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Adubação inteligente na couve-flor

Saulo Strazeio CardosoEngenheiro agrônomo, doutor em Agronomia e professor – Faculdades Associadas de Uberabasaulo.cardoso@fazu.br

Marcela Caetano LopesBióloga e doutoranda em Agronomia – FCA/UNESP – Botucatumacaetano20@hotmail.com

Andreza Lopes do Carmo Química e graduanda em Agronomia – Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) – Campus Iturama – andrezalopesdocarmo@hotmail.com

Couve-flor – Fotos: Shutterstock

Pertencente à família das Brassicáceas, a couve-flor (Brassica oleracea var. botrytis), é uma hortaliça que vem sendo cultivada no Brasil durante o ano inteiro, graças aos programas de melhoramento genético, que desenvolveram cultivares e híbridos adaptados à altas temperaturas.

Sua parte comestível é composta por uma inflorescência imatura que pode ter coloração branca, creme, amarela e, mais recentemente, roxa e verde, apresentando alto valor nutritivo, contendo as vitaminas A, B1, B2, B5 e C.

No Brasil, as regiões sudeste e sul são consideradas as principais produtoras da cultura. O tamanho e a qualidade das inflorescências são considerados os aspectos mais importantes a nível de comercialização, sendo influenciados pelo manejo da adubação e pelas condições climáticas, dentre outros fatores.

Adubação fundamental

Dos nutrientes essenciais fornecidos por meio da adubação química, destaca-se o nitrogênio (N), que deve ser fornecido em níveis compatíveis às exigências de cada cultura e ao método de adubação utilizado.

De modo geral, para solos que apresentam uma fertilidade baixa ou média, sugere-se uma aplicação de 150 a 200 kg ha-1 de N, no sulco de transplantio das mudas, e adubação de cobertura aos 15, 30, 45 e 60 dias após o transplante.

O N é o nutriente que mais influencia no desenvolvimento e crescimento das plantas, apresentando função estrutural, participando dos processos de absorção iônica, fotossíntese, respiração, multiplicação e diferenciação celular.

Na couve-flor, a deficiência desse nutriente influencia de forma significativa as variáveis vegetativas da planta, diminuindo o número de folhas, altura das plantas, o diâmetro da haste, área foliar e a matéria seca, além de causar o amarelecimento inicialmente das folhas mais velhas das plantas entre outros sintomas.

Já o excesso de N resulta no atraso do florescimento, aspecto importante a ser considerado para a cultura, que tem como parte comercial a “inflorescência”.

Desafios

Uma das maiores dificuldades na recomendação do N para as plantas está relacionada à sua dinâmica no solo, por se tratar de um elemento muito complexo, em função das várias transformações que o mesmo vem sofrendo, como por exemplo, lixiviação, volatilização, nitrificação, desnitrificação, imobilização e mineralização, alterando assim a sua disponibilidade durante o desenvolvimento da couve-flor.

No Brasil, a ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado, contendo uma concentração de 45% de N, proporcionando um menor custo por unidade do nutriente. Porém, sua aplicação no solo causa uma elevação do pH na região do grânulo do fertilizante no momento da hidrólise, acarretando elevadas perdas desse nutriente por volatilização na forma de amônia, diminuindo a eficiência dos fertilizantes nitrogenados e podendo atingir valores de até 35% do total do N que é aplicado.

Alternativas

Dentre as alternativas para minimizar as perdas desse nutriente está o parcelamento da aplicação, resultando em um maior aproveitamento pelas plantas. Entretanto, o parcelamento nem sempre é a alternativa mais rentável para o produtor, podendo gerar aumento significativo nos gastos com mão de obra.

O fornecimento parcelado de N após o transplantio das mudas de couve-flor promove um crescimento mais vigoroso, influenciando de forma positiva no aumento da produtividade, devido ao maior aproveitamento desse nutriente pelas plantas.

Pesquisas

Estudos realizados por Takeishi; Cecílio Filho (2007), verificaram que o N foi o nutriente mais acumulado pela couve-flor ‘Verona’, com a seguinte ordem decrescente: N>K>Ca>S>P>Mg.

Pôrto (2009), estudando esse mesmo híbrido, verificou um maior acúmulo de N pelas plantas, seguido do K e do P. Estudos demonstram que o N foi o nutriente mais acumulado pela couve-flor, reforçando sua importância para essa cultura.

Sendo assim, várias pesquisas vêm sendo realizadas estudando as melhores estratégias para melhorar a eficiência no uso dos fertilizantes nitrogenados. Dentre elas estão: o uso de inibidores de uréase (NBPT) e de nitrificação, adição de compostos acidificantes e o uso de ureia revestida com polímeros ou gel, gerando os fertilizantes conhecidos como de liberação lenta ou controlada.

Fertilização inteligente

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Os fertilizantes de liberação lenta ou controlada envolvem a nutrição a uma taxa mais lenta que a dos fertilizantes usuais. Portanto, o período de liberação não é bem controlado. Até pouco tempo não havia diferença oficial entre os termos fertilizantes de liberação lenta e controlada.

Segundo Shaviv (2005), o termo de liberação controlada tornou-se aceitável quando os processos de produção se tornaram conhecidos e foram capazes de influenciar a determinação da taxa padrão e os períodos previsíveis para a liberação dos nutrientes nos fertilizantes.

Vantagens e desvantagens

O uso desses fertilizantes pode proporcionar vários benefícios para as plantas de couve-flor, como aumento da produtividade, economia de trabalho em função da diminuição ou até mesmo abolição do número de parcelamentos e redução nos impactos ambientais devido às menores perdas de N por lixiviação.

Esses adubos têm como propósito o fornecimento contínuo de nutrientes, sem excesso ou falta, favorecendo um compartilhamento homogêneo e simultâneo de seus nutrientes. Entretanto, vale ressaltar que a liberação do N depende do período de liberação garantido pelo fabricante e das condições de umidade e temperatura do solo.

Outra vantagem dos fertilizantes nitrogenados de liberação controlada para a cultura da couve-flor está na redução dos danos causados às raízes devido à alta concentração de sais, facilitando assim o manuseio e a redução dos custos de produção.

Como desvantagem, esses fertilizantes apresentam um alto custo, necessitando de dosagens adequadas e às vezes, de altas temperaturas, caso se deseje uma liberação mais rápida.

Quanto custa?

O custo dos fertilizantes nitrogenados de liberação controlada varia de acordo com a região, podendo ser de 1,5 a 10 vezes a mais que a ureia convencional. Assim, o maior custo com a compra desses fertilizantes é facilmente compensado pela redução com a adubação e ganhos na produção da couve-flor.

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