Remineralizadores de solo: Economia para o produtor e produtividade na lavoura

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Autores

Henrique Gualberto Vilela PenhaDoutor em Ciência do Solo e professor – EBTThenriquegualberto@iftm.edu.br

Camila de Andrade Carvalho GualbertoMestre em Agronomia/Solos e sócia-pesquisadora – KP Consultoriacamila_carvalho03@hotmail.com

Broto – Fotos: Shutterstock

Os remineralizadores de solo, ou pós de rocha, como são conhecidos, são insumos estratégicos que contribuem para a disponibilização de nutrientes de plantas fixados ao solo e, inclusive, para repor alguns nutrientes e micronutrientes para as plantas.

O uso de remineralizadores na agricultura é uma alternativa complementar às adubações com fertilizantes sintéticos e minerais de alta solubilidade. Esses produtos favorecem as propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos, potencializando a produtividade das culturas a um custo relativamente baixo e possibilitando a redução do uso de fertilizantes importados e de custos elevados.

O que é e como funciona?

Os remineralizadores de solo são materiais de origem mineral que são expostos a processos mecânicos para redução e classificação de tamanho das suas partículas, sem quaisquer outras alterações.

Além disso, um remineralizador deve conter elementos químicos (macro ou micronutrientes de plantas) que alteram os índices de fertilidade do solo, possibilitando o melhor desenvolvimento das culturas, bem como melhorias nas propriedades físicas, químicas ou biológicas o solo.

A prática de uso de remineralizadores, também conhecidos como agrominerais e pós de rocha, tem recebido o nome de rochagem, nome este advindo de analogias às práticas de calagem e gessagem.

A rochagem consiste na moagem e aplicação de determinados tipos de rochas contendo macro e micronutrientes com potencial de promover melhorias à fertilidade dos solos brasileiros e à produtividade dos cultivos.

Vantagens

Dentre as vantagens dos remineralizadores de solo destacam-se a característica multielementar dos materiais moídos, a disponibilidade em abundância e o baixo custo, além da possibilidade de efeito residual prolongado e redução de perdas por lixiviação e, ainda, a fertilização do solo com macro e micronutrientes não disponíveis em fertilizantes químicos solúveis.

A remineralização ou rejuvenescimento do solo se baseia no processo de intemperismo sobre as rochas, sendo uma prática interessante principalmente em solos tropicais, onde se observa intensa lixiviação de bases.

De forma simples, essa prática imita o que a natureza faz, porém, em um tempo bem menor, pois além de liberar nutrientes em curto e médio-prazo, permite a formação de novos minerais que ficarão por bastante tempo no solo, melhorando as suas características, tais como a capacidade de troca de cátions (CTC) e a capacidade de reter água.

Culturas mais beneficiadas

Por ser um produto natural, os remineralizadores de solo podem ser utilizados em diversas culturas, tanto na agricultura convencional como na orgânica. Devido às características do produto, especialmente à baixa solubilidade e efeito residual prolongado, as culturas que mais se beneficiam dessa prática são as perenes, entre elas a cana-de-açúcar, café e citros.

No entanto, os remineralizadores têm sido utilizados também em culturas anuais, especialmente em sistemas de produção em que essas culturas entram em sucessão, a exemplo de soja, milho e sorgo.

Manejo

Os remineralizadores são importantes para repor os nutrientes extraídos do solo pela colheita das culturas, pela lixiviação e até mesmo por processos erosivos. Além disso, devido ao poder alcalinizante de alguns materiais, eles proporcionam a elevação do pH do solo e a disponibilização de nutrientes antes retidos.

Para implantar a técnica, torna-se necessário conhecer as características dos solos da área a ser cultivada, bem como o produto e suas características e a regulamentação acerca do mesmo (IN 5 de 10 de Março de 2016 – MAPA).

Para dar início à prática da rochagem, deve-se conhecer as características químicas e físicas do solo. Basta fazer a amostragem do solo de forma tradicional e enviar a amostra a um laboratório para análise. Com o resultado da análise em mãos, têm-se as informações necessárias para escolher o melhor produto para aplicação.

Para isso, é preciso verificar os nutrientes que precisam ter seus teores corrigidos no solo e escolher o agromineral que contenha tais elementos químicos. Além disso, na escolha do material deve-se considerar o custo da rochagem, o qual está intimamente ligado à distância da área de origem da rocha até o ponto de uso do agromineral.

Dessa forma, é importante observar os materiais disponíveis na região, caso contrário, o uso pode ser economicamente inviável.


Opções

Como exemplos de rochas que são amplamente utilizadas na remineralização de solos, pode-se citar: Micaxisto, basalto, kamafugito, glauconita, fonolito, nefelina, carbonatitos, entre outros, os quais são fontes de cálcio (Ca), magnésio (Mg), potássio (K), fósforo (P), silício (Si) e micronutrientes de planta.


Destino: solo

São várias as rochas que podem ser moídas para uso na agricultura, as quais apresentam variável composição e teor de nutrientes. Vale ressaltar que, de acordo com a legislação vigente no Brasil, a soma de bases (CaO, MgO, K2O) no remineralizador deve ser igual ou superior a 9% em peso/peso e o teor de K2O igual ou superior a 1% em peso/peso. Portanto, a aplicação de um remineralizador resulta na reposição de Ca e/ou Mg e K no solo.

Para os cálculos de recomendação do remineralizador de solo, deve-se atentar ao teor total do elemento principal a ser fornecido. Como exemplo, pode-se citar o fonolito, que surge como subproduto no processo de extração da bauxita. Em Poços de Caldas (MG), na mineração Curimbaba encontra-se esse produto, que contém cerca de 8% de K2O; 1,5% de CaO; 3,4% de Fe2O3 e 7% de NaO. Assim sendo, para fins de cálculos de correção dos teores de K no solo, considera-se que para cada tonelada do produto são aplicados ao solo 80 kg de K2O.

Como fazer?

Os remineralizadores normalmente são aplicados a lanço em área total, com ou sem incorporação. As rochas moídas apresentam baixa solubilidade em água, o que pode acarretar em demora para sua transformação no solo, ou seja, a disponibilização dos nutrientes ocorre de forma lenta e gradual.

Entretanto, essa transformação se acelera consideravelmente se tiver a ação das raízes das plantas e associação de microrganismos. Nesses casos, pesquisas mostram que alguns minerais silicatados cálcicos, magnesianos e potássicos podem ser transformados, inclusive, em um ciclo anual, podendo ser utilizados em culturas com ciclos menores.

Portanto, incrementar matéria orgânica e enriquecer a microbiota do solo é também uma estratégia de manejo para potencializar a prática da rochagem.

Mais produtividade

Os estudos ainda são escassos, em condições de campo, no sentido de avaliar a produtividade das culturas com o uso de remineralizadores. Entretanto, alguns resultados demostram que os remineralizadores podem substituir parcial ou totalmente os fertilizantes solúveis, os quais possuem custos mais elevados. 

Por exemplo, Crusciol (2008) verificou que a substituição total do KCl pela rocha fonolito propiciou efeitos semelhantes ao KCl no fornecimento de K e na produtividade de arroz, feijão, milho e soja.

Em trabalho feito por Theodoro (2006), foi concluído que, com a rochagem, as produções de milho, arroz, mandioca, cana-de-açúcar e hortifrutigranjeiros se mantiveram equiparáveis às com adubação convencional, tratando-se de um manejo mais sustentável para pequenos produtores familiares.

Alguns resultados práticos no interior do Estado de São Paulo demonstram que o pó de rocha basáltica incrementa o rendimento de colmos e de açúcar na cultura da cana, sendo que, em algumas áreas, esses efeitos foram positivos já no primeiro ano.

Além dos benefícios de disponibilização de nutrientes, vários materiais utilizados como remineralizadores apresentam efeito alcalinizante, aumentando o pH do solo e melhorando a disponibilidade dos nutrientes para o sistema solo-planta, o que afeta positivamente a produtividade das culturas.


Viabilidade

Diante dos estudos já realizados acerca do uso de remineralizadores, fica evidente que culturas distintas apresentam resultados diferentes em relação ao seu uso, mas a maior parte dos estudos convergem para melhores resultados quando se aplica o remineralizador associado a uma matriz orgânica, como por exemplo o esterco bovino, e substituindo parcialmente os fertilizantes NPK tradicionais, pois os remineralizadores não possuem todos os nutrientes necessários ao bom desenvolvimento das plantas.


Evite erros

Os erros mais frequentes estão na interpretação da quantidade do remineralizador a aplicar. Para os cálculos de recomendação, deve-se observar o teor total do elemento no produto e não o teor solúvel.

Outro erro comum é optar pelo uso de remineralizadores em substituição total aos fertilizantes convencionais de forma imediata, sem preparar o sistema para tal mudança e sem observar que nem todos os nutrientes de plantas podem ser fornecidos pelo remineralizador.

Como já foi dito anteriormente, é muito válido incrementar a microbiota e a matéria orgânica do solo, pois são de grande importância para a disponibilização de nutrientes dos remineralizadores.

Para evitar tais erros, torna-se necessária a avaliação dos teores dos nutrientes, bem como os minerais presentes no material a ser adquirido. É importante também a aplicação de algum material orgânico em associação aos remineralizadores e utilizar tais produtos de maneira complementar aos fertilizantes convencionais.

Faça as contas

O custo dessa prática se assemelha, muitas vezes, aos custos com a calagem. O pó de rocha é um produto barato, no entanto, a localização das áreas de extração muitas vezes acabam afetando o preço final do produto em função do frete. De acordo com a Embrapa, estima-se que, de modo geral, é compensatório o uso dos remineralizadores para fretes de até 300 quilômetros.

O custo da tonelada de um fertilizante mineral tradicional na fazenda fica em torno de R$ 1.500, já o de um remineralizador fica em torno de R$ 100, considerando-se frete de até 300 km.

No entanto, a quantidade de remineralizador que se aplica aos solos é bem maior que dos fertilizantes minerais de alta solubilidade, o que onera os custos no primeiro ano de cultivo. Porém, devido ao seu efeito residual prolongado, não há necessidade de aplicar os remineralizadores todos os anos, o que acaba diluindo os custos a longo prazo e tornando-se uma fonte de boa relação custo/benefício, pois ainda rejuvenesce e proporciona grandes melhorias na qualidade dos solos, o que por si só já justifica o investimento.

Ao longo dos anos e com a diluição dos custos, o uso de remineralizadores possibilita a redução dos custos com fertilizantes, pois com o efeito prolongado desses materiais reduz-se a dependência de insumos importados de alto custo.

Pó de rocha: Controle cultural de pragas e doenças nas lavouras

Além de fertilizar e remineralizar o solo, o FMX atua como indutor de resistência para as planta

Também conhecido como pó de rocha por agricultores e agrônomos, o remineralizador FMX (Fino de Micaxisto) é utilizado como fonte de potássio, mas por ser uma rocha silicática e ter altos teores de silício, também é usada como ferramenta no controle cultural de pragas e doenças na lavoura. Além de melhorar a fertilidade e remineralizar o solo, o insumo nutre a planta e atua como indutor de resistência ao ataque de pragas e doenças.

Mestre em agronomia e especialista em fertilidade solo e nutrição de plantas, Saulo Brockes explica que uma das funções do silício é o incremento e espessura da parede celular. Isso porque o silício se acumula na parede foliar aumentando a rigidez e dificultando a entrada de insetos e patógenos na planta. Ele pontua ainda que, na maioria dos casos, isso causa desgaste acentuado nas mandíbulas de lagartas impossibilitando seu avanço na cultura.

Um aspecto importante a ser lembrado é que o acúmulo de silício varia amplamente às diferentes espécies. Portanto, as respostas das culturas à aplicação variam muito. “Comprovadamente, plantas acumuladoras de silício como as gramíneas: arroz, milho, cana-de-açúcar, trigo, sorgo e pastagens respondem de maneira positiva ao manejo com FMX”, completa Saulo.

Sustentabilidade

Já é rotineira, em muitos países, a integração do uso de silicatos e pós de rochas nas práticas agrícolas. Entre os benefícios, estão a substituição de fertilizantes químicos e sintéticos, e redução da contaminação ambiental, além promover a proteção das plantas, sendo uma excelente alternativa voltada para agricultura sustentável.

É importante ressaltar que o remineralizador não precisa ser aplicado ao solo com outro produto. A aplicação é simples e pode ser feita com o mesmo maquinário do calcário, via calcareaderia ou distribuidor de sólidos, para grandes áreas ou mesmo manualmente em áreas menores.

Saulo afirma que a estimativa de Goiás ultrapassa 60 mil hectares com uso de uso de remineralizadores/pós de rochas. “Incluímos nesta lista culturas de grãos, sementes, frutíferas, florestais, hortícolas, forrageiras e já se estende o uso do FMX também em confinamento de gado, onde os produtores visam produzir o próprio insumo dentro da fazenda. São utilizados dejetos de animais do confinamento adicionando o FMX e criando aí um organomineral dentro da fazenda”, pontua.

Ele acrescenta que a produtividade não é o único ponto em questão, mas ressalta a importância da rentabilidade e sustentabilidade na atividade agrícola. O especialista justificaque para atingir uma boa produtividade é preciso que o manejo seja planejado com antecedência para que sejam feitas todas correções e aplicações necessárias no solo, atendendo aos critérios que a planta exige.

“Quando falamos em pós de rocha e remineralizadores, devemos pensar em investimento no solo/planta a curto, médio e longo prazo, pois estamos promovendo a regeneração, equilíbrio, aumento da capacidade de retenção do carbono no solo, melhora da capacidade de troca de cátions (CTC) e a capacidade de retenção de água (CRA), além da contribuição para a bio-ativação do solo”, explica.

Como escolher?

Para escolher um remineralizador como fonte de nutrição para lavoura, o produtor deve optar sempre por produtos registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e observar outras características como: a biodisponibilidade para planta, disponibilidade do produto na região, propriedades químicas e físicas, baixa ou nula presença de metais pesados (contaminantes), boa relação e quantidades de potássio, cálcio e magnésio, e custo benefício relativamente baixo.

Os silicatos são as principais fontes de silício para os solos e para as plantas, alguns podem apresentar efeito corretivo de acidez do solo. “Isto significa dizer que possuem capacidade de neutralizar os agentes causadores de acidez do solo e produzir o ácido monosilícico, que é a principal forma de silício absorvida pelas plantas”, finaliza Saulo.

FMX TRATTO

FMX TRATTO é um bioinsumo agrícola, registrado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como remineralizador e condicionador de solo. O FMX é britanatural e derivado de um pó de rocha de qualidade, desenvolvido para tratamento mineral, remineralização e condicionamento de solos. O bioinsumo fornece multinutrientes (K, Ca, Mg, Si, Mn, Zn, Fe, entre outros minerais) para estruturação do perfil produtivo, além de atuar como fonte natural de minerais para os solos e plantas. O FMX TRATTO é produzido em Aparecida de Goiânia-GO e pertence ao Grupo Actualpar. É o primeiro remineralizador de solos registrado no MAPA e aprovado pela Associação de Certifi