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quinta-feira, janeiro 27, 2022
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Tecnologia para proteção contra fitopatógenos

Marcos Roberto Ribeiro Junior

Engenheiro agrônomo e doutorando em Agronomia/Proteção de Plantas – UNESP

marcos.ribeiro@unesp.br

Daniele Maria do Nascimento

Engenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Proteção de Plantas – UNESP

donascimentodm@gmail.com

Adriana Zanin Kronka

Engenheira agrônoma, doutora em Agronomia/Fitopatologia e docente – UNESP

adriana.kronka@unesp.br

Segundo a Associação Brasileira da Batata, nesses últimos anos a ocorrência de doenças como a canela preta, requeima, pinta preta, sarna comum, fusariose e rizoctoniose tem se destacado nas regiões produtoras, e muitas delas são causadas por patógenos habitantes do solo, inviabilizando totalmente a área de cultivo.

Uma das doenças que se destacam nessa cultura é a murcha bacteriana (Ralstonia solanacearum), ocorrendo nas principais regiões produtoras. Essa bactéria tem potencial para dizimar todo o cultivo.

Ademais, pode condenar a certificação, dada a ocorrência de uma única planta doente em campos de produção de batata-semente. As plantas infectadas apresentam sintomas em qualquer estádio de desenvolvimento, sobretudo nos vasos lenhosos e nos tubérculos, que exsudam pus bacteriano ao serem cortados e pressionados.

Tubérculos doentes, quando colhidos e armazenados, apodrecem rapidamente. A campo, a doença pode ser facilmente diagnosticada: pedaços da haste são suspensos em um copo com água por até quatro minutos. Se ocorrer a saída de um “filete”, que representa a exsudação bacteriana, da haste para a água, já indica a presença da bactéria.

Não se engane

Engana-se que pensa que condições desfavoráveis ao patógeno impedem o desenvolvimento desta doença. Na verdade, a bactéria pode estar infectando a planta mesmo que esta não apresenta sintomas, e seu desenvolvimento é visivelmente comprometido.

A isso chamamos de “infecção latente”. Para entendermos o que leva os tubérculos acometidos pela bactéria a expressarem ou não sintomas, é necessário antes esclarecer que R. solanacearum é classificada em raças (de acordo com o hospedeiro) e biovares (testes laboratoriais), das quais a raça 1 (biovares 1, 3 e 4) e raça 3 (biovar 2) atacam a batateira.

Esta última predomina em regiões de clima temperado (condições desfavoráveis à bactéria) e produz as infecções latentes. A raça 1, por sua vez, ocorre em regiões de clima quente e possui maior capacidade de se manter no solo. Muitas vezes, a presença desse patógeno na área inviabiliza todo o cultivo e o produtor precisa deslocar a cultura para uma nova área.

A podridão mole, causada por espécies de Pectobacterium spp. e Dickeya spp., tem seus sintomas mais acentuados durante o armazenamento, quando a infecção é facilitada por ferimentos decorrentes da colheita e transporte. Os tubérculos apresentam áreas encharcadas de coloração creme, em virtude da destruição da lamela média – uma membrana que une as células vegetais entre si – por enzimas produzidas pelas bactérias.

Com isso, todo o tecido vegetal se desintegra, ocorrendo a exsudação bacteriana. Tubérculos sadios em contato com os infectados rapidamente são afetados e deterioram. Quando essas bactérias atacam a planta em estádio vegetativo, a doença recebe o nome de “canela preta” ou “talo oco”, porque os ramos apresentam um escurecimento no colo. O tecido vascular também se descolore e, nas horas mais quentes do dia, as plantas podem murchar.

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