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sábado, agosto 13, 2022
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Silício fornece mais resistência a doenças e nematoides

Giovani Belutti Voltolini

giovanibelutti77@hotmail.com

Ricardo Nascimento Lutfala Paulino

Thales Lenzi Costa Nascimento

Graduandos em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), membros do Grupo de estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia (GHPD) e do Núcleo de Estudos em Cafeicultura (NECAF)

 

Créditos Shutterstock
Créditos Shutterstock

As lavouras florestais representam 6,5 milhões de hectares de área plantada em território nacional. Sobretudo, o cultivo das mesmas é afetado por diversos fatores que podem reduzir a produção das lavouras, entre os quais podemos destacar a ocorrência de pragas e doenças, assim como o clima adverso e a baixa fertilidade dos solos brasileiros.

Para suprir as perdas provocadas por esses fatores, a utilização de novas tecnologias se faz necessária. Neste sentido, o uso do silício (Si) vem contribuindo de maneira representativa para a silvicultura, reduzindo a incidência de pragas e doenças e induzindo alguns tipos de resistência a estresses provocados pelas condições climáticas.

Perdas no processo produtivo

As perdas no processo produtivo de cultivos florestais são muito amplas, se estendendo a pragas, doenças, nematoides e estresses climáticos. Entre as pragas, podemos citar principalmente as formigas, o cupim, as lagartas e o psilídeo de concha, que atacam as plantas, e na maioria das vezes causam grandes perdas à produção.

Os fitopatógenos também afetam as culturas florestais, se destacando principalmente a ferrugem, o oídio, a mancha de micosferela e outros fungos que podem provocar o tombamento das plantas, assim como os nematoides, que podem interferir de maneira significativa no desenvolvimento das plantas pela sucção da seiva pelos mesmos.

A interferência nos processos produtivos de espécies florestais também pode estar relacionada com fatores climáticos adversos, como escassez de chuva, temperaturas extremas e vento demasiado.

 

A aplicação de silício contribui para a liberação e maior absorção de fósforo- Créditos Shutterstock
A aplicação de silício contribui para a liberação e maior absorção de fósforo- Créditos Shutterstock

Uso do silício

 

Os insumos constituídos por Si atuam nas plantas com papel semelhante ao desempenhado pelo fungicida. Isso porque sua aplicação promove o surgimento de barreiras sílicas na epiderme foliar, e por meio da interação das barreiras formadas, a atividade dos fungos na folha é reduzida. Assim, a maioria das doenças ocorrentes nestas culturas é influenciada negativamente pela presença de silício nas folhas.

O controle de nematoides é beneficiado por maiores teores de silício no solo, principalmente os juvenis da fase J2. O mesmo é observado em algumas pragas do eucalipto, que pela deposição da sílica na folha desgastam seu aparelho bucal mais facilmente quando atacam as folhas da cultura, deixando-os sem condições de danificar a lavoura posteriormente.

Época de aplicação

A maioria dos solos brasileiros possui baixos níveis de silício disponível para as plantas, o qual se encontra na forma de ácido silícico na solução do solo. Diversos materiais têm sido empregados como fonte deste elemento, sendo os mais comuns as escórias de siderurgia (silicatos de cálcio e de magnésio), termofosfato e silicato de potássio.

Por se tratar de plantas perenes, a funcionalidade do Si nas mesmas pode ser obtida anualmente, sendo que a aplicação na lavoura é recomendada na época das chuvas, entre outubro e março, por ser o período de maior eficiência na absorção deste elemento pela planta.

Funcionalidade do silício na planta

O funcionamento do silício nas plantas é estudado em diversas áreas do Brasil e em diversas culturas. Dessa forma, a partir de alguns estudos e referências nota-se que, pelo fornecimento de silício, aumenta-se a resistência das plantas às doenças por meio da formação de barreiras mecânicas e/ou pelas alterações das respostas químicas da planta ao ataque do parasita, aumentando a formação de toxinas que podem agir como substâncias inibidoras ou repelentes.

Além da barreira física, devido à acumulação na epiderme das folhas, o silício ativa genes envolvidos na produção de compostos secundários do metabolismo, como os polifenóis e enzimas relacionadas com o mecanismo de defesa das plantas. Dessa forma, o aumento de silício nos tecidos vegetais faz com que a resistência das plantas ao ataque do fungo patogênico aumente, devido à produção suplementar de toxinas que podem agir como substâncias inibidoras do patógeno.

Silício reduz a perda de água

O silício é absorvido pelas plantas, porém, ele é distribuído e depositado em diferentes regiões das plantas, dependendo de qual espécie se trata. Observa-se, ainda, que o silício absorvido e depositado na cutícula das folhas, além de oferecer proteção às plantas, pode proporcionar uma redução da transpiração, fato constatado porque o silício se acumula onde há perda de água em grandes quantidades, como a epiderme foliar, junto às células-guarda dos estômatos, formando, então, uma dupla camada sílica, ocorrendo, consequentemente, a redução da transpiração por diminuir a abertura dos estômatos, o que limita a perda de água.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de dezembro 2015/ janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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