca exigência nutricional, podendo desenvolver-se em solos com pH de 4,5 a 8,0, com faixa ótima de desenvolvimento entre 5,0 e 6,5. No entanto, para a obtenção e a manutenção de boas produtividades em pomares comerciais, é necessário manter níveis adequados de fertilidade.

A maioria dos trabalhos de pesquisa mostram que as plantas de goiaba, para vegetar e produzir, necessitam, em ordem de importância, dos seguintes nutrientes:

Macronutrientes: K>N>Ca> P>S>Mg

Micronutrientes: B>Fe>Mn>Zn>Cu

Assim, torna-se importante o conhecimento prévio das funções de cada nutriente, bem como identificar suas carências, uma vez que os nutrientes estão diretamente ligados à produtividade, visto que uma planta bem nutrida adequadamente consegue otimizar ou até mesmo maximizar a produtividade.

Lembrando que cada nutriente apresenta um “papel chave” na fisiologia da planta, sendo que o excesso de um não suprirá a deficiência de outro.

Aplicação de fertilizantes

Ü Calagem: a adubação e calagem devem ser feitas a partir do diagnóstico da análise do solo para elevar a saturação de bases a 70% e o magnésio ao teor mínimo de 9 mmolc/dm3. Recomenda-se que seja feito entre o final da colheita até o início do florescimento do próximo ciclo produtivo, assim como a adubação orgânica e fosfatada.

Ü Adubação de plantio: por conta da limitada disponibilidade de adubos orgânicos observou-se que sua melhor utilização é na implantação do pomar, colocando na cova 15 a 20 litros de esterco de curral ou três a cinco litros de esterco de galinha ou torta de mamona em mistura com 200 g de P2O5 e 3g de Zn (nas formas de óxido ou sulfato), misturando com a terra da superfície, 20 a 30 dias antes do plantio.

Na fase de crescimento, as doses de nitrogênio devem ser parceladas em cinco aplicações ao ano em solos argilosos, e em 10 aplicações ao ano em solos arenosos, iniciando-se 30 dias depois do plantio.

Ü Adubação de produção: a partir do 2º ou 3º ano de instalação do pomar, quando as plantas entram em plena produção. Deve ser aplicada ao redor da coroa, em volta de toda a planta, na projeção da copa, num raio de 0,6 m de largura para disponibilizar o adubo às raízes. Segundo o IAC, deve-se aplicar, de acordo com a análise de solo, por ano de idade e por planta, 70 g de N, 40 a 100 g de P2O5, e 20 a 50 g de K2O, em três parcelas, no início e durante as chuvas, na projeção da copa.

Recomendações

A adubação potássica deve ser parcelada em 30% depois da poda, 15% depois do pegamento dos frutos, 25% na fase intermediária de crescimento do fruto e 30% na fase final de crescimento do fruto (antes da maturação).

Porém, estudos realizados em São Paulo demonstraram significativa melhora na produtividade com aumento de adubação nitrogenada e potássica em plantas com até cinco anos de idade, associada à dose de 627 g de N por planta (aproximadamente 3,2 kg de sulfato de amônio ou 2,3 kg de ureia por planta por ciclo) e à dose de 290 g por planta de K2O (aproximadamente 500 g de cloreto de potássio por planta).

As adubações com nitrogênio e potássio devem ser realizadas a partir do florescimento das plantas, sendo que a quantidade total recomendada seja dividida em três parcelas iguais: a 1ª parcela durante o florescimento; a 2ª após 30 a 45 dias da primeira e a 3ª após 30 a 45 dias da segunda.

A aplicação de fósforo requer cuidados na aplicação devido a sua baixa mobilidade e deve ter aplicação de forma localizada e em profundidade, considerando sempre o teor de fósforo no solo para definir a dosagem de fertilizante.

Já os micronutrientes, zinco (Zn), boro (B), cobre (Cu), e manganês (Mn) muitas vezes são deficitários em solo brasileiro, principalmente os dois primeiros, trazendo alguns prejuízos à goiabeira, principalmente na parte foliar. Portanto, recomenda-se também a aplicação de uma solução com ácido bórico a 0,06% e de sulfato de zinco a 0,5% pelo menos duas vezes ao ano.

Novos produtos

O mercado oferece hoje, além de produtos mais específicos para a cultura, alguns softwares baseados na necessidade nutricional da planta, que auxiliam na recomendação de calagem e adubação da goiabeira, considerando sempre a análise de solo e a viabilidade econômica.

Lembrando que em qualquer situação os produtores devem realizar a análise de solo toda vez que forem implantar uma cultura, ou anualmente no caso de culturas perenes. Além disso, no caso de qualquer dúvida, não deve hesitar em procurar um agrônomo. Toda essa preocupação deve-se ao fato de que essa etapa inicial garantirá o sucesso da produção.

Os benefícios de uma correta coleta de solo e interpretação dos resultados são listados a seguir:

ð Redução de custos com fertilizantes, uma vez que a análise permite aplicar a quantidade realmente necessária para a cultura em questão;

ð Redução da incidência de doenças, uma vez que plantas nutridas adequadamente são mais resistentes a patógenos;

ð Estruturação física, química e biológica do solo, resultando em condições para o bom desenvolvimento do sistema radicular e da planta como um todo;

ð Tolerância a veranicos devido ao melhor desenvolvimento do sistema radicular;

ð Redução dos riscos de deficiência nutricional, causada tanto pela carência de nutrientes como pelo desequilíbrio nutricional;

ð Melhor aproveitamento do fósforo, por se tratar de um nutriente encontrado em baixa disponibilidade às plantas;

ð Aumento garantido da produtividade, já que uma cultura nutrida de forma adequada consegue expressar seu real potencial genético;

ð Aumento de lucros aos produtores, tanto pela redução de custos com aplicações inadequadas de fertilizantes como pelo aumento da sanidade, qualidade e produtividade da cultura.