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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Uso de aditivos nos filmes plásticos para melhoria do cultivo protegido

Carlos Reisser Júnior

Doutor em Fitotecnia/Agrometeorologia e pesquisador da Embrapa Clima Temperado

carlos.reisser@embrapa.br

O significativo aumento no uso de filmes plásticos na agricultura iniciou na década de 1950, com a substituição da cobertura do solo com papel por plástico. A partir desta utilização, o crescimento da quantidade deste material para uso agrícola vem crescendo enormemente. O motivo deste crescimento são seus benefícios para a produção, que transformaram regiões sem potencial agrícola, como desertos, em polos da maior expressão, como acontecido em países como Israel e Espanha.

Das várias utilizações, o uso em cobertura de estufas e túneis altos é a técnica que mais está sendo utilizada no mundo. Em 2005, 80% da área coberta com esta técnica se localizava na China, Coréia e Japão e 15% na região Mediterrânea. Neste mesmo ano o consumo de plástico era próximo a um milhão de toneladas por ano e aumentava 15% ao ano no Oriente Médio e África e 30% ao ano, durante 1981 a 2002, na China.

Os filmes plásticos

Os filmes plásticos para cobertura do solo são a segunda técnica mais utilizada, sendo que a China apresenta a maior área coberta, com um crescimento de 25% ao ano para um consumo mundial de plástico, em 2005, ao redor de 700.000 toneladas.

A produção em túneis baixos é a terceira técnica mais utilizada, com um consumo de 170.000 toneladas por ano. Outras utilizações dos plásticos na agricultura são irrigação, cobertura do solo para solarização e esterilização química, embalagem de alimentos e de insumos agrícolas.

Os aditivos

Essa grande evolução veio juntamente com o desenvolvimento de aditivos, os quais proporcionam aos filmes plásticos características de melhoria na forma de sua utilização. Um dos mais importantes aditivos inseridos nos filmes plásticos é o aditivo anti-UV, que proporciona ao filme uma resistência aos fatores degradantes das radiações solares ultravioleta.

A radiação UVB, de comprimento de onda entre 280 ” 315 nm, é a principal responsável pela degradação, descoloração e perda de características mecânicas dos filmes de polietileno de baixa densidade (PEBD).

Outros aditivos não tão utilizados são os que tornam os filmes mais opacos a ondas longas, chamados térmicos, que reduzem a incidência de pragas e doenças pelo bloqueio da radiação UV, os redutores de temperatura, que realizam um sombreamento seletivo somente no comprimento de onda maior, chamado infravermelho próximo (NIR), os fluorescentes (coloridos), que modificam o espectro da radiação, tornando-a mais favorável à fotossíntese, além de outros. Também existem os aditivos que tornam os filmes plásticos biodegradáveis.

Filmes antigotejo

Outro tipo de aditivo bastante utilizado em filmes plásticos para cobertura de ambientes é o ‘antigotejo’, ou seja, aditivos que evitam o gotejamento da água condensada no filme plástico sobre a cultura, assim como o efeito de formação da gota aderida ao filme, o que cria uma sombra indesejada para a cultura.

Essa característica se deve à grande adesão das moléculas de água aos filmes plásticos, o que permite a formação de grandes gotas unidas pelo elevado ângulo de contato ‘α’ e pela elevada tensão superficial da água.

Esse ângulo de contato que determina o tamanho da gota também determina a transmissividade da luz solar, pois quanto maior a gota, maior é a reflexão e o nível de sombreamento.

Causas e consequências

A formação de gotas na superfície dos filmes plásticos tem como consequência a redução da produtividade por redução da radiação solar, principalmente nos meses de menor disponibilidade; por molhar as folhas, com a sua queda, favorecendo o desenvolvimento de doenças criptogâmicas; e por concentrar a radiação solar, devido à forma das gotas que, como lentes, podem gerar danos aos tecidos das plantas.

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Figura 1. Esquema do ângulo de contato ‘α’, sua relação com o tamanho da gota e da transmissão da energia solar por meio de dois tipos de gota.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de fevereiro 2018  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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