Repolho: Quais as sementes híbridas e as novas tecnologias?

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Autores

Renato Agnelo
Pesquisador e consultor agronômico
ragnelo@terra.com.br
Christiano de Oliveira Veiga
c.veiga@bejo.com.br
Cleuber Lourenço Barbosa
c.barbosa@bejo.com.br
Consultores técnicos de vendas – Bejo Sementes
Fotos: Shutterstock

Os repolhos são importantes fontes de vitamina C, ácido fólico e rico em fibras. Também é um alimento com propriedades antinflamatórias e antioxidantes. Neste segmento, os híbridos são importantes não só para esta, como para quaisquer outras culturas, como cenoura, beterrabas, pimentões, etc.

No caso dos repolhos, os híbridos garantem maiores produtividades, uniformidade, sendo que alguns possuem grandes pacotes de resistências a pragas e patógenos. Hoje o mercado de repolho no Brasil, está próximo aos 30.000 ha ano, sendo 83% de sementes híbridas, que representam acima de 95% da produção nacional, e apenas 7% do custo de produção.

A probabilidade de obter produtividade com incremento de 10% acima da cultivar sem hibridação é alta, então os riscos de utilizar sementes de baixa performance não compensam, pois as sementes de boa qualidade, no caso dos híbridos de repolho, garantem retorno em comparação às cultivares comuns.

Mais que benefícios

As sementes hibridas trazem características únicas voltadas a beneficiar o produtor, facilitando o manejo e a comercialização, pois possuem resistência a doenças e algumas pragas. Existe também o ganho em produtividade, uniformidade e estabilidade, e do ponto de vista do mercado consumidor, os híbridos agregam durabilidade pós-colheita, sabor e visual, tornando assim o produto final mais atrativo a todos.

A evolução do setor

Uma das grandes mudanças no segmento do repolho foi a padronização das mudas, devido à calibragem do tamanho da semente, o que facilita o semeio mecanizado das bandejas. Tendo as sementes o mesmo tamanho, as mudas possivelmente terão o mesmo padrão, tornando assim o plantio e o campo mais uniforme, o que também facilita o transplante, que pode ser mecanizado, diminuindo o custo de mão de obra.

Possibilita, também uma ampla janela de cultivo, pois com as resistências oriundas da hibridização de algumas cultivares o produtor pode plantar em climas mais drásticos, como por exemplo, materiais com alta resistência à Xanthomonas spp, doença predominante do verão.

Também podemos fazer transplantes mais adensados, tendo mais plantas por hectares. Quanto à colheita, tendo uma maior uniformidade e estabilidade o produtor pode ter colheita mecanizada e padronizada. Antes o produtor colhia uma parte e depois voltava na mesma área para colher o restante das cabeças que ficavam para trás, por conta da desuniformidade.

Novidade

Como novidade no segmento, podemos citar as sementes CMS, que são a fusão de protoplasma em macho esterilidade citoplasmática. Isso nada mais é que um método que elimina a possibilidade de autopolinização entre linhas híbridas femininas, tornando assim os lotes de sementes livres de plantas fora de tipo, ou of type, termo mais usado hoje.

Das OP’s para as híbridas

Se buscarmos informações, a área de repolho é praticamente a mesma, mas com muito mais produtividade. Com a evolução das O.P. para híbridas, a produtividade dobrou, ou seja, onde se colhiam 2000 cx/ha, hoje se colhe 4.500 até 4.800 caixas de média, graças à possibilidade de plantios altamente adensados, proporcionando maior uniformidade e praticamente eliminando a área com apenas uma colheita.

Quanto à qualidade, hoje temos um melhor pós-colheita e melhor resistência ao transporte, podendo viajar grandes distâncias e mantendo as mesmas características de um produto fresco.

Tratos culturais

O manejo das plantas daninhas em cultivos anteriores e a rotação de culturas são importantes para evitar perdas ou gastos excessivos com mão de obra destinada às capinas. Então, a tecnologia de controle das plantas daninhas é importante, incluindo o uso correto dos herbicidas.

Custo-benefício

Hoje o custo de uma semente híbrida e uma O.P. é muito próximo, o que tende a dificultar o investimento em novas pesquisas no País. Atualmente há uma enorme disponibilidade de novas genéticas em termos de resistências às mais diversas pragas e doenças.

A semente híbrida representa uma parcela ínfima do custo de produção, enquanto as mudas chegam a aproximadamente 30%. Olhando por esse lado, o custo-benefício é muito alto, pois o produtor terá o melhor em tecnologia, resistência e qualidade, por menos de 10% do custo de produção.

Ainda, com uso de alta tecnologia, é possível obter produtividades acima de 100 t/ha, enquanto sem ela, os produtores ficam com a média de 20 t/ha. Considerando um preço médio de R$ 0,50/kg, então a variação de renda bruta por hectare vai de R$ 10.000 a R$ 50.000 quando a tecnologia é usada corretamente.

As baixas produtividades estão associadas às plantas daninhas e uso incorreto de herbicidas; pragas sem controle eficiente; doenças bacterianas, fúngicas e viróticas sem o controle efetivo ou com diagnóstico correto, mas manejo sem orientação.

Cultivares não adaptadas à região de plantio e sem a aceitação do mercado também causam prejuízos.