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quinta-feira, janeiro 27, 2022
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Silicato de cálcio: Mudas de eucalipto livres de toxidez

Autor

Bruno Nicchio
Pós-doutorado PNPD em Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
bruno_nicchio@hotmail.com
Crédito Bruna Souto

A incorporação de metais pesados ao solo em função de ações humanas vem causando poluição dos ecossistemas, o que tem sido cada vez mais comum e causado sérios impactos ambientais.

Este tipo de incorporação pode limitar o crescimento e desenvolvimento do vegetal, pois o excesso de metais pesados (Cr, Cd, Hg, Pb, Cu, Zn, Mn e etc) limita os processos biológicos das plantas, como transpiração, respiração e fotossíntese.

O uso de remediação em solos contaminados visando à recuperação de áreas degradadas é de grande importância. Além da ação antrópica, solos intemperizados, com elevada acidez e pH, apresentam grandes quantidades de metais, tais como Fe, Al e Mn, o que limita o desenvolvimento das plantas.

Medida sustentável

O reflorestamento é uma das técnicas de remediação de solos contaminados. O eucalipto é uma espécie que pode ser utilizada para reflorestamento, entretanto, seu cultivo destaca-se pela produção de biomassa lenhosa com propriedades tecnológicas para a produção de celulose e papel, carvão vegetal, óleos essenciais, madeira sólida para serraria, postes de eletricidade, mourões de cerca, dentre outras.

Mas, o êxito de um reflorestamento depende de diversos fatores, como a qualidade das mudas levadas ao campo. Segundo Duarte & Coelho (2011), nesse contexto surge a necessidade de adoção de práticas culturais que possibilitem melhorias no sistema de produção e que resultem em maiores rendimentos de mudas, sem necessariamente aumentar os custos de produção como, por exemplo, manejando corretamente o uso de fertilizantes por meio do uso de silicato de cálcio na redução da toxidez de metais pesados no solo para Eucalyptus camaldulensis.

A redução da quantidade de metais nos solos também pode remediada por meio de alterações no pH em função das modificações na forma química dos contaminantes, com materiais como calcário, fosfato, óxidos e escórias ricas em silicatos de Ca e Mg.

Nos últimos anos, diversas pesquisas têm sido realizadas com objetivo de avaliar seu efeito na diminuição da mobilidade de metais, já que, além de fornecer nutrientes às plantas (Ca, Mg e Si), estes produtos atuam como corretivos da acidez do solo e amenizam a toxidez de metais no solo.

Ação do silício

Estudos na literatura demonstram efeitos positivos do uso de silício (Si) no aumento da tolerância das plantas à toxidez de Mn, Fe, Cd e Zn. Além de reduzir toxidez de metais, o Si, considerado micronutriente benéfico (Brasil, 2004) no desenvolvimento das plantas, pode proporcionar melhoria de seu estado nutricional, aproveitamento de água, aumentando a resistência da planta ao estresse hídrico e maior controle ao ataque de pragas e doenças em função do acúmulo de Si nos órgãos das plantas.

O Si ocorre na natureza nas formas de sílica e silicatos, não sendo encontrado puro, por isso, um número grande de materiais tem sido utilizado como fonte de Si para as plantas: escórias de siderurgia, wollastonita, subprodutos da produção de fósforo elementar, silicato de cálcio, silicato de sódio, cimento, termofosfato, silicato de magnésio (serpentinito), silicato de potássio e sílica coloidal (Korndorfer et al., 2002; Duarte & Coelho, 2011).

Experimentos de campo mostram que o silicato de cálcio reduz a toxidez de metais pesados em E. camaldulensis, retarda o aparecimento dos sintomas de toxidez e diminui os teores de zinco e cádmio na parte aérea das plantas.

Accioly et al. (2009), ao avaliarem o efeito o efeito do silicato de cálcio na redução da toxidez de metais pesados no solo para Eucalyptus camaldulensis, verificaram que o silicato de cálcio reduziu a toxidez de metais pesados em E. camaldulensis, retardou o aparecimento dos sintomas de toxidez e diminuiu os teores de zinco e cádmio na parte aérea das plantas. Entretanto, não evitou totalmente a depressão no crescimento, nos solos com contaminação elevada.

Mais pesquisas

Duarte & Coelho (2010), ao avaliarem o efeito da aplicação de silício no desenvolvimento em mudas de um clone de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla, verificaram que doses de Si (0, 25, 50, 75 e 100 mg L-1 de silício na solução nutritiva) não interferiram nas variáveis altura e diâmetro, porém, na maior dose de Si houve maior acúmulo de Si nas folhas de eucalipto.

Por outro lado, Navas et al. (2015), ao avaliarem o desenvolvimento de mudas de Eucalyptus urograndis com a aplicação de ferro e de silício, via foliar, verificaram que o Si promoveu incremento em altura de 20%.

Bognola et al. (2011) observaram que que a aplicação dos silicatos, via substrato ou foliar, em mudas de eucalipto, mostrou-se inadequada quando o substrato utilizado apresentou composição básica equilibrada em termos de nutrientes e pH.

Assim, indica-se o uso de silicato como substrato em solos para produção de mudas que ainda não foram corrigidos. Perpetuo et al. (2019), ao avaliarem a aplicação de doses silicato (0, 750, 1500, 3000 e 6000 kg) no desenvolvimento de mudas de eucalipto, verificaram melhores resultados com os maiores valores médios de diâmetro, altura, massa fresca e massa seca de planta com aplicação de 750 kg de silicato de cálcio.

Em mudas

O silicato pode ser utilizado como corretivo do solo/substrato a ser utilizado para produção de mudas e sua recomendação pode seguir o cálculo de calagem. Por isso, é importante conhecer as características do silicato escolhido, pois o produto pode variar muito em função de seu material de origem.

O custo do produto também pode variar também em função do frete. Assim, é sempre importante buscar auxílio técnico e avaliar as condições de produção para tomada de decisão quanto ao uso deste tipo de técnica e manejo.

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