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Calda sulfocálcica: controle de doenças em hortaliças

Crédito: Shutterstock

Sinara de N. Santana Brito
sinara.santana@unesp.br
Harleson Sidney Almeida Monteiro
harleson.sa.monteiro@unesp.br
Engenheiros agrônomos, e mestrandos em Agronomia/Horticultura ­- Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Antonia B. da Silva Bronze
Doutora em Ciências Agrárias e professora – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)

A calda sulfocálcica é composta por ácidos, entre eles o ácido sulfídrico, sulfuroso e pantatênico e gases considerados tóxicos, como sulfeto de hidrogênio (H₂S) e o dióxido de enxofre (SO2), e é obtida por meio de tratamentos térmicos da cal e do enxofre.

Este arranjo em sua composição química lhe permite ter funções acaricidas, fungicidas e inseticidas. A ação inseticida é contra, principalmente, insetos sugadores, como tripes e cochonilhas. Quanto à ação acaricida, está relacionada ao controle de oídios e ferrugens.

E, para o controle de fungos, as concentrações são maiores, entre 3,5 a 4,0°Bé, assim como para desinfecção de ferimentos de poda, auxiliando na cicatrização.

Além das funções citadas, a calda sulfocálcica coopera para conservação da fertilidade do solo, permitindo a disponibilidade de macro e micronutrientes indispensáveis às plantas. Como exemplo tem-se o enxofre e polissulfetos de cálcio, sendo que ambos aumentam o poder fotossintético das culturas de interesse e, deste modo, possibilitam que nutrientes estejam disponíveis para as folhas, tornando-as resistentes ao ataque de pragas.

Prevenção

A eficiência da aplicação da calda se dá de forma preventiva, ou seja, após o ataque das pragas ou aparecimento da doença o seu poder de eficácia poderá ser diminuído.

Assim, é preciso seguir critérios importantes de administração, ou seja, a calda precisa estar dissolvida em água e ser utilizada no mesmo dia, caso contrário, perderá seu efeito, sendo que, no mínimo 10 dias antes da colheita, deve cessar seu uso.

As condições climáticas são levadas em consideração. Assim, em regiões onde há previsão de geadas ou temperaturas acima de 32°C a aplicação é suspensa e em culturas que são mantidas em ambientes controlados sugere-se a redução de 50% da dosagem prevista.

Preparo

Para iniciar o preparo da calda, é importante separar todos os materiais e os reagentes necessários nesse processo, dentre eles o areômetro (densímetro) de Baumé, latas com capacidade para 20 litros, caneca com capacidade para 500 ml, pá de madeira, peneira fina (fubá), coador de pano (organza ou voal), bacia de plástico, cal virgem, enxofre e água.

Após a separação de todos os materiais, os reagentes são dissolvidos em recipiente de metal e em temperaturas elevadas. Quando ocorre a mudança de coloração da calda de amarelo para vermelho-pardo, é sinal que chegou ao ponto ideal de uso.

Posteriormente, recomenda-se que a calda fique em descanso por 24 horas e o sobrenadante seja coado após esse período, em peneira de nylon, utilizando malha de aproximadamente 0,8 mm.

Por cautela, recomenda-se a coleta somente do sobrenadante com um recipiente, retirando a parte líquida, envasando-a rapidamente em embalagens corretamente vedadas.

As etapas de preparo sugeridas pela Embrapa especificam dosagens para 10 litros, o uso de duas latas de 20 litros, sendo que em uma das latas deve-se colocar a cal virgem e adicionar, aos poucos, 10 litros de água levemente aquecida.

Depois, levar ao fogo para ferver. Ao iniciar a fervura, adicionar o enxofre, marcando na lata o nível inicial da calda. Mexer com uma pá de madeira, durante aproximadamente uma hora, sempre mantendo a fervura.

Em outra lata, manter água fervente, para ir adicionando, sempre que necessário, na primeira lata, para completar no nível inicial marcado, repondo assim a água que evaporou da calda.

Em seguida, por volta de 1 hora de fervura, a calda ficará grossa, com coloração pardo-avermelhada. Quando estiver fria, é necessário medir a densidade com o densímetro ou areômetro de Baumé.

Quando a cal virgem e o enxofre são de boa qualidade, a densidade alcançada geralmente é de 28 a 32 graus Baumé (°Bé) e no final do preparo, a calda passará pela peneira e pelo pano fino, evitando obstrução do equipamento de pulverização.

Para melhor aderência, utilizar espalhantes adesivos naturais e aplicações uniformes, principalmente na parte inferior da folha. Após chegar à densidade desejada e se conhecer a concentração da calda, realiza-se a diluição segundo a recomendação da cultura de interesse.

Ingredientes e quantidade, podem ser observados melhor no esquema a seguir:

Custo-benefício

Com relação ao custo-benefício, é um produto com base de nutrientes importantes para as plantas, como cálcio e enxofre e com custos, quando comparados com outros produtos químicos, considerados economicamente viáveis e vantajosos. Ainda, é ambientalmente amigável, com base nas informações científicas.

Os erros que devem ser evitados ao manusear e manipular a calda sulfocálcica são:

1. Não utilizar fontes de cal virgem acima de 90% de óxido de cálcio;

2. Não guardar por mais de 60 dias a calda;

3. Não colocar a calda em recipientes que não sejam de vidro ou plásticos, em ambiente claros e sem vedação;

4. Por conta da corrosividade e alcalinidade elevada, evitar super dosagens nas aplicações para que não ocorra queima das plantas e corrosão de equipamentos de aplicação;

5. Evitar aplicações em temperaturas elevadas, para não promover a queima das plantas;

6. Evitar aplicar a calda em cucurbitáceas e em plantas que estejam em plena floração, pois o seu nível de sensibilidade é altíssimo;

7. A calda sulfocálcica e a calda bordalesa não devem ser aplicadas em conjunto. O ideal é aguardar um intervalo de 30 a 40 dias entre as aplicações das caldas;

8. Evitar que aplicadores não utilizem os equipamentos de proteção individual;

9. Nos pulverizadores é necessário lubrificar após o uso e lavar com limão e vinagre 10%. Caso não sejam feitos esses procedimentos, as chances de corrosão e ferrugem são altíssimas.

Indicações

Crédito: Shutterstock

A calda sulfocálcica é empregada no controle de doenças como: cercosporiose (a aplicação da calda deve ser realizada no início da doença); mofo (deve se aplicar quando estiver calor e úmido); alternária (aplicação realizada nos brotos da planta); míldio (recomenda-se a aplicação da calda sobre as mudas e no início da doença); manchas foliares, podridão de sclerotinia, mancha púrpura, antracnose, pinta-preta, podridões, requeima, septoriose e cercosporiose (é recomendado o uso no início do ciclo da doença).

Considerado um produto alternativo, ao ser aplicado sobre as folhas, estas reagem com água e gás carbônico, tornando-se tóxico para as pragas, a exemplo os ácaros, evitando que esses insetos completem seu ciclo de vida.

O efeito letal da calda se dá por meio da interferência na respiração celular, na inibição da fosforilação oxidativa e o transporte de elétrons, paralisando a síntese de energia e a adenosina trifosfato (ATP).

Na maioria das culturas, recomenda-se que ocorra uma frequência de aplicação: semanal, com exceção na cultura do tomate, que deve ocorrer quinzenalmente. E as concentrações vão variar de 0,3 a 1%, além de ter a necessidade de realizar um teste antes, aplicando em algumas plantas e verificando se não ocorrerão lesões por queimaduras.

Sendo assim, durante a aplicação deve ser formada uma camada fina, para que o vegetal seja recoberto pela calda, assegurando a proteção contra a infecção de inúmeras doenças.

Resultados

Por ser um importante meio de controle de doenças causadas principalmente por fungos, bons resultados são observados com a aplicação e uso da calda sulfocálcica. E os melhores resultados são obtidos com a aplicação preventiva no ataque das doenças, para evitar a aplicação e uso de produtos químicos que possam ser prejudiciais durante o cultivo.

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