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segunda-feira, julho 4, 2022
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Silício – Alternativa contra déficit hídrico

Brenda Ventura de Lima e Silva

Mestre em Fitopatologia e servidora do IF Goiano ” campus Morrinhos

brendavlima@yahoo.com.br

João Pedro Elias Gondim

Engenheiro agrônomo e mestrando em Olericultura do IF Goiano ” Campus Morrinhos

Rodrigo Vieira da Silva

Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia e professor do IF Goiano ” Campus Morrinhos

 

Crédito Ana Maria Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

A disponibilidade de água no solo é um dos fatores limitantes no desenvolvimento de qualquer vegetal, inclusive na produção de hortifrútis. Portanto, quando o potencial de água no solo reduz abaixo do limite exigido pela planta, ou seja, do ponto de murcha permanente, as raízes não conseguem mais absorver esta água para atender às demandas da transpiração. Portanto, nesta faixa diz-se que a cultura está sob déficit hídrico.

A água é primordial aos processos fisiológicos, morfológicos, bioquímicos e moleculares nas plantas, sendo que a restrição hídrica pode afetar negativamente o seu crescimento e produtividade, comprometendo a integridade da membrana celular e a fotossíntese.

O estresse hídrico pode desencadear modificações morfofisiológicas e bioquímicas na planta, variando de acordo com a espécie, o estádio de desenvolvimento e a intensidade da disponibilidade de água no solo.

Quanto às modificações morfofisiológicas e bioquímicas, as alterações mais comuns são redução da área foliar, fechamento estomático, inibição fotossintética, desestabilização de membranas e proteínas, aumento da produção de espécies reativas de oxigênio, necrose das folhas, abscisão foliar e crescimento do sistema radicular.

O silício promove maior eficiência na absorção de água - Crédito Shutterstock
O silício promove maior eficiência na absorção de água – Crédito Shutterstock

Danos

De modo geral, a redução da disponibilidade hídrica no solo afeta diretamente a produtividade das plantas, incluindo a produção de HF, que pode ser comprometida por ser um grupo de plantas mais sensível quanto à necessidade e disponibilidade hídrica no solo. Em casos severos de déficit hídrico, pode ocorrer até mesmo a senescência de plantas.

Ação do silício

O silício (Si) é o segundo elemento químico mais abundante no solo e, devido a sua afinidade com o oxigênio é encontrado no meio na forma de sílica (SiO2), ou de silicatos, que são ligados quimicamente a outros metais, como os silicatos de cálcio e magnésio, além de estar presente como ácido monossilícico (H4SiO4), a forma solúvel presente na solução do solo e pela qual a planta absorve o Si.

Em vários países, o Si tem sido utilizado como fertilizante. No Brasil, esse elemento foi incluído na Legislação para a Produção e Comercialização de Fertilizantes e Corretivos como micronutriente benéfico, a partir do decreto de lei número 4.954, que regulamenta a lei 6.894 de 16/01/1980, aprovada em 14 de janeiro de 2004.

A presença de maior quantidade de silício disponível no solo parece trazer benefícios à cultura em relação ao déficit hídrico. O acúmulo de sílica na parede celular reduz a perda de água por transpiração, podendo ser um fator de adaptação ao estresse hídrico.

Além disso, o silício promove maior eficiência na absorção de água e, consequentemente, na tolerância às condições de estresse hídrico, melhora a integridade e estabilidade da membrana celular, potencializa a síntese de enzimas antioxidantes relacionadas ao mecanismo de defesa das plantas contra a espécie reativa de oxigênio, fortalece a parede celular das folhas e dos caules ao deixar as plantas mais eretas e aumenta a área de exposição à luz.

Esse nutriente torna as células epidérmicas das folhas mais eretas, o que induz maior absorção de CO2, promovendo aumento na eficiência da fotossíntese e no teor de clorofila. Tal fato ocorre pelo acúmulo de silício na superfície foliar, servindo como uma barreira física e regulador osmótico, o que confere melhor permeabilidade, resultando em células mais túrgidas, com maior resistência mecânica, tornando-as mais tolerantes aos danos causados pelo déficit hídrico.

 

O silício promove o aumento na eficiência da fotossíntese - Crédito Shutterstock
O silício promove o aumento na eficiência da fotossíntese – Crédito Shutterstock

Vantagens para as HF

O silício acumula-se nos tecidos das plantas formando uma dupla camada de sílica-cutícula e sílica-celulose na parede celular, representando cerca de 01 a 100 g por kg da matéria seca do tecido vegetal. Esta camada protetora apresenta relação positiva com a redução da transpiração pela planta, diminuindo a quantidade de água evapotranspirada ao longo do ciclo, tornando a planta menos exigente em água e mais resistente a possíveis situações de seca.

Assim, o fornecimento de Si poderia acarretar maior estabilidade produtiva em razão da maior tolerância ao estresse hídrico.

Manejo

Uma das melhores formas de fornecer silício às plantas é por meio da aplicação dos silicatos, que proporcionam vários outros benefícios, como efeito corretivo no solo, pelo aumento do pH, menores teores tóxicos de alumínio, ferro e manganês, disponibilidade de cálcio, fósforo, magnésio e micronutrientes, aumento de Si solúvel no solo, maior saturação por bases e, consequentemente, baixa saturação por bases por alumínio.

O manejo da aplicação de silicatos não encontra dificuldades, pois é similar a outros métodos empregados na lavoura pelo produtor rural – assim não há restrições ou dificuldades em seu uso. Uma das formas de facilitar o manejo é o produtor estar em contato com o produto e se familiarizar com o mesmo, a fim de conhecer mais sobre a técnica e todo o seu manejo.

Detalhes

A aplicação de Si pode ser realizada antes da implantação da cultura ou depois de seu estabelecimento no campo, contudo, os métodos de aplicação dos silicatos são na forma sólida (pó ou granulado) ou líquida (via solo ou via foliar).

O emprego dos silicatos em pó se dá via incorporação em área total, enquanto os granulados são aplicados nas linhas de plantio, normalmente acompanhados de outros adubos, como os formulados à base de nitrogênio, fósforo e potássio, os tradicionais NPK.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de junho de 2018 da Revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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