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Cálcio, boro e aminoácidos na proteção de anomalias fisiológicas do tomate

Danielle Perez Palermo

daniellepalermo@ufrrj.br

Carlos Antonio dos Santos

carlosantoniods@ufrrj.br

Engenheiros agrônomos e mestrandos em Fitotecnia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Margarida Goréte Ferreira do Carmo

Engenheira agrônoma, doutora em Fitopatologia e professora na UFRRJ

gorete@ufrrj.br

 

Crédito Luize Hess
Crédito Luize Hess

O fundo preto, também conhecido como podridão apical, é uma anomalia fisiológica comum em frutos de tomate. A sua ocorrência causa redução de produtividade devido ao descarte dos frutos lesionados. Segundo dados da literatura, as perdas proporcionadas por esse distúrbio no tomateiro podem chegar, em condições extremas, a até 50%. Qualquer fator que leve à queda de produtividade comercial no tomateiro é preocupante devido ao elevado custo da lavoura.

Sintomas

 O fundo preto caracteriza-se pela flacidez do tecido da extremidade apical do fruto, resultante de problemas de estruturação da membrana e parede celular, devido à deficiência de cálcio, o que leva à formação de um tecido mais mole e vulnerável. Este sintoma pode ser observado em frutos jovens e ainda verdes, e com o tempo evoluir para uma necrose do tecido afetado.

A necrose resultante da ação de microrganismos saprófitas, ou seja, não fitopatogênicos, leva ao escurecimento da região afetada e à formação de uma lesão única, deprimida, seca e de cor escura, por isso chamado fundo preto. Na maioria das vezes, os frutos amadurecem precocemente e são descartados por não terem padrão comercial.

 Sintomas de fundo preto no tomateiro - Crédito Louise Simões
Sintomas de fundo preto no tomateiro – Crédito Louise Simões

Condições para o ataque

A podridão apical de frutos de tomate está diretamente relacionada à deficiência de cálcio no fruto, a qual se mostra mais severa na extremidade apical, exatamente onde o sintoma se expressa. A ocorrência frequente desta anomalia se deve a vários fatores, dentre os quais à baixa mobilidade do cálcio (Ca) na planta, que dificulta a sua translocação e chegada à região apical do fruto.

Devido à baixíssima mobilidade do cálcio na planta, qualquer evento que possa afetar ou prejudicar a sua absorção e translocação para os frutos pode desencadear um quadro de deficiência e desenvolvimento do sintoma.

Entre os principais fatores que podem contribuir para a ocorrência e agravamento do quadro estão: deficiência de Ca no solo, devido à não realização de calagem ou calagem mal feita; aplicação desequilibrada de outros macronutrientes, especialmente potássio e nitrogênio; uso de nitrogênio de fonte amoniacal; estresses hídricos, seja pela falta ou oscilação de umidade no solo e altas temperaturas.

Outro fator que pode também interferir é o genético. Algumas cultivares desenvolvem o sintoma muito mais facilmente que outras.

Além da podridão apical, a deficiência de cálcio pode também causar outros sintomas nas plantas, como clorose ou necrose das margens de folhas expandidas, morte de brotos e necrose de raízes. No entanto, os frutos são muito mais sensíveis e expressam os sintomas muito mais facilmente.

Sintomas de fundo preto no tomateiro - Crédito Louise Simões
Sintomas de fundo preto no tomateiro – Crédito Louise Simões

Lóculo aberto

Outra anomalia associada à deficiência/desequilíbrio nutricional no tomateiro é o “lóculo aberto“. Esta anomalia está frequentemente associada à deficiência de boro, um micronutriente essencial ao tomateiro e às plantas em geral. Temperaturas elevadas também podem potencializar a ocorrência desta anomalia em frutos de tomate, que se caracteriza pelo não fechamento, parcial ou completo, dos lóculos, deixando assim o tecido placentário exposto.

Assim como a podridão apical, o lóculo aberto também reduz a produtividade comercial à medida que os frutos são descartados na hora da classificação. Entretanto, o lóculo aberto ocorre com menor frequência que a podridão apical e é mais comum em frutos pluriloculares.

Importância do boro

O boro está também associado à constituição da parede celular e o seu metabolismo na planta está relacionado ao do cálcio. A sua deficiência pode acarretar em diminuição dos teores de cálcio na folha. Ainda, o estresse causado pela deficiência ou excesso de cálcio pode prejudicar a absorção de boro, assim como a deficiência ou excesso de boro pode afetar a absorção de cálcio.

Além disso, o boro desempenha funções na regulação no metabolismo e translocação de carboidratos.

Manejo

A melhor forma de se prevenir eventuais estresses pela carência destes nutrientes e a ocorrência das duas respectivas anomalias é seguindo as recomendações técnicas para a cultura no manejo pré e pós-plantio, especialmente no que diz respeito à fertilidade do solo, da irrigação e escolha de cultivar adaptada.

Durante o ciclo, medidas complementares podem ser usadas, especialmente para a podridão apical. A aplicação de sais de cálcio, como o cloreto de cálcio, dirigido às inflorescências e frutos em formação, é uma prática bastante conhecida e usada.

Aminoácidos

Mais recentemente vem sendo proposto o uso de formulações contendo macro e micronutrientes, como cálcio e boro, associados a aminoácidos. Sabe-se que a planta necessita de grande quantidade de energia para a síntese de aminoácidos e que esta energia poderia ser poupada com o seu fornecimento exógeno em conjunto com fertilizantes.

Dados da literatura mostram que os aminoácidos podem ser utilizados como fonte de nitrogênio para as plantas, que atuam na produção de compostos intermediários dos hormônios vegetais e apresentam efeito complexante em nutrientes e outros agroquímicos, otimizando a sua aplicação.

Essa matéria completa você encontra na edição de maio 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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