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Técnicas para evitar a ocorrência da deriva

Autores

João Pedro Miranda SilvestreGraduando em Agronomia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Isaias dos Santos SilvaMestrando em Agronomia/Fitotecnia – UFLA

Giovani Belutti VoltoliniDoutorando em Agronomia/Fitotecnia – UFLAgiovanibelutti77@hotmail.com

Crédito: Jacto

A agricultura evolui a cada dia no que diz respeito às novas tecnologias utilizadas na cadeia produtiva dos principais alimentos cultivados no Brasil. Nesse sentido, ferramentas que buscam otimizar o sistema de produção, por meio de melhorias na nutrição, sanidade, assim como automatização de diversos constituintes no ambiente de cultivo, fazem com que os índices de produtividade sejam cada vez mais elevados, aliado também à maior facilidade de condução de grandes áreas por um menor número de operadores, em função da maior praticidade acima mencionada.

Dessa forma, salienta-se a grande quantidade e qualidade de novos insumos agrícolas que são utilizados nas diversas culturas cultivadas no País com elevado nível tecnológico, que asseguram grande eficiência dos mesmos na proteção das plantas. Contudo, para que estes produtos alcancem o máximo potencial pertinente à sua tecnologia, o empenho por parte dos agricultores para a utilização de corretas tecnologias de aplicação é primordial para o sucesso da operação.

Assim, destaca-se a grande influência negativa da ocorrência do fenômeno denominado deriva nas aplicações de defensivos e fertilizantes, em que, por meio de interferências externas, que serão à frente detalhadas, o produto pulverizado não atinge o alvo de interesse.

Causas

Existem alguns fatores que favorecem a ocorrência da deriva, como: condições climáticas, o tamanho da gota, tipo de ponta, tipo de produto a ser aplicado, velocidade de lançamento do mesmo, além da parte técnica do operador. A união dos fatores citados deve ser levada em consideração para que ocorra uma boa aplicação, sem perdas, seja por deriva ou evaporação.

O clima tem influência direta na perda do produto por volatilização, principalmente devido à temperatura e incidência do vento. As condições ideais de pulverização são: temperatura em torno de 18 a 25ºC, umidade relativa do ar superior a 60% e velocidade do vento inferior a 10 km/h.

Em relação ao tamanho da gota a ser utilizada, deve-se atentar para o conhecimento do produto a ser aplicado, além das condições ambientais na hora da aplicação, uma vez que o tamanho da gota recomendado varia de acordo com esses dois fatores.

Recomendações

Em uma aplicação de herbicidas pré-emergentes em condições favoráveis, o recomendado pela ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal) é o uso de gotas grossas a muito grossas, mas quando o clima for desfavorável, a aplicação deve ser feita com gotas muito grossas a extremamente grossas.

Este exemplo deixa bem claro que as aplicações não são engessadas, ou seja, cada particularidade em função do tipo de produto a ser utilizado, das condições climáticas no momento da aplicação, além do tipo de equipamento a ser utilizado, vai determinar como será o ajuste correto no momento da aplicação.

Importância das pontas

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As pontas não são únicas, ou seja, cada tipo de ponta produz um tamanho de gota diferente, sendo que as pontas que geram gotas muito finas devem ser evitadas por serem altamente suscetíveis à ocorrência de deriva. Sobretudo, nas pontas que produzem gotas muito grossas a possibilidade de ocorrência de deriva é muito baixa.

Danos pela deriva

As perdas geradas pela deriva são de grande importância, pois podem causar prejuízos, tais como o desperdício na aplicação, uma vez que o vento provoca o desvio do produto para fora do alvo. E também pode provocar sintomas de fitotoxidez nas plantas não alvo atingidas pela deriva.

Na busca por maior eficiência nas aplicações de defensivos agrícolas, a utilização de adjuvantes é muito importante, pois os mesmos alteram a viscosidade da calda e assim as gotas geradas serão maiores, diminuindo o risco de ocorrer evaporação, uma vez que quanto menos viscosa é a calda, maior é a evaporação.

Devido aos grandes prejuízos ocasionados pela deriva, cuidados no momento da aplicação dos defensivos são essenciais para que a aplicação seja realizada da melhor forma, com o máximo de cobertura das plantas-alvo, e assim, garantindo o potencial atribuído ao defensivo utilizado.

Como considerações finais, salienta-se que, com os avanços tecnológicos ligados às tecnologias de aplicação, as perdas por deriva são cada vez menos ocorrentes, de forma que, em algumas aplicações, o volume de calda é baixíssimo, com menos de 100 L de calda por hectare, valor este muito diferente dos 400 L utilizados até pouco tempo.

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