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domingo, julho 14, 2024
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Repolho

Carlos Antônio dos SantosEngenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia/Produção Vegetal e pesquisador – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)carlosantoniods@ufrrj.br

Nelson Moura Brasil do Amaral SobrinhoEngenheiro agrônomo, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e professor – UFRRJnelmoura@ufrrj.br

Margarida Goréte Ferreira do CarmoEngenheira agrônoma, doutora em Fitopatologia e professora -UFRRJgorete@ufrrj.br

Repolho – Fotos: Shutterstock

O repolho (Brassica oleracea var. capitata) é uma hortaliça exigente em fertilidade do solo e que apresenta como característica uma alta produção de biomassa em curto período de tempo. Na produção de repolho, é recomendado o cultivo em solos com pH entre 6,0 a 6,8; com saturação por bases (V%) entre 70 a 80% e teores de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) superiores a 3,0 cmolc dm-3.

O repolho, assim como as demais espécies de brássicas, é pouco tolerante ao alumínio tóxico no solo (Al3+), o que pode comprometer o seu desenvolvimento radicular e a absorção de água e nutrientes.

Benefícios da boa correção de solo

A maior parte das áreas de produção de brássicas no Brasil apresenta condições de solos ácidos e com elevados teores de Al3+, o que é desfavorável ao cultivo de brássicas. Com isso, o produtor necessitará manejar adequadamente a fertilidade do solo visando alcançar elevado potencial produtivo da cultura.

A calagem do solo é uma prática essencial em grande parte das áreas agrícolas brasileiras. Este processo consiste na aplicação de calcário (carbonato de cálcio e/ou magnésio) ou de outros materiais, como óxidos, hidróxidos e silicatos de cálcio e/ou magnésio, com o objetivo de elevar o pH do solo, fornecer cálcio e magnésio e neutralizar o Al3+ tóxico.  Esta prática apresenta, ainda, vantagens como a melhoria das condições químicas do solo, aumento na disponibilidade de nutrientes, como fósforo e potássio, e aumento da atividade microbiana no solo.

Como consequência, as plantas apresentam maior crescimento do sistema radicular, aumenta a eficiência na absorção de água de nutrientes, o que traz reflexos no acúmulo de biomassa e produtividade.

A gessagem do solo é uma prática complementar à calagem e consiste na aplicação de gesso agrícola (sulfato de cálcio). O gesso agrícola não influencia na correção da acidez do solo, porém, fornece cálcio e enxofre às plantas, inclusive em profundidade. Estes são dois nutrientes muito importantes na produção de repolho e demais espécies de brássicas.

A aplicação de gesso favorece o aprofundamento do sistema radicular e também melhora a eficiência na absorção de água e de nutrientes pelas plantas.

Como implantar a técnica

A realização de calagem e gessagem do solo depende de uma outra importante prática, que é a realização de análise prévia da fertilidade do solo. Com antecedência, o produtor deverá coletar amostras de solo da área nas profundidades de 0-20 cm e de 20-40 cm.

A dose de corretivo a ser aplicada é definida com base nas condições do solo verificadas na análise de fertilidade e visando o alcance do pH ótimo para a cultura do repolho (próximo a 6,5), a elevação dos teores de Ca e de Mg (> 3,0 cmolc dm-3), elevação da saturação por bases (V% = 70 a 80%) e neutralização do Al3+ tóxico (< 0,3 cmolc dm-3).

A escolha dos corretivos deve ser feita com base nos custos de aquisição, valor do frete, e características como a sua composição química, granulometria e reatividade, expressa pelo Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT). Em condições de manejo intensivo de solo, como as áreas de produção de brássicas, o ideal é a opção por corretivos que sejam mais reativos no solo.

Dose certa

As doses de gesso agrícola a serem aplicadas também devem ser calculadas com base nas características do solo, como a textura, saturação por bases (V%) e capacidade de troca catiônica (CTC). 

A dose de gesso agrícola é, normalmente, calculada tendo como base a dose de calcário. É possível substituir até um terço da quantidade recomendada de calcário por gesso agrícola. A aplicação de calcário e de gesso pode ser feita simultaneamente, sem que haja prejuízos na correção da acidez do solo.

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A aplicação do calcário e do gesso pode ser feita a lanço, seguida de incorporação. A distribuição da aplicação precisa ser feita de forma mais uniforme possível, utilizando-se implementos específicos ou adaptados. Para melhor efeito, recomenda-se parcelar a aplicação em duas doses, sendo a primeira incorporada com o uso de arado (50%) e a segunda com a grade (50%).

Para que haja correta reação no solo, os corretivos devem ser aplicados com antecedência mínima de dois a três meses em relação ao transplantio das mudas de repolho.

Direto do campo

Resultados de campo em importantes áreas de produção de brássicas no Brasil apontam melhorias substanciais nas condições do solo com a realização da calagem e gessagem. Foram observados aumentos dos valores de pH, dos teores de nutrientes no solo, inclusive em profundidade, e da saturação por bases (V%).

Houve, ainda, redução dos danos causados pelo alumínio tóxico às raízes. Estas alterações benéficas nas condições do solo também se mostraram vantajosas por reduzirem as perdas causadas pela hérnia das crucíferas (Plasmodiophora brassicae), uma importante doença que ataca lavouras de repolho, couve-flor e brócolis.

Os ganhos em biomassa e produtividade reportados na literatura com a realização da calagem e gessagem são de aproximadamente 70%, comparado às áreas onde estas práticas não são realizadas.

Equívocos

As doses aplicadas precisam ser definidas considerando as reais características do solo. Portanto, a análise química da terra é essencial e deve ser feita de forma prévia à aplicação dos corretivos. A aplicação de superdoses sem critério pode acarretar em problemas de solubilidade de micronutrientes importantes para a cultura do repolho, como o boro, por exemplo.

Outros erros frequentes se dão quanto à ineficaz distribuição e homogeneização no solo e o tempo de espera insatisfatório até o transplantio das mudas. A supervisão dessas etapas por um profissional habilitado reduz as chances de insucesso na aplicação.

Custo e retorno

A calagem e a gessagem são práticas simples, baratas e com excelente custo-benefício. Aliado a isso, também apresentam efeito residual que se estende, geralmente, por dois a três anos, o que proporciona resultados positivos a curto e médio prazo.

A sua realização proporciona melhoria das condições de solo para o desenvolvimento radicular e da planta, aumenta a eficiência na absorção dos adubos aplicados, assim como melhorias na absorção de água. Como consequência, as plantas de repolho aumentarão seu potencial produtivo, gerando maior rentabilidade ao produtor.

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