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Videira: manejo nutricional em todas as fases fenológicas

Crédito CNA

Amanda Santana Chales
Engenheira agrônoma, mestre e doutoranda em Ciência do Solo – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
amandaachales@gmail.com
Daniel Ricardo Maass Steiner
Engenheiro agrônomo e mestrando em Produção Vegetal/Fitopatologia – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
danielrmsteiner@gmail.com
Fabrício Teixeira de Lima Gomes
Agrônomo e mestrando em Ciência do Solo – UFLA
agro.fabriciogomes@gmail.com

O manejo da adubação em videira é um aspecto de suma importância para o adequado desenvolvimento da frutífera e alcance de altas produtividades. Além disso, o equilíbrio relacionado ao fornecimento de nutrientes no sistema solo-planta garante a nutrição e obtenção de uvas de qualidade.

Ao longo do ciclo da videira, os nutrientes devem ser fornecidos de acordo com os estádios fenológicos da frutífera, tendo em vista que alguns nutrientes são mais exigidos em determinados estádios. Todavia, fatores como o tipo de solo também podem influenciar no manejo da adubação, considerando a dinâmica dos nutrientes.

O primeiro passo para se alcançar um bom manejo nutricional da videira é fazer a amostragem do solo, e posteriormente, a análise química, que demonstrará suas condições de fertilidade. Após, se necessário, deve ser realizada a calagem visando elevar a saturação por bases a 80% e correção do pH do solo para próximo a 6,0, valor ideal para a cultura.

Na formação do vinhedo, é imprescindível a distribuição uniforme do corretivo sobre a área e incorporá-lo o mais profundamente possível.

Manejo de adubação

A videira, por ser uma cultura perene, exige a adubação de plantio, de formação e de produção, sendo que a dose de cada nutriente deve ser aplicada considerando os teores obtidos na análise de solo e a exigência da cultura em cada fase de desenvolvimento.

Na adubação de plantio, devem ser aplicados os fertilizantes minerais fontes de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Além disso, recomenda-se a incorporação de materiais como estercos, que são colocados na cova e misturados com o solo, antes de se fazer o transplantio das mudas.

A adubação de produção é realizada após a primeira poda de frutificação, e a cada ciclo vegetativo os nutrientes devem ser aplicados de forma equilibrada, sempre respeitando as necessidades nutricionais de cada fase fenológica desta cultura.

A recomendação deve ser feita com base na produtividade esperada e nos resultados da análise de solo realizada antes da poda de produção, bem como associada aos resultados da análise foliar e ao desenvolvimento da cultura.

De modo geral, os macro e micronutrientes podem ser fornecidos via adubação mineral, por meio dos fertilizantes, entretanto, ao longo do desenvolvimento da videira, é imprescindível a realização de análise foliar para avaliação do estado nutricional e posterior adubação.

Deve-se considerar a região de produção e as podas que serão realizadas. O uso de plantas de cobertura também pode auxiliar na melhoria do manejo no ambiente de produção das videiras.

 A utilização da adubação foliar também é indicada, principalmente se houver algum desequilíbrio nutricional. Além disso, se o cultivo for feito em sistemas irrigados, pode ser dar por fertirrigação.

Fertirrigação

A fertirrigação está ganhando cada vez mais espaço pelos excelentes resultados para a garantia da qualidade do fruto da videira. No entanto, para que o produtor alcance bons resultados, é necessário entender como a tecnologia funciona e realizar o manejo recomendado.

A fertirrigação consiste na técnica de aplicação de fertilizantes via água de irrigação, uma das maneiras mais eficientes e econômicas de se aplicar os fertilizantes, fornecendo-os em quantidades compatíveis com as necessidades das diferentes fases do ciclo da cultura, aumentando sua produtividade e qualidade.

Os sistemas de irrigação localizada (microaspersão e gotejamento) são os mais indicados para o cultivo da videira. No entanto, para aumentar a eficiência da fertirrigação, é essencial conhecer a qualidade da água, o clima da região, a necessidade hídrica e nutricional da cultura e fazer um levantamento topográfico da área. 

Isso irá permitir um bom dimensionamento do sistema e o uso de equipamentos adequados para atender o projeto.

Direto ao ponto

Todos os fertilizantes necessários ao cultivo da videira podem ser aplicados via água de irrigação. Entretanto, o nitrogênio e o potássio são os mais aplicados via fertirrigação, uma vez que a videira necessita deles em maiores quantidades.

As fontes utilizadas devem apresentar solubilidade, compatibilidade, índice salino e composição que sejam adequados à fertirrigação.

A frequência de aplicação dos fertilizantes irá depender da curva de absorção de nutrientes da planta, do tipo de solo, das condições climáticas, do sistema de irrigação utilizado e do manejo da irrigação.

Os nutrientes devem ser posicionados na profundidade de solo adequada, na qual existe máxima densidade de raízes. Quando a lâmina de irrigação é insuficiente, os nutrientes podem se concentrar próximos à superfície do solo, resultando em menor crescimento das raízes, além de acúmulo de sais no solo.

Por outro lado, a aplicação de uma lâmina de irrigação excessiva pode carrear os nutrientes para uma profundidade fora do alcance das raízes, reduzindo a eficiência da adubação.

Além disso, deve-se considerar o tipo de fertilizante e a mobilidade dos nutrientes no solo. O fósforo, potássio e amônio apresentam baixa mobilidade, ficando concentrados próximos dos emissores, enquanto nitratos e cloretos movimentam-se rapidamente e tendem a se concentrar nas extremidades do bulbo molhado, o que favorece as perdas por lixiviação.

Eficiência

Para a vitivinicultura, o uso da fertirrigação vem demonstrando ser eficiente para a melhoria da qualidade da uva, como por exemplo na acidez total titulável, o que pode proporcionar melhor qualidade dos vinhos produzidos. 

Dessa forma, o manejo adequado da fertirrigação pode proporcionar o fornecimento de água e nutrientes ajustado às necessidades da videira, contribuindo ainda para maior eficiência de uso da água e da adubação, além de participar de maneira efetiva na melhoria da qualidade das uvas e vinhos produzidos.

Custo-benefício

A tomada de decisão sobre a aplicação de um nutriente via fertirrigação deve levar em conta aspectos técnicos e econômicos. O maior custo é proveniente do sistema de irrigação, portanto, se já houver, o investimento será mínimo.

O uso da fertirrigação reduz os custos devido à economia da mão de obra, maquinários, equipamentos e fertilizantes. Além disso, aumenta a eficiência no uso da água, com uma economia de até 30% do consumo.

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