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Relação entre o glyphosate e o manganês na soja

Edson Aparecido dos SantosDoutor e professor do curso de Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)edsonsantos@ufu.br

Foto: Shutterstock

O herbicida glyphosate é o principal produto fitossanitário utilizado no mundo. Um dos principais fatores responsáveis por essa importância é a utilização em aplicações pós-emergentes na cultura da soja geneticamente modificada para resistência ao produto – a soja RR.

O herbicida inibe uma enzima relacionada à síntese de aminoácidos aromáticos nas plantas sensíveis. Com isso, diversos eventos diretos e indiretos dessa inibição proporcionam a morte da planta em alguns dias ou semanas. Dentre tais eventos, podem ser destacados: a diminuição da clorofila, da fotossíntese e da produção de aminoácidos, a paralisação de crescimento, o amarelecimento, a necrose e a clorose.

A soja geneticamente modificada para resistência ao glyphosate foi um dos principais feitos da ciência para revolução na produção agrícola. Com essa tecnologia, é possível realizar a aplicação do glyphosate em área total e controlar todas as plantas daninhas, o que promoveu a economia de produtos, otimização de operações e maior lucratividade à atividade, bem como menor impacto negativo ao meio ambiente.

A modificação das plantas se deu graças à inserção de genes da bactéria Agrobacterium sp. na soja, por esse motivo, a soja RR é um organismo transgênico.  O gene da bactéria é capaz de codificar uma variante da enzima insensível ao glyphosate.

Apesar da conhecida tolerância da soja RR ao glyphosate, a aplicação na parte aérea das plantas pode provocar diversos danos à cultura ou a organismos relacionados à sua produtividade.

O glyphosate pode prejudicar a movimentação do manganês nas plantas de soja transgênica ao interferir em rotas metabólicas diversas. Além disso, o glyphosate é prejudicial às bactérias fixadoras de nitrogênio simbiontes com a soja e atua na população de organismos redutores e oxidantes de manganês na área das raízes, o que diminui a oferta do micronutriente e pode gerar sintomas como amarelecimento das folhas, especificamente entre as nervuras e primariamente em folhas novas.

Questão de manejo

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O efeito prejudicial do glyphosate à soja transgênica torna-se mais importante quando há aplicações em doses elevadas, ou dobradas (em virtude de sobreposição da barra de pulverização) e graças à repetição de aplicações em virtude da tentativa de controle de plantas daninhas resistentes ou tolerantes ao glyphosate.

Por esse motivo, nos últimos anos tem sido comum a utilização de adubação complementar com manganês para tentativa de mitigação dos efeitos danosos da possível carência desse micronutriente na soja.

O fertilizante é aplicado na forma de adubação foliar ou em mistura com o próprio herbicida ou com outro produto fitossanitário. As dosagens de manganês suplementar giram em torno de 200 a 300 g/ha.

Entenda melhor

Os efeitos danosos do glyphosate para a soja RR, especificamente aquele denominado amarelecimento, também chamado de yellow flashing, podem não diretamente estar relacionados à carência de manganês.

O glyphosate é conhecido por ser um herbicida com ótima translocação vegetal. Uma vez na planta, boa parte do produto é transformada em um metabólito denominado ácido aminometilfosfânico (AMPA) que por aproximadamente três semanas após a pulverização é capaz de provocar a diminuição no conteúdo de clorofila nas plantas (Reddy et al., 2004) A diminuição no conteúdo de clorofilas permite a visualização do amarelecimento foliar.

O amarelecimento é, muitas vezes, relacionado, ou confundido, com a carência de manganês. Esse elemento é considerado essencial para as plantas de soja. Suas principais funções estão relacionadas à fotossíntese e produção de oxigênio.

Portanto, a suplementação de manganês na soja RR, muitas vezes, não representará aumento em rendimento ou outros atributos positivos, em virtude da injúria metabólica provocada pelo glyphosate.

Suprimento de manganês

A suplementação de manganês está mais relacionada à demanda da planta e aos crescentes aumentos em rendimentos e exportação do que à intoxicação provocada pelo herbicida. Por isso, deve-se seguir a recomendação de adubação em virtude das características do ambiente, especialmente o solo.

Em solos de Cerrado, por exemplo, é comum a baixa oferta de manganês em virtude do excesso de calcário e da baixa concentração do micronutriente nos fertilizantes minerais utilizados.

Em virtude da insuficiência do solo em fornecer manganês para a soja RR, as adubações foliares são constantemente relacionadas ao aumento de rendimento. Adicionalmente, há certa dificuldade em se relacionar o teor de manganês do solo com o rendimento da soja em função de particularidades da análise, o que reforça a necessidade da diagnose foliar para recomendação de adubação de cobertura.

Além disso, é recomendado que essa adubação de cobertura seja realizada de forma parcelada, pois o manganês tem baixa mobilidade nas plantas de soja e, como a época de aplicação do glyphosate pode coincidir com a época de aplicação do manganês, essas operações podem ser feitas juntas.

Mistura em tanque

A mistura em tanque do glyphosate com manganês é relacionada a muitos problemas no campo. É questionável a imobilização de manganês por glyphosate dentro da planta, porém, em se tratando da calda de pulverização, o herbicida atua como complexante do manganês e tal reação prejudica a eficácia do herbicida e da fertilização foliar, pois são formados complexos (herbicida-Mn) que precipitam na solução.

Com isso, é recomendada a quelatização do manganês diante da prática de mistura de tanque com glyphosate e o agricultor deve estar atento à fonte de manganês, preferindo aquelas de alta qualidade e com o micronutriente quelatizado.

Soja RR x adubação com manganês

As respostas da soja RR à adubação com manganês são relativas ao estádio e à cultivar. De acordo com trabalhos realizados por Carvalho et al. (2015), a máxima produção de sementes das cultivares RR se deu após a adubação com 150 g/ha de Mn e o estádio R1 é melhor para a aplicação do fertilizante em relação ao R3.

Vale salientar que o manganês é um micronutriente muito abundante no solo, porém, não necessariamente disponível (Mn2+). Algumas características do solo podem promover a intoxicação de plantas de soja em virtude do excesso de manganês.

Em áreas com solo compactado há menor aeração e, consequentemente, maior redução do elemento (quando ele vai da forma trivalente ou tetravalente para a forma divalente), fazendo com que a planta tenha acesso a uma quantidade alta e, consequentemente, tóxica.

O pH do solo, quando baixo, apresenta efeito semelhante. Para evitar esses problemas, é fundamental seguir as boas práticas de trabalho com o solo, especialmente a calagem em dose e época corretas.

Deve-se frisar que a resposta da soja ao manganês é muito relativa à cultivar, e diante da dinâmica das cultivares, é fundamental a atualização do conhecimento.

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