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Batata-doce: Cultivo, produtividade e rentabilidade

Batata-doce – Foto: Shutterstock

A batata-doce (Ipomoea batatas L.) é originária das Américas Central e Sul. Seu consumo é relatado há mais de dez mil anos em cavernas no Peru. A cultura pertence à família Convolvulaceae, que engloba mais de 1.000 espécies, porém, somente o cultivo da batata-doce tem expressividade econômica.

Apesar do nome, esta espécie não pertence ao gênero e família da batata convencional (Solanum tuberosum), apenas à mesma ordem.

Importância

A batata-doce é cultivada em 111 países, sendo que aproximadamente 90% da produção é obtida na Ásia, apenas 5% na África e 5% no restante do mundo. Apenas 2% da produção estão em países industrializados como os Estados Unidos e Japão. A China é o país que mais produz, com 100 milhões de toneladas (Woolfe, 1992; FAO, 2001)

No Brasil, ela ocupa o sexto lugar entre as hortaliças mais plantadas, com área aproximada dos 48.000 hectares e produção anual estimada em 500.000 toneladas. A cultura é bem disseminada no País, com destaque para as regiões sul e nordeste (Pernambuco e Paraíba). É típica de climas tropicais e subtropicais, de baixo custo, com ciclo rápido, fácil manutenção e comercialização.

Além de rústica, a batata-doce apresenta boa resistência à seca e ampla adaptação. É uma espécie perene, cultivada anualmente, pois com aproximadamente 3 meses já pode ser colhida. O tubérculo armazena reservas nutritivas nas raízes, possui grande potencial alimentício e industrial, sendo rica nas vitaminas A, C e principalmente em carboidratos.

Além disso, apresenta resistência a pragas, tem pouca resposta à aplicação de fertilizantes e se desenvolve bem em solos degradados, justificando a sua rusticidade.

Em números

No Brasil, o investimento na cultura de batata-doce é muito baixo, e o principal argumento contrário ao investimento em tecnologia é que a lucratividade da cultura é baixa. Isso decorre do pequeno volume individual de produção, ou seja, os produtores ainda tendem a cultivar a batata-doce como cultura marginal, com o raciocínio de que, gastando-se o mínimo, qualquer que seja a produção da cultura constitui um ganho extra. Dessa forma, é obtido um produto de baixa qualidade que sofre restrições na comercialização, tanto por parte dos atacadistas, que tendem a reduzir o preço, quanto por parte do consumidor, que refuga parte do produto exposto à venda.

Ao se comparar os custos de produção e os índices de produtividade, percebe-se que uma questão básica é a falta de determinação, por parte do produtor, em pesquisar mercados e descobrir oportunidades de estabelecer compromissos de produção com alta qualidade, para ter um canal seguro de comercialização, com possível regularidade de uma produção programada.

A produtividade média brasileira é menor que 10 t/ha (500 caixas/ha), enquanto que, utilizando-se apenas cerca de US$ 1.300, que é o custo médio para adotar um sistema tecnológico acessível a qualquer nível de produtor, obtém-se a produtividade de 22 t/ha (1.100 caixas/ha).

Considerando o preço médio de R$ 30,00 por caixa (Ceasa Grande ABC – Cotação 13/02/2020), estima-se o retorno do triplo do capital investido em quatro ou cinco meses, o que raramente se obtém em outra atividade produtiva. Além do bom nível de retorno econômico, o uso da tecnologia resulta na melhoria substancial da qualidade do produto, melhorando a sua aceitação e aumentando o poder de barganha no momento da comercialização.

Fontes:

ESALQ/USP – Casa do Produtor

Embrapa Hortaliças

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