Trigo aumenta produtividade da soja

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Paula Almeida Nascimento Engenheira agrônoma e doutoranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras  (UFLA)paula.alna@yahoo.com.br

Trigo – Crédito: Shutterstock

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, o trigo está entre os cereais mais produzidos no mundo, juntamente com o arroz e o milho. Devido às condições climáticas e de solo há variedade nas características do grão encontrado e são classificados quanto ao período do ano em que crescem (trigo de inverno ou trigo de primavera) e ao conteúdo de glúten, que é a principal proteína encontrada no trigo.

Assim, o grão do trigo tem cor e tamanho variáveis, mas, geralmente, apresenta formato ovalado com extremidades arredondadas, sendo composto basicamente por três partes: o gérmen (que contém o embrião e nutrientes para o mesmo), a casca (que protege o grão do ataque de insetos, roedores e microrganismos) e o endosperma (estoque de alimento para o embrião).

Já a soja é uma oleaginosa que representa 49% da área plantada com grãos no Brasil, e é uma das fontes de proteína mais utilizadas em rações animais, destinada a aves, suínos e bovinos e com crescente consumo na alimentação humana.

A cultura da soja é essencial para o sistema produtivo. Possibilita a rotação de culturas e o plantio direto na palha, auxilia na fixação biológica de nitrogênio e reciclagem de nutrientes no solo. O grão tem formato arredondado e cor amarela, da mesma família do feijão. A soja é riquíssima em proteínas vegetais, com um perfil de aminoácidos de boa qualidade.

FBN

A fixação biológica do nitrogênio (FBN) é um dos processos mais relevantes que acontecem na natureza por meio das bactérias do gênero Bradyrhizobium sp. Transformam o nitrogênio N2, abundante no ar, em amoníaco, para que as plantas da família das leguminosas, como a soja, possam transformá-lo em proteínas vegetais.

A FBN é um processo simbiótico pelo qual dois organismos, uma planta leguminosa e bactérias do gênero Bradyrhizobium, constituem órgãos comuns chamados nódulos, onde ambos fornecem substâncias essenciais para a vida. As leguminosas fornecem os hidratos de carbono, sumamente importante para os microrganismos, e as bactérias o nitrogênio formador das proteínas, que é fundamental para os vegetais.

Experimento

De acordo com um experimento da Embrapa conduzido no outono/inverno de 2017/18, foram aplicados sete tratamentos: pousio (1); palha de aveia-preta ou de trigo, sem raízes (2 e 3); parcelas com raízes de aveia-preta ou trigo, sem palha (4 e 5); e parcelas com palha e raízes de aveia-preta ou trigo (6 e 7).

O pesquisador da Embrapa Alvadi Balbinot afirma o desempenho da soja foi estimado a partir das variáveis: densidade de plantas; índice de área foliar; teor de clorofila, estimado pelo índice SPAD; matéria seca acumulada, produtividade de grãos e componentes do rendimento.

Experimentos realizados em dois anos registraram aumentos de produtividade de 1.467 kg/ha, 54% maior que as áreas cultivadas após o pousio. A hipótese é que o desempenho se deve às raízes e palhas dos cereais, que permanecem no campo formando matéria orgânica para a cultura seguinte.

As raízes melhoram a qualidade física do solo, favorecendo a infiltração, retenção de água e liberação de nutrientes para as safras subsequentes. A aveia-preta mostrou grande capacidade de produção de matéria seca, gerando boa cobertura para plantio direto, alta ciclagem de nutrientes e supressão de plantas daninhas.

A autoria destes resultados é dos pesquisadores da Embrapa Soja Alvadi Antonio Balbinot Junior, Julio Cezar Franchini dos Santos e Henrique Debiasi; e dos alunos de pós-graduação Antônio Eduardo Coelho, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Moryb Jorge Lima da Costa Sapucay, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Felipe Bratti, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Jorge Luiz Locatelli, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Mais benefícios

Foi comprovado que o sistema de plantio direto na palha apresenta benefícios econômicos e ambientais, quando comparado ao preparo convencional. O pesquisador da Embrapa afirma que os sistemas de cultivo com baixa diversidade de plantas e consequente baixa adição de biomassa são a principal causa da degradação do solo sob plantio direto.

A aveia-preta tem grande capacidade de produção de matéria seca, resultando em cobertura adequada do solo sob plantio direto, alta ciclagem de nutrientes e supressão de plantas daninhas.

As raízes podem melhorar a qualidade física do solo, favorecendo a infiltração e a retenção de água e ainda a liberação de nutrientes para as safras subsequentes. Então, a palha reduz a taxa de evaporação da água no solo, os picos de aquecimento do solo, a infestação de ervas daninhas e a ocorrência de erosão do solo.

No Brasil temos períodos de chuvas e secos, então muitas vezes podem acontecer períodos de veranicos nas lavouras, prejudicando o desenvolvimento das culturas. O déficit hídrico na planta pode ocasionar o estresse hídrico.

As culturas de aveia-preta e trigo beneficiam a produtividade da soja pelos efeitos positivos das palhadas e das raízes. As quais estão associados à redução do estresse hídrico observado durante o período de enchimento dos grãos. E, consequentemente, contribui para maior aeração dos solos e da estrutura.

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