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Indutores de resistência no manejo do míldio em uva

O míldio, causado pelo fungo Plasmopara viticola, é uma das principais doenças que afetam as lavouras de uva, especialmente durante períodos chuvosos.

Créditos Shutterstock

Fellipe Kennedy Alves Cantareli
Engenheiro agrônomo e doutorando em Agronomia – Universidade Federal de Goiás (UFG)
felipecantarelli3@gmail.com
 Jade Cristynne Franco Bezerra
Engenheira florestal e doutoranda em Ciência Florestal – UNESP
jade.bezerra@unesp.br

Os indutores de resistência são substâncias que desempenham um papel fundamental no manejo do míldio em lavouras de uva durante o período chuvoso, fortalecendo as defesas naturais das plantas e reduzindo a severidade da doença.

Esses indutores atuam estimulando uma série de respostas de defesa nas plantas, que incluem a produção de fitoalexinas, proteínas e enzimas de defesa, bem como a ativação de vias de sinalização molecular associadas à resistência às doenças.

Um dos principais mecanismos de defesa induzidos pelos indutores de resistência é a produção de fitoalexinas, que são compostos químicos com propriedades antifúngicas produzidos pelas plantas em resposta à presença de patógenos.

Respostas da pesquisa

Estudos evidenciaram que a aplicação desses indutores em plantações de uva aumenta a produção de fitoalexinas, o que fortalece a resistência das plantas ao míldio (Ciliberti et al., 2018).

Além disso, tais produtos podem estimular a síntese de enzimas e proteínas de defesa nas plantas, reforçando seu sistema imunológico e tornando-as mais resistentes à infecção e proliferação do fungo.

Em síntese, os indutores de resistência são importantes no controle do míldio em plantações de uva durante o período chuvoso, pois desencadeiam diversas respostas de defesa nas plantas, como a produção de fitoalexinas, proteínas e enzimas de defesa, e a ativação de vias de sinalização molecular associadas à resistência contra doenças.

Defesa vegetal

O fortalecimento da capacidade de defesa nas plantas, proporcionado pelos indutores de resistência, é fundamental na diminuição da agressividade do fungo do míldio.

Esses indutores aprimoram as defesas naturais das plantas, conferindo-lhes maior capacidade de resistir à invasão e colonização pelo fungo. O processo resulta em uma significativa redução na gravidade da doença, o que, por sua vez, se traduz em menores perdas de produtividade e qualidade na produção de uvas.

A relevância desse reforço na capacidade de defesa é destacada por pesquisas que comprovam a eficácia dos indutores de resistência na contenção do míldio em várias culturas, como a uva.

Por exemplo, estudos conduzidos por Ciliberti et al. (2018) demonstraram que a aplicação desses indutores em plantações de uva resultou em uma notável redução na frequência e gravidade do míldio, evidenciando uma maior resistência das plantas tratadas.

Além disso, a capacidade de defesa aumentada proporcionada pelos indutores de resistência pode contribuir para uma redução na necessidade de aplicação de fungicidas convencionais, que são muitas vezes utilizados para controlar o míldio.

Isso não só reduz os custos de produção para os agricultores, mas também contribui para a diminuição do uso de produtos químicos sintéticos no ambiente, promovendo assim uma agricultura mais sustentável.

Portanto, a capacidade de defesa aumentada nas plantas, proporcionada pelos indutores de resistência, desempenha um papel fundamental na redução da agressividade do fungo do míldio, contribuindo para uma menor incidência e severidade da doença.

Frequência de uso

A regularidade na utilização de indutores de resistência exerce um impacto substancial na capacidade das plantas de resistirem ao míldio. Estudos demonstram que a aplicação constante e sistemática desses indutores é essencial para otimizar a indução de resistência nas plantas, fortalecendo assim suas defesas contra o míldio.

Pesquisas realizadas por diversos autores ressaltam a importância da frequência de aplicação dos indutores de resistência para maximizar seus efeitos na proteção das plantas contra o míldio.

Por exemplo, Nunes et al. (2019) constataram que a aplicação semanal de um indutor de resistência resultou em uma maior indução de resistência nas plantas de uva em comparação com aplicações menos frequentes.

Critérios na escolha

Créditos Shutterstock

Ao selecionar um produto de indutores de resistência no mercado para o controle eficiente do míldio em uvas, é imprescindível levar em conta diversos critérios, como eficácia comprovada, segurança para as plantas e o ambiente, compatibilidade com outros produtos, facilidade de aplicação, disponibilidade no mercado e relação custo-benefício.

Uma análise meticulosa desses critérios garantirá a escolha do produto mais apropriado para proteger as plantações de uva contra o míldio.

Primeiramente, é essencial avaliar a eficácia comprovada do produto contra o míldio em uvas. Estudos científicos e experimentos de campo que evidenciem a capacidade do produto em reduzir a incidência e severidade da doença são cruciais para embasar essa seleção (Dezélée et al., 2020).

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Por fim, a relação custo-benefício do produto também deve ser avaliada, considerando o investimento necessário em relação aos benefícios esperados na redução da incidência e severidade do míldio em uvas.

Produtos que oferecem uma boa relação custo-benefício são mais atrativos para os produtores e podem ser uma escolha mais vantajosa a longo prazo (Kiss et al., 2018).

Manejo

Durante o período chuvoso, é fundamental conduzir o manejo da aplicação dos indutores de resistência de maneira cautelosa e estratégica, visando garantir resultados satisfatórios no controle do míldio em uvas.

Recomenda-se realizar as aplicações em momentos que otimizem a absorção e eficácia do produto, como nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde, quando as condições climáticas são mais propícias e a evaporação é reduzida.

A frequência e o timing das aplicações dos indutores de resistência durante o período chuvoso devem ser considerados com atenção. Pesquisas indicam que a aplicação regular e consistente é essencial para manter uma alta indução de resistência nas plantas contra o míldio.

Por exemplo, Nunes et al. (2019) constataram que a aplicação semanal de um indutor de resistência contribuiu significativamente para aumentar a resistência das plantas de uva ao míldio.

Outro ponto relevante no manejo da aplicação dos indutores de resistência durante o período chuvoso é a seleção do método de aplicação mais apropriado. Sistemas de aplicação que garantam uma cobertura uniforme das plantas, como a pulverização foliar, são recomendados para assegurar a eficácia dos indutores de resistência na proteção das plantas contra o míldio (Dezélée et al., 2020).

Orientação

A frequência de aplicação dos indutores de resistência para manter uma alta indução de resistência nas plantas de uva pode variar, dependendo do produto específico utilizado, das condições climáticas e do nível de infestação pelo míldio na região.

No entanto, alguns estudos e orientações oferecem insights sobre a frequência ideal de aplicação para garantir uma proteção eficaz contra o míldio.

De acordo com Nunes et al. (2019), a aplicação semanal de um indutor de resistência contribuiu para uma maior resistência das plantas de uva ao míldio. Esse estudo destaca a importância da frequência regular de aplicação para manter uma alta indução de resistência nas plantas ao longo do tempo.

Além disso, Dezélée et al. (2020) sugerem que a frequência de aplicação dos indutores de resistência pode ser ajustada de acordo com as condições climáticas e o nível de infestação pelo míldio. Em períodos de maior pressão do patógeno, pode ser necessário aumentar a frequência de aplicação para garantir uma proteção eficaz das plantas.

Estratégias complementares

Uma das medidas complementares mais importantes é a prática de manejo integrado de doenças, que envolve a combinação de diferentes métodos de controle para reduzir a pressão do patógeno e minimizar o desenvolvimento de resistência.

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Isso pode incluir o uso de fungicidas convencionais em rotação com indutores de resistência, bem como a adoção de técnicas de poda e manejo da cobertura vegetal para melhorar a circulação de ar e reduzir a umidade ao redor das plantas (Blein et al., 2020).

Outra medida complementar é o uso de cultivares de uva resistentes ao míldio, que apresentam naturalmente uma maior resistência genética ao patógeno. A seleção de cultivares resistentes pode reduzir significativamente a suscetibilidade das plantas ao míldio e minimizar a necessidade de aplicação de produtos químicos para o controle da doença (Eibach et al., 2019).

É importante ressaltar que a combinação dessas medidas complementares com o uso de indutores de resistência pode potencializar os efeitos na proteção das plantas de uva contra o míldio.

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