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Controle da septoriose em tomate rasteiro

Giancarlo Couto da Costa

Engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor

giancarlocouto@yahoo.com.br

Crédito Giancarlo Couto
Crédito Giancarlo Couto

A ocorrência da septoriose, ou mancha-de-septória, nos últimos anos tem aumentado em campos de produção de tomate rasteiro no Brasil. A doença é causada pelo fungo Septorialycopersici, e ocorre praticamente em todas as regiões produtoras de tomate do mundo, sendo mais comum em épocas quentes e chuvosas.

A septoriose pode ser confundida com outras doenças, principalmente com a pinta-preta, quando as lesões ainda não estão totalmente desenvolvidas.A doença provoca perdas devido à destruição progressiva da folhagem que, além de reduzir a área foliar responsável pela fotossíntese, ocasiona impacto negativo na produção de frutos e os expõe à queimadura de sol.

Os sintomas iniciais são observados nas folhas mais velhas, geralmente por ocasião da formação do primeiro cacho, por meio de numerosas manchas circulares a elípticas, de 02a 03mm de diâmetro, com as bordas escurecidas e o centro cor de palha, onde podem ser visualizadas pontuações escuras correspondentes às frutificações do patógeno.

Quando as condições climáticas são muito favoráveis e a cultivar bastante suscetível, as lesões podem atingir 05mm ou mais de diâmetro, sendo então mais facilmente confundida com lesões de outra doença, como a pinta-preta.

Geralmente, observa-se a presença de um halo amarelo estreito circundando as lesões. As manchas frequentemente coalescem e provocam crestamento, queima intensa das folhas baixeiras (queima da saia) e desfolha das plantas. Ataques severos provocam também lesões nas hastes, pedúnculo e cálice, sendo que nestes órgãos são geralmente menores e mais escuras.

 

Crédito Giancarlo Couto
Crédito Giancarlo Couto

Condições propícias para o surgimento

As principais fontes de inóculo do patógeno são as sementes, soqueiras, plantas voluntárias, restos de cultura, estacas já utilizadas em lavouras anteriores, e outras espécies de solanáceas, como berinjela, jiló e solanáceas invasoras. Quando transmitida pela semente, a infecção pode começar nas folhas cotiledonares e dali ser dispersa para outras partes da planta.

Em condições de alta umidade, os conídios são liberados dos picnídios. Estes são disseminados por respingos de água (impacto da gota d’água), proporcionados principalmente pelas chuvas e pelas irrigações por aspersão.

A disseminação na lavoura também pode ser feita por trabalhadores, implementos, insetos e pássaros, movendo-se pelas plantas úmidas. Após a germinação do conídio, o fungo penetra na planta através dos estômatos e os sintomas iniciais aparecem em seis dias.

Os picnídios surgem após 14 dias da infecção. As temperaturas ótimas para ocorrência de epidemias da doença estão entre 20 e 25ºC. Assim, longos períodos de temperaturas amenas, alta umidade relativa, chuvas abundantes ou irrigação por aspersão constituem condições favoráveis para o desenvolvimento da doença.

A incidência é mais séria nos cultivos feitos durante o período quente e chuvoso do ano, porém, ataques severos podem ocorrer também no período seco, desde que a irrigação seja exagerada.

 As aplicações devem ser feitasno aparecimento dos primeiros sintomas - Crédito Hellen Geórgia
As aplicações devem ser feitasno aparecimento dos primeiros sintomas – Crédito Hellen Geórgia

Medidas de controle

Após detectados os sintomas da doença, as medidas de controle irão reduzir a agressividade da mesma, porém, as perdas na produtividade serão inevitáveis, podendo chegar a mais de 30%.

O controle da septoriose é realizado comumente com a aplicação foliar de fungicidas de contato e sistêmicos, muitas vezes já utilizados no controle da pinta-preta (Alternariasp.) e da requeima (Phytophthorainfestans).

Os fungicidas de contato apresentam menor eficiência que os sistêmicos por serem facilmente removidos pela água da chuva ou irrigações por aspersão. Atualmente, existem muitos fungicidas registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para o controle da doença, como cúpricos, triazóis, isoftalonitrila, ditiocarbamatos e estrubirulinas.

As aplicações devem ser iniciadas logo após o aparecimento dos primeiros sintomas, e devem ser repetidas em intervalos de sete a 14 dias. Atualmente,não existem cultivares ou híbridos comerciais de tomate disponíveis comercialmente com níveis satisfatórios de resistência.

Outros métodos de controle utilizados de forma preventiva com a finalidade de reduzir fontes de inóculo inicial são a rotação de culturas com plantas nãosolanáceas, destruição ou remoção de restos culturais de tomate e outras solanáceas ou plantas daninhas hospedeiras logo após a colheita, além do plantio de sementes e mudas livresdopatógeno.

Se constatada a infecção de mudas no viveiro, estas devem ser eliminadas. Evitar irrigação por aspersão, pois propicia condição favorável aÌ€ infecção, e caso não seja possível, realizá-la pela manhã, para permitir a secagem das folhas antes do anoitecer.

Evitar os tratos culturais na lavoura quando as folhas estiverem molhadas. A adubação equilibrada também contribui para a redução da doença, pois possibilita à planta uma maior resistência.

O custo de uma aplicação de produto sistêmico está em torno de R$50,00 a R$60,00 por hectare.Por fim, é muito importante o acompanhamento de um agrônomo para definir o exato momento de aplicação, podendo assim minimizar as perdas na produção.

Essa matéria você encontra na edição de novembro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

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