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Adubo orgânico e seu uso na agricultura de larga escala

O adubo orgânico está conquistando a agricultura de larga escala, promovendo solos saudáveis e colheitas sustentáveis.

Fabio Olivieri de Nobile
Doutor e professor de Fertilidade do Solo – Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (UNIFEB)
fabio.nobile@unifeb.edu.br

Cesar Martorelli Silveira
Engenheiro agrônomo, doutor em Produção Vegetal e professor – Colégio Técnico Agrícola (Unesp), campus de Jaboticabal
cesar.silveira@unifeb.edu.br

Os desafios quanto à produção de alimentos para o mundo são, cada dia mais, destacados como entraves econômicos da vida moderna. Escassez de terra agricultável e insumos que sustentem o aumento exponencial da produção são alguns dos obstáculos que encontramos no campo que influenciam na demanda por alimento.

A adoção de novas tecnologias, bem como práticas de manejo alternativas, são pontos que visam a diminuição de custos das lavouras e maior aproveitamento dos insumos.

Adubação orgânica

A adubação orgânica é uma alternativa para aumentar a fertilidade do solo e mantê-lo em boas condições. Ela oferece melhorias biológicas, químicas e físicas.

Um dos fatores que interferem na fertilidade é a perda da matéria orgânica do solo (MOS), que pode ocorrer pelo manejo inadequado, como adoção de plantio conservacionista em substituição ao plantio direto.

A matéria orgânica é um indicador de qualidade do solo: melhora a estrutura física dele, evitando erosões. Sem contar que ela melhora o teor de umidade, fornece nutrientes como nitrogênio, fósforo e enxofre, aumenta a CTC do solo pela retenção de cálcio, magnésio e potássio e atua na retenção de carbono da atmosfera, que será usado nas atividades metabólicas dos microrganismos.

É importante destacar também que a matéria orgânica permite a manutenção da vida da micro e mesofauna do solo, o que está diretamente vinculado à fertilidade deste.

Isso porque os seres vivos contidos no solo são a ele integrados, participando ativamente das reações que o modificam e o constituem. Fatores como mobilização de nutrientes, estrutura física do solo, bem como fixação de nitrogênio, ilustram essa importância, vinculando estes microrganismos às características pedológicas do solo em que estão inseridos.

Composição do solo

Nobile (2021) afirma a importância da matéria orgânica quanto à melhoria das propriedades químicas e físicas do solo, uma vez que promove o aumento da agregação do solo, permitindo ainda a fixação de elementos tóxicos, os quais poderiam resultar em impactos ambientais.

A adubação orgânica aumenta os nutrientes no solo, facilita a absorção de água, contribui para o melhoramento da estrutura e diminuição do depósito de fósforo.

Outra vantagem é que na compostagem reciclam-se resíduos sólidos municipais urbanos de origem orgânica. Também é possível reciclar tais resíduos dispostos conjuntamente com lodo gerado em estações de tratamento de esgotos domésticos, minimizando, assim, o lixo produzido.

Além disso, ainda há diminuição da quantidade de restos orgânicos e dos chorumes (que infiltram o solo, atingindo as águas subterrâneas).

Conversão da fertilidade

Não há efeito prejudicial imediato ou a longo prazo no uso para as plantas ou solo. Na verdade, fertilizantes orgânicos podem converter o solo pobre em solo fértil, aumentando a capacidade dos solos de manter água e nutrientes.

São os mais indicados, pois além dos benefícios ao solo, são os responsáveis por aumentar a resistência das plantas, evitando o aparecimento de pragas e doenças.

A agricultura orgânica está evoluindo ao ponto que a produção em grande escala começa a ser possível no Brasil. Em 2022, a venda de produtos orgânicos teve crescimento de mais de 50% no Brasil, que vem se consolidando como um grande produtor e exportador de alimentos deste tipo.

No início da produção orgânica, existia uma limitação em termos de tecnologia de produção e conhecimento. No entanto, com o aumento da disponibilidade de tecnologias, já se torna possível mapear e prever problemas pontuais e se antever em relação a problemas potenciais.

Opções de produtos biológicos, diferentes tipos de adubos (nutrição) e número de ferramentas têm se expandido. Ainda existem limitações, mas o setor tem sinalizado positivamente que a demanda existe e a oferta está aumentando aos poucos, com o uso de tecnologias e novos estudos.

Evolução da agricultura

A agricultura orgânica era muito ligada à agricultura familiar, porque dependia muito de mão de obra. Grandes produtores não costumam ter número de funcionários em escala. Com a mecanização das operações dentro do orgânico, essa adesão por parte dos grandes produtores se torna cada vez mais comum.

Hoje, observa-se até o controle de plantas daninhas, que é uma das maiores dificuldades dentro do sistema orgânico de produção em termos de escala, passando a não ser um desafio como antes, com o uso de tecnologias para um controle automatizado.

O custo de produção agrícola é uma excepcional ferramenta de controle e gerenciamento das atividades produtivas e de geração de importantes informações para subsidiar as tomadas de decisões pelos produtores rurais e, também, de formulação de estratégias pelo setor público.

Para administrar com eficiência e eficácia uma unidade produtiva agrícola, é imprescindível, dentre outras variáveis, o domínio da tecnologia e do conhecimento dos resultados dos gastos com os insumos e serviços em cada fase produtiva da lavoura, que tem no custo um indicador importante das escolhas do produtor.

Como a adubação orgânica pode substituir, parcial ou até completamente, a adubação comum, o produtor que opta por utilizar o composto consegue obter uma redução significativa em seus custos de produção.

Além da vantagem econômica, o fertilizante produzido por meio de compostagem também apresenta benefício ambiental. Esta característica sustentável se deve à reciclagem de matéria orgânica e nutrientes que o produtor realiza, e de outra maneira seriam desperdiçados.

Comparativo de custos

Apresentamos a seguir uma comparação entre o sistema convencional de nutrição química e a adubação verde no sistema orgânico.

Fertilizantes químicos (ureia): o custo da ureia é de R$ 1.500 por tonelada, sendo que esta possui 43% de nitrogênio em sua composição. Portanto, o custo do quilo de nitrogênio é de R$ 3,48. Considerando as perdas da ordem de 50%, o custo do quilo do nitrogênio efetivamente fixado fica em R$ 6,96. A liberação do nitrogênio é imediata.

Adubação verde (feijão-de-porco): o custo do saco de 20 kg de sementes orgânicas de feijão-de-porco é de R$ 180,00, sendo que 20 kg de sementes produzem 55,33 kg de nitrogênio. O custo do nitrogênio por quilo fica, portanto, em R$ 3,25.

Considerando as perdas da ordem de 12%, o custo do nitrogênio por quilo fica em R$ 3,64. A liberação ocorre de forma gradual, sendo 35% no primeiro ano e o restante nos dois anos seguintes.

Portanto, custo de N originário da ureia é de 1,84 vezes superior ao do feijão-de-porco, considerando a totalidade do nitrogênio demandado pela cultura. Mesmo considerando apenas a parcela liberada no primeiro ano – ficando o restante do nutriente disponível para culturas dos anos seguintes – o N gerado pela fitomassa do feijão-de-porco ainda é mais econômico do que o da ureia, ao levarmos em conta os benefícios da adubação verde.

Mitos e verdades

Podemos listar os cinco principais erros relacionados ao uso de fertilizantes orgânicos:

  1. Fazer a adubação das culturas sem ter em mãos a análise de solo: a análise de solo é o laudo técnico que permite saber como está a condição química do solo, pH, saturação por alumínio e por bases, teor dos nutrientes e a relação entre estes, e que guiará para uma correta avaliação da fertilidade do solo, com recomendação da adubação orgânica.
  • pH do solo: não corrigir o pH do solo na faixa considerada ideal para as culturas e esperar que os nutrientes aplicados sejam absorvidos. O pH do solo é fundamental para a disponibilidade de nutrientes às plantas e mineralização da matéria orgânica. Cada nutriente tem um comportamento específico em função do pH do solo.
  • Escolha do fertilizante: aplicar o mesmo fertilizante e a mesma dose em todas as glebas da propriedade. É um erro crucial utilizar a mesma dose em todas as glebas da propriedade. Certamente o teor de argila, matéria orgânica, pH, P e K são diferentes nas diferentes glebas da propriedade, portanto, a necessidade de aplicação de N, P e K é diferente.
  • Integração do processo: não realizar o manejo da adubação pensando na rotação de culturas e no sistema de cultivo. Quando manejamos a adubação orgânica pensando no sistema, podemos adubar a cultura atual e essa ciclar os nutrientes para a cultura subsequente por meio dos restos. Para isso, o planejamento da lavoura, a rotação de culturas e a integração de sistemas é fundamental.
  • Adubação com baixo (ou nenhum) respaldo técnico: tais erros podem estar ligados à baixa recorrência na busca por apoio técnico, ou seja, o auxílio de um engenheiro agrônomo pode ocorrer somente na semeadura (por opção do agricultor) ou a amostragem de solo pode ocorrer em espaços de tempo muito grandes ou de forma incorreta (não mostrando a real necessidade do solo), etc.

Portanto, o adubo orgânico ou adubação orgânica são todos aqueles produtos provenientes de resíduos de origem vegetal, urbano ou industrial e animal, que possuam altos teores de componentes orgânicos.

Mais que vantagens

Além do ganho econômico para o produtor, para o solo há muitas vantagens, melhorando as propriedades, físicas, químicas e biológicas. Assim, as plantas irão absorver facilmente os nutrientes disponíveis em um solo orgânico, sem produtos químicos, que podem prejudicar o meio ambiente e comprometer o solo e as plantas.

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