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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Aminoácido é aliado no controle das viroses da melancia

 

Fernando Simoni Bacilieri

Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Agronomia na Universidade Federal de Uberlândia ” UFU

ferbacilieri@zipmail.com.br

Roberta Camargos de Oliveira

Engenheira agrônoma e doutora em Agronomia ” UFU

robertacamargoss@gmail.com

José Geraldo Mageste

Professor e doutor ” UFU

jgmageste@ufu.br

 

Créditos Shutterstock
Créditos Shutterstock

A melancia (Citrulluslanatus (Thunb.) Matsum&nakai) pertence à família das cucurbitáceas, é uma planta anual, de crescimento rasteiro, com várias ramificações que podem alcançam até cinco metros de comprimento, com seu centro de origem no continente africano, mas sendo atualmente cultivada em vários países do mundo.

No Brasil, a melancia pode ser cultivada praticamente o ano todo e os Estados de SP, RS, TO, GO e BA destacam-se pelas maiores áreas plantadas. Nas épocas chuvosas há maior dificuldade no controle de pragas e doenças que impactam no custo de produção, na qualidade e produtividade das lavouras.

Como qualquer outra cultura, para crescer e se desenvolver bem a melancieira necessita de nutrientes, luz, CO2 e, principalmente, água, que representa mais de 90% da composição dos frutos. Além disso, fatores como clima, temperatura, umidade relativa e solos devem ser favoráveis para que as plantas não entrem em situação de estresse.

Influência

O estresse de plantas pode ser definido como um fator externo que exerça uma influência desvantajosa para a planta. Quanto à origem, são classificados como bióticos ou abióticos, sendo que a duração e intensidade do estresse serão determinantes nos processos fisiológicos que podem ser comprometidos nas plantas.

Como exemplo de estresse biótico que acomete a cultura da melancia podemos citar as viroses, dentre elas o vírus da mancha anelar do mamoeiro, estirpe melancia (Papayaringspotvirus ” typewatermelon, PRSV), vírus do mosaico da melancia (Watermelonmosaicvirus – WMV), vírus do mosaico do pepino (Cucumbermosaicvirus ” CMV), vírus do mosaico amarelo da abobrinha de moita (Zucchiniyellowmosaicvirus ” ZYMV), vírus do mosaico da abóbora (Squash mosaicvirus ” SqMV) e a clorose letal da abobrinha de moita (Zucchinilethalchlorosisvirus ” ZLCV).

A nutrição de plantas determina, em grande escala, sua resistência ou suscetibilidade à doença e a habilidade de patógenos causarem doença. Os nutrientes interagem como a parte do componente ambiental, e a nutrição da planta, embora frequentemente não reconhecida, sempre foi um componente do controle de doenças.

O manejo do estado fisiológico e nutricional é fator crucial para a obtenção de produtividade e qualidade, uma vez que os nutrientes desempenham a funções importantes na ativação e expressão da capacidade genética das plantas, com atuação na composição química, morfologia e fisiologia das plantas.

Uma prática amplamente utilizada na agricultura moderna que está dentro de um manejo fisiológico da cultura da melancia para favorecer o desenvolvimento das plantas, aumentar a tolerância ao estresse e promover incrementos na produtividade é o uso de produtos formulados a base de aminoácidos.

Os aminoácidos funcionam como um complemento de adubação mineral, pois são absorvidos tanto via raízes como pelas folhas e agem diretamente nas plantas, sendo incorporados ao metabolismo com considerável economia de energia.

O aminoácido atua como barreira física ao ataque de vetores de viroses
O aminoácido atua como barreira física ao ataque de vetores de viroses ” Créditos Shutterstock

Contra viroses

Não existem medidas de controle curativas para plantas afetadas por viroses. Uma vez que as plantas estão infectadas, não há como reverter o processo. Sendo assim, o manejo de viroses na melancia deve ser sempre de forma preventiva, visando à proteção das plantas antes da ocorrência da doença.

Os aminoácidos não devem ser aplicados com o objetivo de controlar viroses na melancia. As melhores ferramentas para controle são a resistência genética, optar por plantio em épocas de menor ocorrência de vetores, controle de ervas daninhas hospedeiras alternativas de vetores, rotação de cultura com espécies não cucurbitáceas, eliminação de plantas com sintomas, estabelecer barreiras, como quebra-ventos, que dificultem a migração de vetores dentro da lavoura e o uso de inseticidas recomendados para a cultura como forma de controlar os vetores (pulgões, tripes, mosca-branca, etc.).

Quando aplicar

Uma função já conhecida dos aminoácidos é seu efeito quelante sobre nutrientes e algumas moléculas, favorecendo a entrada destes compostos pela cutícula das folhas, que é a primeira barreira para a absorção foliar. A associação de inseticidas aos aminoácidos pode aumentar a eficiência no controle de vetores e proteger as plantas contra as viroses por um período maior de tempo.

Os produtores devem ficar atentos em relação à possibilidade de mistura dos produtos como aminoácidos x agroquímicos, e em caso de dúvidas fazer uma pré-mistura para verificar se existem incompatibilidades.

As utilizações de produtos com os aminoácidos fenilalanina e metionina podem proporcionar uma maior síntese de lignina para as plantas, que é um composto do sistema estrutural da parede celular e atua como barreira física ao ataque de vetores de viroses.

Obstáculos

Uma grande dificuldade dos agricultores para utilização correta de produtos compostos por aminoácidos é que no rótulo destes produtos não existem informações referentes às quais aminoácidos estão presentes, bem como a concentração de cada um deles. O ideal seria que cada produto tivesse um aminograma para facilitar a escolha e utilização do produto com os aminoácidos mais adequados para cada situação.

Opções

A dose recomendada e o número de aplicações durante o ciclo da melancia vão variar em função do produto. Existem várias opções à disposição dos produtores, que devem seguir a recomendação dos técnicos e dos fabricantes e verificarem os resultados das aplicações sobre os aspectos de qualidade e produtividade das lavouras.

Os produtores devem dar preferência a empresas idôneas e tradicionais do mercado, para obtenção de resultados satisfatórios.

Essa matéria você encontra na edição de janeiro 2018  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

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