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Ácidos húmicos e fúlvicos: benefícios ao pimentão

Crédito: Shutterstock

Nilva Teresinha Teixeira
Engenheira agrônoma, doutora e professora de Bioquímica, Nutrição de Plantas e Produção Orgânica – UniPinhal
nilva@unipinhal.edu.br

O pimentão (Capsicum annuum L.) é uma das hortaliças mais ricas em vitamina C e, quando maduro, também é fonte de vitamina A. Ainda fornece sais minerais, como potássio, ferro e fósforo. Possui poucas calorias e contribui com o aporte de fibras na alimentação.

O pimentão é um fruto versátil: é empregado nas mais variadas formas de preparação, sendo uma das hortaliças mais procuradas no mercado e apresentando grande valor em volume comercializado.

Nutrição

Trata-se de cultura importante do ponto de vista econômico: é cultivada, principalmente, por pequenos produtores. Os Estados que mais produzem pimentão no Brasil são Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Pernambuco.

É uma hortaliça exigente em nutrição. Responde bem à adubação orgânica e mineral, sendo exigente em relação aos teores de cálcio e magnésio e pH do solo. A necessidade de calagem é o primeiro aspecto a se considerar e a análise química do solo é fundamental para adequar o solo de plantio às necessidades da cultura.

O pH ideal para a espécie está entre 5,8 e 6,3. Quando o pH está abaixo de tal faixa, é quase certo que os teores de cálcio ou de magnésio e a porcentagem de saturação por bases (V%) estarão aquém da necessidade da cultura, sendo fundamental a prática da calagem. ´

Entre as formas de se calcular a necessidade de calcário tem-se a que emprega a porcentagem de saturação de bases, que visa elevar no solo a níveis que dependem da cultura: para o pimentão é 80%.

Calagem

A equação para cálculo da calagem, usando o método da porcentagem de saturação por bases é dada por:

NC = CTC. (V2 – V1) /10 PRNT

na qual:

NC = Necessidade de calagem, em t ha-1;

CTC (ou T) = Capacidade de troca de cátions do solo expressa em mmolc/dm3 de solo.

V1 = Saturação por bases dada pela análise do solo.

V2 = Saturação por bases que se pretende atingir (que depende da cultura; no caso do pimentão é 80%).

A aplicação do calcário deve ser feita com pelo menos 30 a 40 dias de antecedência ao plantio, utilizando-se o produto finamente moído, com PRNT de 80 a 90%, ou parcialmente calcinado (PRNT de 90 a 100%). Caso seja encontrado apenas o calcário comum (PRNT de 60 a 70%), deve-se incorporar, pelo menos, 60 dias antes da instalação da cultura.

Opções em calcário

Na escolha do calcário, quando o solo se apresentar com baixos níveis de magnésio, deve-se adquirir o de boa quantidade de tal nutriente em sua composição, como os dolomíticos (acima de 12% de MgO): o teor de magnésio mínimo para a cultura é 9,0 mmolc dm-3. Considere que o calcário vai reagir no solo apenas em presença de umidade.

Como toda hortaliça, o pimentão reage bem à adubação orgânica. Assim, é importante fazê-la, o que tem que ocorrer pelo menos 30 – 40 dias do plantio das mudas. Uma das recomendações para a cultura em questão é escolher entre as alternativas:

a) 2,0 – 4,0  kg m-2 de esterco bovino bem curtido;

b) 0,5 a 1,0 kg m-2 de esterco bem curtido de galinha/frango/suínos/ovinos/húmus de minhoca;

c) 0,1 a 0,2 kg m-2 de torta de mamona pré-fermentada.

Nutrição mineral

Em relação à nutrição mineral, o pimentão é exigente, como todas as hortaliças, e a adubação norteia-se nos resultados de análise do solo. Uma possibilidade é a tabela 1.

Em cobertura, aplicar de 80 a 160 kg ha-1 de N; 60 a 100 kg ha-1 de P2O5 e 80 a 160 kg ha-1 de K2O, parcelando-se essas doses totais entre quatro a seis aplicações, em intervalos de 30 – 45 dias.

As quantidades maiores ou menores de nutrientes dependerão da análise de solo, análise foliar, cultivar utilizada e produtividade esperada.

Cálcio

Além da adubação com nitrogênio, fósforo, potássio, zinco e boro, conforme informa a tabela 1, há a preocupação com o cálcio – a sua falta na formação das flores causa queda dos botões florais, má formação das flores e abortamento de frutos, e na frutificação, queda e má formação dos frutos e o fundo preto ou podridão estilar.

Matéria orgânica

Como se referiu, o pimentão reage muito bem à adubação orgânica, fonte de matéria orgânica e nutrientes. Mas, qual a composição da matéria orgânica?

A matéria orgânica compõe-se de dois grupos fundamentais. O primeiro constitui-se de compostos, utilizados geralmente pelos microrganismos como substrato.

O segundo é representado pelas denominadas substâncias húmicas, que são o resultado da ação dos microrganismos presentes no solo, quando temos três frações a humina, os ácidos húmicos e ácidos fúlvicos.

Essas duas últimas frações são bioativas. Os ácidos húmicos são muito complexos, formados por compostos de elevado peso molecular e grande capacidade de troca catiônica. Combina-se com elementos metálicos formando humatos, que podem se precipitar (humatos de cálcio, magnésio, etc.) ou permanecer em dispersão coloidal (humatos de sódio, potássio, amônio, etc.).

Já os ácidos fúlvicos são constituídos, sobretudo, por polissacarídeos, aminoácidos, compostos fenólicos, etc. Apresentam um alto conteúdo de grupos carboxílicos e seu peso molecular é relativamente baixo.

Combina-se com óxidos de Fe, Al, argilas e outros compostos orgânicos. Possuem propriedades redutoras e formam complexos estáveis com Fe, Cu, Ca. Enquanto os ácidos húmicos tem ação predominantemente no solo, os ácidos fúlvicos influenciam mais as plantas. Porém, tais frações agem no solo e nas plantas.

Crédito: Shutterstock

Ação no solo e nas plantas

Os ácidos húmicos e fúlvicos influenciam diretamente a estrutura física, química e microbiológica dos ambientes onde estão presentes, ocorrendo assim uma melhora da estrutura do solo, o que propicia também a retenção de água.

Aumenta a Capacidade de Troca de Cátions (CTC), beneficiando a retenção de nutrientes e o aproveitamento de nutrientes pelas plantas.

Tais ácidos podem afetar diretamente o metabolismo vegetal. São efeitos positivos no transporte de íons, na absorção de nutrientes, na respiração e na velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, resultando assim em maior produção de energia metabólica.

Considera-se que tais substâncias promovem aumento no conteúdo de clorofila, de ácidos nucleicos e de proteínas. Absorvidos pela planta, em etapas do seu desenvolvimento, são uma fonte de polifenóis, que funcionam como catalizadores da respiração.

O resultado é o aumento da atividade metabólica do vegetal; aceleração dos processos enzimáticos e da divisão celular, crescimento mais rápido da raiz e aumento de matéria seca.

O que se pode esperar deles

Então, os ácidos húmicos e fúlvicos, presentes na fração orgânica dos solos, introduzidos ao solo pela decomposição de restos de animais e vegetais, pela adubação orgânica ou formulados contendo ácidos húmicos e fúlvicos, contribuem positivamente para o condicionamento do solo, crescimento e produtividade das plantas, de qualquer espécie, destacando-se as hortaliças, entre as quais está o pimentão.

Em relação ao pimentão, referências na literatura atestam a eficiência da introdução dos referidos ácidos no processo de cultivo, por meio de formulados comerciais contendo ácidos húmicos e ácidos fúlvicos.

Pesquisas mostram que a mistura de tais formulados no substrato melhora a germinação das sementes e propicia mudas mais vigorosas e com sistema radicular com maior volume e massa, garantindo maior sucesso no transplante.

Outras contribuições indicam que a aplicação no transplante via solo proporciona melhor pegamento e ganhos no enraizamento, no desenvolvimento das plantas e na produtividade, inclusive em qualidade.

Estudos com o uso em fertirrigação ou adubação foliar ao longo do ciclo mostram maior floração, pegamento de frutos e aumentos de produtividade e qualidade dos frutos.

Recomendações

O uso, como já se citou, pode ser via solo, como em mistura com o substrato na formação de mudas ou em fertirrigação, no transplante ou ao longo do ciclo, em fertirrigação e via foliar.

As doses dependem da escolha do formulado, ocorrendo indicações para o uso ao longo do ciclo ou apenas na floração e no crescimento. O uso pode ser isolado ou associado aos nutrientes.

 Para se ter sucesso na inclusão dos formulados com ácidos húmicos e fúlvicos nas lavouras, é importante: respeitar a dose, usar a tecnologia de aplicação adequada para a modalidade de aplicação, lembrar que tais produtos não substituem os nutrientes de plantas e, sim, podem potencializar o aproveitamento deles.

É importante, ainda, a consultoria de técnico especializado.

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