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Biológico: solução para cafeeiro estressado

A forma de prevenir e recuperar um cafeeiro estressado é com o uso de produtos biológicos que auxiliam no manejo de pragas e doenças, na nutrição das plantas e na melhoria do solo

Crédito: Embrapa

Marina Scalioni Vilela
Engenheira agrônoma, mestra e doutora em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
marinasv3p@gmail.com
Alisson André Vicente Campos
Engenheiro agrônomo, doutorando em Fitotecnia – UFLA e coordenador de Pesquisa – Fronterra
alisson.campos@yahoo.com.br
Túlio de Paula Pires
Engenheiro agrônomo e coordenador de Pesquisa – Fronterra
tuliopiresagro@gmail.com

O cafeeiro é uma planta que apresenta ciclo perene, acarretando muitas vezes alguns sintomas de estresse oriundos tanto de safras passadas, como uma desfolha mais intensa em decorrência de ferrugem ou mesmo bicho mineiro.

Quando as desfolhas ou seca de ponteiros são observados em reboleiras, podem ser indicativos de área com presença de nematoides, levando as plantas a apresentarem também sintomas de deficiência nutricional pelo comprometimento do sistema radicular.

Por outro lado, algumas injúrias são causadas por fatores abióticos, como alta incidência luminosa (escaldadura), déficit hídrico, temperaturas baixas ou elevadas. Normalmente, os efeitos do déficit hídrico são facilmente observáveis na planta pela murcha das folhas, com atenção para que as mesmas não atinjam ponto de murcha permanente, levando à sua senescência.

Todos esses estresses, somados, prejudicam a produtividade do cafeeiro, além de influenciarem negativamente na qualidade da bebida.

Estresse x produtividade dos cafeeiros

Qualquer dano às plantas causado por estresse pode facilitar a disseminação de fungos ou bactérias patogênicas, e assim comprometer a produtividade do cafeeiro. Nesse contexto, o uso de aminoácidos pode proporcionar a recuperação mais rápida das injúrias, melhorando as barreiras de resistência das plantas.

Da mesma maneira, os indutores de resistência induzem alguma resposta de defesa na planta, desde modificações celulares, fisiológicas, bioquímicas e morfológicas até modificações como a ativação da transcrição dos genes que codificam as respostas de defesa.

Os fosfitos, quitosana e silício, são exemplos de indutores de resistência, os quais podem induzir a formação de compostos secundários de resistência ao ataque de insetos sugadores e herbívoros e ao desenvolvimento e penetração das hifas dos fungos nos tecidos vegetais e outros organismos patogênicos.

Isso acontece por meio de compostos fenólicos, fitoalexinas, quitinases, atividade de enzimas do metabolismo antioxidante (peroxidases), acúmulo de lignina e constituição de barreira física à penetração de patógenos, redução da preferência ou desempenho de insetos-praga mastigadores ou sugadores.

Além desses, outros compostos secundários importantes na defesa das plantas contra herbívoros e patógenos são os compostos nitrogenados, como por exemplo, alcaloides, glicosídeos cianogênicos, glucosinatos, aminoácidos não proteicos e proteínas anti-digestivas, que causam, em geral, deterrência alimentar, alterações metabólicas, redução no crescimento e desenvolvimento destes organismos.

Pragas e doenças

O cafeeiro em condições de estresse é mais suscetível à incidência de pragas e doenças, pois as barreiras de proteção contra o ataque de patógenos ficam comprometidas. Entre as doenças, pode-se destacar a cercosporiose, favorecida por desbalanços nutricionais, principalmente o desequilíbrio da nutrição com potássio e cálcio.

A ferrugem também pode ocorrer devido ao estresse por altas produtividades e o desbalanço nutricional causado devido ao dreno elevado dos frutos. A phoma é outra doença favorecida por condições de estresse, como a alta incidência de ventos, o que abre porta para a entrada do patógeno nas plantas.

Além disso, as bacterioses, de maneira geral, também possuem sua infestação favorecida por injúrias, as quais podem ter sido causadas por má regulagem da colheitadeira, ataque de pragas, chuvas de pedra, entre outros.

Ação dos produtos biológicos

Crédito: Daniel Vieira

Alguns produtos biológicos são amplamente utilizados na cafeicultura para controle de patógenos, assim como distúrbios fisiológicos. Entre os produtos mais utilizados no controle de doenças temos os fungicidas microbiológicos, com a utilização de Bacillus amyloliquefaciens, Bacillus subtilis, Bacillus velezensis e Bacillus pumilus.

Além dos atributos relacionados ao controle de doenças em cafeeiros, como a ferrugem, cercosporiose, phoma e mancha alvo, os fungicidas microbiológicos têm efeito tônico, ao estimular rotas bioquímicas presentes no metabolismo secundário das plantas.

Sobre os inseticidas biológicos, observa-se que a Beauveria bassiana é amplamente utilizada na cafeicultura, recomendada para controle de broca-do-café e cochonilha das rosetas.

Já o Metarhizium spp. e óleo de neem já apresentam amplo espectro de controle de pragas, podendo ser utilizados no controle de ácaros e bicho-mineiro. O manejo fitossanitário realizado adequadamente nos cafeeiros propicia que atinjam um potencial produtivo maior.

Recuperação de cafeeiros estressados

Os fungicidas e inseticidas biológicos são muito importantes no manejo das lavouras, porém, algumas linhas de biológicos vêm crescendo na cafeicultura. Estes produtos têm uma atuação mais metabólica, estimulando o desenvolvimento das plantas às condições de estresse, como os indutores de resistência de origem biológica e potencializadores fisiológicos.

Sua forma de agir é na atenuação dos efeitos da insolação nas plantas, que causam escaldadura como a arbolina. Além disso, também temos bactérias que atuam como nematicidas microbiológicos que condicionam maior desenvolvimentos do sistema radicular do cafeeiro.

Estas promovem maior resiliência das plantas em épocas de seca, como o caso da bactéria Bacillus aryabhattai. Seu uso vem sendo estudado para mitigação de efeitos de déficit hídrico nas plantas, por aumentar a sua resistência à seca, além de auxiliar na absorção de nutrientes através de exopolissacarídeos.

Nutrição adequada das plantas

A nutrição adequada das plantas é outro aspecto a ser levado em consideração no manejo integrado de pragas e doenças, bem como condições que favoreçam a ótima absorção, transporte e translocação dos minerais fornecidos via adubação.

Os nutrientes contribuem para a formação de barreiras de resistência naturais contra esses estresses, permitindo também a melhor adaptabilidade das plantas frente às adversidades. Tecnologias que otimizem esse fornecimento de nutrientes as plantas, como as nanopartículas, são promissoras na proteção de plantas para reduzir os danos causados devido ao ataque de patógenos, mesmo que de forma indireta, por otimizarem a absorção dos nutrientes pelas plantas.

Melhoria do solo em plantações de café

Crédito: Ivanir Maia

A biologia do solo, quando comparada com as partes químicas e físicas do mesmo, foi a fração menos explorada sob o ponto de vista agronômico ao longo dos últimos anos. Essa porção biológica do solo apresenta a possibilidade de intensificar e otimizar os processos naturais que já ocorrem no ambiente, contribuindo para a maior autonomia dos sistemas de produção e minimização dos estresses.

Nesse sentido, o componente biológico do solo pode participar ativamente da proteção das plantas, por exercer papel importante na supressividade de organismos patogênicos (insetos praga, fungos, bactérias, nematoides) presentes nos solos, possibilitando a maior tolerância e resiliência das plantas frente a esses estresses.

Além disso, participam de forma indireta, por meio da promoção do crescimento e enraizamento das espécies. Portanto, a utilização de condicionadores de solo, inoculantes, biodefensivos, ativadores e repositores do microbioma melhoram a eficiência dos sistemas produtivos.

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O mercado de produtos biológicos apresenta grande oportunidade de crescimento, sendo importante ferramenta no manejo integrado de pragas e doenças na atualidade. O principal desafio é o posicionamento correto desses produtos em condições favoráveis para a ação do agente de controle biológico e, por consequência, maior eficiência de controle da praga ou patógeno alvo.

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