Ácidos húmicos proporciona maior desenvolvimento vegetal

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Sylmara SilvaDoutoranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)sylmara-silva@hotmail.com 

Andressa Souza de Oliveira / Carlos Henrique de SouzaGraduandos em Agronomia – UFLA

Alface – Fotos: Shutterstock

Produzir com qualidade, com baixos custos e de forma sustentável são, atualmente, os principais desafios da produção de qualquer espécie de hortaliça. Com a produção de alface não é diferente. A alface é a hortaliça folhosa de maior importância nacional, sendo produzida por pequenos, médios e grandes produtores, nos mais variados sistemas de produção. Grande aliada na busca de uma alimentação saudável, está presente nos mais diversos tipos de salada, tendo como principal atributo ser um alimento de baixo valor calórico.

Apesar de possuir um ciclo bastante curto, podendo variar entre 35 a 60 dias após o transplantio das mudas, a alface é uma hortaliça bastante exigente nutricionalmente. Dessa forma, o manejo adequado da fertilidade do solo está diretamente ligado ao sucesso do processo produtivo, o que torna necessário a busca por estratégias de manejo que sejam mais eficientes em produtividade e causem menor impacto ao meio ambiente.

Substâncias húmicas

Uma estratégia que vem mostrando bons resultados no campo é o uso de substâncias húmicas. Tratam-se de ácidos orgânicos, solúveis em água, presentes em diferentes fontes orgânicas, tais como lignita, leonardita, lodo de esgoto, composto orgânico, turfa e produtos comerciais que estimulam a absorção de nutrientes, principalmente de íons catiônicos. 

Os ácidos húmicos e fúlvicos são os compostos mais importantes das frações húmicas, com relação à reatividade e ocorrência nos ecossistemas. Diversos estudos buscam desvendar como as substâncias húmicas atuam na fisiologia das plantas, resultando em incrementos na produção.

De modo geral, pode-se considerar que as substâncias húmicas aumentam o movimento e absorção de íons, incrementam a respiração e a velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, promovem alta produção de ATP nas células radiculares, aumento nos níveis de clorofila e na síntese de ácidos nucleicos, causam aumento ou redução na atividade de diversas enzimas, além de diminuírem a perda de nitrogênio para a atmosfera, aumentando a disponibilidade para o cultivo.

Benefícios

Os efeitos mais notáveis dos benefícios das substâncias húmicas podem ser observados principalmente nas raízes, seja pelo aumento das ramificações laterais ou pelo incremento de sua biomassa.

Além dos benefícios que as substâncias húmicas causam nas plantas, elas também têm ação direta sobre a estrutura física, química e microbiológica dos solos, melhorando as condições de desenvolvimento do sistema radicular.

Na estrutura física dos solos, as substâncias húmicas promovem maior retenção de água, melhoria da aeração e, por consequência, maior resistência à erosão. As substâncias húmicas também podem atuar na proteção de efeitos tóxicos para as plantas, promovidos pela ação de defensivos, fertilizantes e esterco não-curtido.

A cultura da alface

Na produção de alface, o uso de substâncias húmicas pode se dar tanto na produção de mudas quanto na fase de cultivo a campo. Apesar dos inúmeros benefícios promovidos pelas substâncias húmicas, estas ainda não vêm sendo largamente utilizadas, principalmente entre pequenos produtores.

Na fase de produção de mudas, as substâncias húmicas podem ser utilizadas incorporadas ao substrato, no momento da semeadura ou através de fertirrigação semanal ou quinzenal. 

A dose e a frequência das aplicações devem ser realizadas conforme a recomendação do produto comercial. As substâncias húmicas irão auxiliar principalmente na germinação e estabelecimento de plântulas, além de promover maior desenvolvimento radicular, o que é fundamental para um bom estabelecimento das mudas a campo.

Recomendações

Na produção a campo, as substâncias húmicas podem ser utilizadas via foliar, incorporadas ao solo ou através de fertirrigação. Assim como na produção de mudas, a dose e a frequência das aplicações devem ser realizadas conforme a recomendação do produto comercial. No caso da produção hidropônica, os ácidos húmicos podem ser utilizados incorporados à solução nutritiva padrão, como substância auxiliar.

A tomada de decisão sobre a forma de utilização das substâncias húmicas (via foliar, via solo ou via fertirrigação) deve levar em consideração a rotina da propriedade e o manejo que já vem sendo adotado, a fim de potencializar os resultados, com menores custos.

Custo-benefício

Apesar dos inúmeros relatos na literatura sobre os benefícios das substâncias húmicas e seus impactos positivos na produção de alface, é importante salientar que as vantagens constatadas são variáveis e dependem da resposta da cultivar utilizada, das fontes de substâncias húmicas utilizadas, da concentração, do grau de purificação do material e de todo o manejo utilizado na propriedade, uma vez que o sucesso produtivo engloba diversos fatores. 

Uma alternativa para comprovar o real custo-benefício de uma nova estratégia de manejo é a realização de testes em talhões menores, antes da implantação em todas áreas de cultivo.