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Abacate margarida é melhor opção

Leticia Rodrigues de OliveiraEngenheira agrônoma – Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos – Unifioleticiaoliveira.agro@gmail.com

Aline Mendes de Sousa GouveiaEngenheira agrônoma, doutora em Agronomia e professora – Unifio aline.gouveia@unifio.edu.br

Veridiana Zocoler de MendonçaEngenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Energia na Agricultura – UNESP/FCAveridianazm@yahoo.com.br

Abacate – Crédito: Shutterstock

Por ser um fruto climatérico com alto índice respiratório, o abacate é considerado um fruto sensível às condições ambientais, no qual sua maturação e posteriormente deterioração podem ser aceleradas quando o fruto é exposto a condições não favoráveis à conservação, o que pode influenciar a sua qualidade e durabilidade pós-colheita.

Portanto, controlar o amadurecimento é algo fundamental para que possa aumentar a vida útil nas prateleiras após a colheita, visando tanto o mercado interno como externo. Por isso, as técnicas de conservação dos frutos possibilitam aos produtores maior capacidade de produção, trazendo maior competitividade tanto no mercado interno quanto externo.

Justamente por essa demanda por frutos de melhor qualidade pós-colheita, uma das cultivares que mais têm sido plantadas no Brasil é a “Margarida”. Essa representatividade da cultivar ocorre porque ela possui maturação tardia, entre os meses de setembro a novembro, o que supre a demanda por abacates nessa época do ano.

Além disso, apresenta tolerância a temperaturas mais baixas e é conhecido por ter maior durabilidade pós-colheita, fator que tem ganhado a preferência de compradores que necessitam transportar os frutos a longas distâncias.

Qualidade pós-colheita de abacate

Um fruto que possui qualidade pós-colheita é aquele que atende a diversas características exigidas para a comercialização, tanto de carácter físico quanto químico. Quanto à qualidade física, temos tamanho de fruto, formato, massa (peso), coloração da casca e ausência de manchas.

Para a qualidade química podemos citar características nutricionais, sabor, aroma, textura e cor da polpa. Tanto as características de qualidade externa quanto internas estão atreladas ao tempo de prateleira do produto.

O que confere essa maior resistência pós-colheita ao abacate Margarida é sua própria genética. A variedade possui características da raça Guatamalense, como folhas novas com cor arroxeada, frutos redondos, caroço pequeno, casca rugosa de espessura grossa, cor da polpa verde clara e sem fibras. 

Essas características conferem ao fruto alta robustez, acarretando elevada resistência a danos físicos e maior manutenção da qualidade física e química, em comparação a outras variedades.

Muitos fatores interferem na qualidade pós-colheita dos frutos, desde a produção das mudas até o acondicionamento dos frutos para a comercialização.

Manejo

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  • Comprar mudas de qualidade é de extrema importância, de forma a garantir todo o potencial produtivo e características de produção e qualidade dos frutos, assim como sanidade às plantas.
  • Apesar de possuir certa resistência frente a variações sazonais que ocorrem no abastecimento de água, o abacateiro precisa de água durante todo o ciclo reprodutivo, por isso, fatores ambientais, tanto precipitação quanto temperatura, interferem significativamente na produção do abacateiro.
  • A temperatura, quando baixa, pode ser letal à planta, e quando alta pode causar o abortamento de flores ou deformações nos frutos. O déficit de água pode atrapalhar a absorção de nutrientes, prejudicando a formação e qualidade de frutos na pós-colheita.
  • O excesso de água, por sua vez, além de prejudicar a polinização das flores, pode favorecer a entrada de doenças fúngicas que irão diminuir a qualidade dos frutos.
  • Não realizar um bom manejo nutricional pode acarretar má formação nos frutos ou impactar no tamanho, coloração, peso, cor da polpa e qualidade nutricional e de sabor, assim como manejos de podas e irrigação.
  • Não realizar o manejo adequado de pragas e doenças pode comprometer a sanidade dos frutos, diminuindo sua qualidade para comercialização.
  • Colher o fruto após seu ponto de colheita pode prejudicar sua qualidade, ainda mais se o fruto for transportado a longas distâncias.
  • Acondicionar os frutos em ambientes inadequados, como lugares sujos, quentes e sem ventilação, sob luz direta do sol pode acelerar consideravelmente sua deterioração.
  • Transportar em embalagens inadequadas e sem cuidado no manuseio pode acarretar danos físicos aos frutos, e em temperatura e umidade relativa do ar não controlada pode acelerar o processo de deterioração.
  • O tratamento fitossanitário dos frutos, normalmente, são feitos em frutos destinados à exportação a fim de combater microrganismos que causam podridão dos frutos. Recomenda-se produtos à base de fungicida, emergir os frutos por dois minutos e em seguida deixá-los secar em temperatura ambiente. É necessário respeitar o período de carência de 15 dias antes da comercialização.
  • Para seleção, deve-se eliminar os frutos com defeitos de má formação, descoloração ou manchas na casca e frutos com polpa mole, devido à queda. Para classificação, separar por tamanho.

Refrigeração

A técnica de conservação mais usual e barata é a refrigeração. Essa técnica desacelera o metabolismo do fruto, retardando seu amadurecimento e, por consequência, sua deterioração, mantendo as qualidades externas e internas do fruto por mais tempo.

Para o abacate, a faixa de temperatura mínima adequada para o armazenamento logo após a colheita fica entre 5º e 12ºC.

Outras tecnologias e manejos têm sido estudadas e empregadas juntamente com a refrigeração, a fim de prolongar ainda mais o tempo de prateleira desses frutos, como o uso de atmosfera modificada e películas comestíveis.

O uso de películas comestíveis possui o mesmo fundamento que o das embalagens. A película serve como uma barreira à troca de gases e perda de água do fruto pelo ambiente. Existem diversas bases de películas comestíveis que podem ser empregadas, como cera de abelha e de carnaúba, a base de goma xantana, entre outras.

Todas essas técnicas, junto à refrigeração, podem retardar o amadurecimento dos frutos, ampliando, assim, sua vida pós-colheita.

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