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Adjuvantes: benefícios na aplicação de defensivos agrícolas

A aplicação de adjuvantes trazem muitos benefícios antes, durante e após a aplicação dos defensivos. Mas é preciso ter ecrtos cuidados.

Vitor Carvalho Ribeiro de Araújo
Engenheiro agrônomo, doutor em Engenharia Agrícola (FCA/UNESP) e professor de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas – Faculdades Integradas de Bauru-SP (FIB)
vc.araujo@unesp.br

Gustavo Ramos Gomes
Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Tecnologia de Aplicação – FCA/UNESP
gustavoramos.agro@hotmail.com

Os adjuvantes são compostos químicos adicionados à calda de pulverização para aumentar a eficiência de aplicação dos defensivos agrícolas por meio da modificação das propriedades físico-químicas da solução que será pulverizada.

Os adjuvantes minimizam a deriva
Foto: Jacto

Os benefícios da sua utilização na pulverização agrícola estão presentes antes, durante e após a aplicação dos defensivos propriamente dita. Os benefícios na etapa anterior à aplicação compreendem a mitigação de formação de espuma no tanque do pulverizador e a formação de uma calda com maiores chances de compatibilidade física, química e de eficácia biológica.

Durante a aplicação, esses produtos podem reduzir a deriva, elevar a uniformidade de formação do espectro de gotas e aumentar a deposição e penetração dessas gotas no dossel das culturas.

Após a aplicação, eles influenciarão o aumento do espalhamento das gotas, favorecendo a cobertura do alvo, bem como podem ser relevantes na retenção de produtos de contato na superfície foliar ou na absorção e translocação de ingredientes ativos sistêmicos.

No entanto, é necessário conhecer a classificação desse adjuvantes para saber quais são os reais benefícios do uso dos mesmos para seu cultivo.

Como escolher?

Os adjuvantes se diferem uns dos outros de acordo com suas funções e podem ser classificados em:

ð Surfactantes: reduzem a tensão superficial da solução, aumentando a área de contato da gota com a superfície foliar;

ð Espalhantes adesivos: também reduzem a tensão superficial, melhoram a cobertura da pulverização e aumentam a aderência da solução à superfície da planta;

ð Penetrantes: auxiliam na penetração de gotas nos tecidos foliares;

ð Antiespumantes: reduzem a formação de espuma durante o preparo e a agitação da calda de aplicação;

ð Acidificantes: usados para reduzir o pH da solução e prevenir a hidrólise alcalina de alguns defensivos agrícolas;

ð Redutores de pH: reduzem o pH da solução, tornando-a mais ácida, facilitando a absorção de alguns defensivos agrícolas);

ð Agentes anti-deriva: ajudam a reduzir a deriva;

ð Emulsificantes: facilitam a mistura de líquidos imiscíveis;

ð Dispersantes: evitam a aglomeração das partículas através da redução das forças de coesão entre elas, aumentando a uniformidade da calda fitossanitária;

ð Detergentes agrícolas: aumentam a área de contato da gota com a superfície foliar e podem possuir ação umectante e emulsificante.

Eficácia da pulverização agrícola

A eficácia de controle de uma praga, doença ou planta daninha está ligada ao potencial de mortalidade do pesticida. Os adjuvantes terão a função de proteger e contornar algumas adversidades no processo de pulverização para que o defensivo agrícola consiga expressar seu máximo potencial de controle.

Dessa forma, os adjuvantes condicionadores de calda irão atuar ao nível de tanque do pulverizador, sequestrando cátions livres da água, evitando extravasamento de espuma, garantindo a compatibilidade das misturas e adequando o pH da solução para as exigências do ingrediente ativo.

Já os adjuvantes modificadores de calda poderão aumentar a penetração, cobertura, aderência, absorção e translocação desses ingredientes ativos na planta, o que pode ser decisivo para o sucesso do controle fitossanitário.

Cuidados

A seleção e o uso de adjuvantes na pulverização agrícola devem ser realizados com cuidado e atenção a fim de evitar problemas e maximizar a eficácia da aplicação.

O produtor rural precisa estar muito atento, desde o momento da compra do produto, que deve se dar por meio de empresas idôneas e de sua confiança, uma vez que esse é um mercado onde o amadorismo ainda está muito presente.

É importante que o produtor rural e os técnicos de campo saibam não haver adjuvante milagroso, isto é, um produto que desempenhe com êxito todas as funções já discutidas nesse artigo.

Cada adjuvante pode até proporcionar mais de um benefício para a aplicação, porém, sua atuação será limitada a duas ou três funções bem executadas. É preciso saber as necessidades que cada aplicação possui, uma vez que é perfeitamente possível que o uso dos adjuvantes seja desnecessário.

Por exemplo, se o alvo é controlar um inseto minador de folhas, certamente precisará de um adjuvante que irá aumentar a penetração do ingrediente ativo no tecido foliar. No entanto, se o inseticida formulado possuir ação translaminar, não há necessidade de uso do adjuvante.

Portanto, leia a bula dos defensivos agrícolas que serão utilizados na safra, conheça as possíveis pragas que poderão habitar sua lavoura, certifique-se que o adjuvante que está adquirindo atenda sua real necessidade e, em caso de dúvidas, contate um engenheiro agrônomo de sua confiança.

Deriva

Os adjuvantes podem ajudar a minimizar diversos problemas ligados à aplicação de defensivos agrícolas, e um deles é a deriva. Nesse caso, os adjuvantes redutores de deriva atuarão na formação do espectro de gotas da pulverização por meio da redução do percentual de gotas menores que 100 µm, que são extremamente suscetíveis à deriva e também através do aumento da uniformidade de formação dessas gotas.

Além disso, alguns adjuvantes podem atuar reduzindo a evaporação de gotas por meio do aumento do ponto de ebulição da calda. Esses produtos são especialmente importantes para defensivos agrícolas de alta volatilidade.

Sustentabilidade

A seleção e aplicação correta de adjuvantes podem afetar positivamente a sustentabilidade e a rentabilidade da atividade agrícola. O aumento da qualidade e eficiência das aplicações promovidas pelo uso adequado dos adjuvantes pode ser crucial para o sucesso do controle fitossanitário e também para evitar repetições de aplicações mal sucedidas.

O controle eficaz dos insetos-pragas, plantas daninhas e doenças garantirão a produtividade das culturas e a rentabilidade do agricultor. Além disso, ao realizar uma aplicação eficaz, o produtor rural estará isento da necessidade de compra de novos volumes de defensivos agrícolas e dos custos operacionais da reaplicação.

Esses benefícios se traduzem em maior produtividade, qualidade dos produtos agrícolas, rentabilidade, menor entrada de defensivos agrícolas nos sistemas de produção e menor exposição dos trabalhadores ao risco de intoxicação.

Saiba mais

Os adjuvantes são ferramentas-chave para a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, portanto, devem fazer parte de um conjunto de estratégias adotadas para se alcançar o sucesso no controle fitossanitário.

Dessa forma, é essencial a integração desses produtos a outros fatores cruciais para eficiência e eficácia das aplicações. Nesse sentido, o produtor rural também deve estar atento ao uso de pontas de pulverização adequadas à sua necessidade de controle fitossanitário, À correta manutenção e calibração do seu pulverizador, à velocidade de operação da máquina, altura de barra, qualidade da água, entre outros.

 As condições meteorológicas ideais para pulverização (temperatura <30°C, umidade relativa do ar >50% e velocidade do vento entre 3,0 e 10 km h-1)  são um importante parâmetro para orientação dos profissionais responsáveis pela aplicação dos defensivos agrícolas, os quais deverão saber que ao não segui-las estarão assumindo um alto de risco de deriva.

É importante lembrar que o uso de adjuvantes redutores de deriva tem o potencial de mitigar, mas não isentar a ocorrência desse fenômeno, o qual será intensificado em condições meteorológicas desfavoráveis.

Leia a bula dos adjuvantes e pesticidas, adote as boas práticas agrícolas na aplicação dos produtos fitossanitários e faça o uso correto dos equipamentos de proteção individual (EPIs).

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