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Como agregar valor ao tomate

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João Ricardo Rodrigues da Silva

Engenheiro agrônomo

joaoragr@hotmail.com

Roberta Camargos de Oliveira

Engenheira agrônoma e doutora em Fitotecnia

robertacamargoss@gmail.com

Fernando Simoni Bacilieri

Engenheiro agrônomo e doutorando em Fitotecnia – ICIAG-UFU

ferbacilieri@zipmail.com.br

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

A cultura do tomateiro é, sem dúvida, uma das hortícolas de maior importância econômica. O tomate ocupa, atualmente, a segunda posição na lista das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros, ficando atrás apenas da batata. E esse é um dos motivos pelos quais o tomate é alvo de altíssimos investimentos por empresas do agronegócio, no que diz respeito ao desenvolvimento de novas tecnologias a fim de melhorar o desempenho da sua cadeia produtiva, como por exemplo, o desenvolvimento de novos híbridos de tomate de mesa com características especiais.

No que se refere à comercialização, alguns processos de classificação são etapas rotineiras para hortaliças, como o tomate, batata, alho, cebola, cenoura, dentre outros, antes que esses produtos cheguem às gôndolas dos centros de distribuição e comercialização.

Para o tomate, parâmetros como formato, cor e tamanho são avaliados para criar grupos de frutos com características semelhantes, para só então serem comercializados. E essa classificação é muito importante no sentido de agregar valor ao produto e garantir que o cliente pague o preço equivalente ao tipo e qualidade do fruto que está adquirindo.

Neste sentido, é natural que os produtores visem a produção de frutos de alta qualidade e boa aceitabilidade no mercado, a fim de garantir bons preços. Paralelamente a isso, a procura por tomates de melhor aparência e sabor tem se mostrado crescente por parte dos consumidores. Surge então o mercado para os tomates especiais, conhecidos também como minitomates ou gourmet.

Os tomates especiais são conhecidos como gourmet - Crédito Vladimir Landiva
Os tomates especiais são conhecidos como gourmet – Crédito Vladimir Landiva

Especiais do começo ao fim

Os tomates especiais podem ser definidos por terem cor, forma e sabor diferenciados. São comercializados em embalagens personalizadas, e possuem uma série de outros atributos de qualidade que agregam valor ao produto, apresentando também um maior teor de sólidos solúveis (ºBrix)e de açúcar nos frutos, conferindo-lhes mais sabor.

Esses tomates especiais estão rapidamente tomando seu lugar no mercado. Por possuírem significativas quantidades de vitaminas C, A, complexo B e licopeno, o tomate é considerado um alimento muito saudável e funcional, estando presente quase que diariamente na mesa dos brasileiros.

O grande ponto é que os tomates especiais não estão só ganhando o mercado, mas abrindo-o. Pessoas que antes não comiam tomates ou o faziam apenas por questões nutricionais começam a enxergar realmente o tomate como fruta, e passaram a colocá-lo na sua alimentação não apenas por fazer bem à saúde, mas porque agradam do sabor.

Os tomates especiais podem ser definidos por terem cor, forma e sabor diferenciados - Crédito Ricardo Zepter
Os tomates especiais podem ser definidos por terem cor, forma e sabor diferenciados – Crédito Ricardo Zepter

Mercado

O mercado de tomates especiais teve um crescimento de mais de 50% nos últimos dois anos. Já é comum encontrar nos supermercados vários tipos de minitomates, de diferentes fornecedores.

Eles são vendidos dentro de embalagens personalizadas e alguns se encontram ainda nas próprias pencas (“cluster tomatoes“), o que passa uma boa imagem ao consumidor de que ele realmente está adquirindo um produto fresco e saudável.

São muitos os atributos de qualidade que estão fazendo com que os tomates especiais ganhem seu espaço no mercado. Eles possuem um bom tempo de prateleira, sua aparência é mais atrativa ao consumidor, uma vez que se apresentam nas mais variadas formas, cores e tamanho, e o sabor desses tomates é uma vantagem indiscutível.

Os tomates especiais possuem um elevado teor de sólidos solúveis (ºBrix), ficando muito à frente dos outros tomates de mesa encontrados nos supermercados. O alto teor de ºBrix reflete, por sua vez, na alta quantidade de açúcares, o que deixa os tomates mais doces e saborosos ao paladar do consumidor.

Além disso, o tamanho reduzido de grande parte desses tomates especiais possibilita que eles sejam consumidos inteiros, e seu tamanho e cores diversas têm agradado, inclusive, o paladar de crianças, que antes não tinham o hábito de comer tomates com frequência ou sequer tinham o fruto presente na sua alimentação.

Crédito Agristar
Crédito Agristar

Diferencial

Todos os tomates especiais apresentam sabor mais adocicado do que os tomates mesa convencionais, mas, no geral, os tomates cerejas ou tomates uva são os que possuem maior teor de ºBrix e que têm a maior procura pelos consumidores. E para o produtor, são várias as opções de híbridos ofertados pelas empresas de sementes.

Diversas empresas de sementes têm investido pesado no melhoramento genético para a produção de híbridos de tomates especiais, o que permite que o produtor possa escolher aquele que melhor se adéqua às preferências do mercado local e às condições de produção de cada um.

Geralmente os tomates especiais são produzidos em ambiente protegido, grande parte das vezes em sistema semi-hidropônico, o que permite um maior aproveitamento do seu potencial genético.

A razão por que os tomates especiais são conduzidos em estufa é simples. O ambiente protegido ajuda a potencializar a produção e a garantir que os tomates chegarãoà fase de colheita com boa qualidade.

As estufas contribuem para diminuir a incidência de patógenos e insetos-praga, além de proteger as plantas do contato direto com as chuvas, o que evita perdas e danos aos frutos. Neste sentido, é importante ressaltar que eles podem ser cultivados utilizando-se uma quantidade menor de defensivos do que os tomates de mesa em cultivo convencional.

Nota-se, também, a predominância da utilização de sistemas semi-hidropônicos para fertirrigação no cultivo dos tomates em estufa. Essa combinação entre a garantia de uma nutrição controlada e equilibrada, em conjunto com os benefícios proporcionados pela própria proteção física da estufa, garante a boa expressão do potencial genético dos híbridos plantados.

Outro ponto importante é que no sistema de cultivo protegido as plantas não ficam no solo – as mudas são plantadas em vasos ou calhas utilizando-se substratos inertes, o que garante a proteção contra fungos de raízes e outros patógenos de solo.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2018  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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