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Controle de pragas da soja via sementes

Vinicius Alves dos Santos
Graduando em Agronomia – Centro Universitário de Ourinhos (Unifio)
vini_santos2008@hotmail.com
Adilson Pimentel Júnior
Engenheiro Agrônomo, doutor em Agronomia e professor – Unifio
adilson_pimentel@outlook.com

Foto Shutterstock

O tratamento de semente visa promover proteção e segurança contra patógenos e pragas indesejáveis na lavoura que causam grandes danos, acarretando em diminuição no estande de plantas e assim, grandes prejuízos aos produtores.

O tratamento de sementes nada mais é do que uma aplicação de produtos, podendo ser apenas um ou misturados, se compatíveis, seja eles químicos ou biológicos, inoculantes, herbicidas, fungicidas, micronutrientes, reguladores de crescimento, revestimentos de sementes, corantes, que vão garantir que as sementes expressem seu total potencial produtivo.

Protegem, também, contra males indesejáveis que atacam a lavoura de soja em sua fase inicial.

Formas de tratamento

Essa técnica de tratamento de semente pode ser feita de duas formas, na própria fazenda do produtor, conhecido como método “on farm”, ou na indústria, que é conhecido como tratamento de sementes industrial “TSI”.

No tratamento industrial, tudo é mais preciso – a semente chega até o produtor pronta, e para fazer os tratamentos são utilizadas máquinas sofisticadas para realizar todo o processo.

Quando o tratamento é feito na propriedade, o recomendado é realizar os procedimentos 30 dias antes do plantio. Assim, é necessário saber a situação da área de plantio, as principais pragas, histórico da propriedade, dentre outros pontos.

Para a escolha do produto que iremos utilizar, devemos analisar os modos de ação, seja ele sistêmico, de contato, espectro de controle e se o mesmo causa fitotoxidade à semente.

Os produtos de contato são protetores, ou seja, têm efeito apenas externamente à semente e devem ser aplicados antes da infecção pelo patógeno. Já os fungicidas sistêmicos terão ação sobre as sementes e tecidos novos formados, ou seja, sobre a plântula, pois são translocados pelos vasos condutores, mais especificamente o xilema.

Muitos proprietários misturam os dois, desde que haja compatibilidade, pois a semente e a plântula emergida estarão protegidas por um período, em média, de 15 dias após a aplicação, dependendo do residual do produto.

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Vantagens sobre outros tipos de controle

Augusto César Pereira Goulart, pesquisador da Embrapa, destaca que a maioria das doenças de importância econômica que ocorrem na cultura da soja são causadas por patógenos que são transmitidos pelas sementes.

“Desta forma, a semente tem um importante papel no estabelecimento da lavoura, evitando que microrganismos prejudiciais sejam introduzidos em novas áreas e se disseminem pela população de plantas, como focos primários de doenças”, explica.

Então, com o tratamento de semente podemos evitar, desde antes da semeadura, possíveis ataques de pragas e doenças em nossas áreas, controlando amplamente as pragas. O método apresenta um baixo custo, comparado a outros meios, e consequentemente garante uma boa produtividade.

Pode ter influência positiva na fisiologia da planta (melhor enraizamento, germinação mais uniforme e maior resistência a nematoides), aumenta o crescimento das plantas com os nutrientes fornecidos, o que torna as culturas mais fortes na competição com as ervas daninhas, reduz a necessidade de aplicações químicas (fungicidas e pesticidas) nas fases subsequentes de crescimento, aumenta a densidade de plantas e a produtividade do campo, graças ao plantio de sementes mais viáveis.

Ainda, protege o potencial genético da variedade que o produtor escolheu para plantar, incluindo as que possuem tecnologia Bt.

Influência na produtividade

Foto: Shutterstock

Como já mencionado, o tratamento de semente melhora a qualidade sanitária da planta, protegendo contra as doenças e pragas desde sua fase inicial de desenvolvimento no solo até depois da germinação.

Desta maneira, seu crescimento fica mais forte, com melhor enraizamento, germinação mais uniforme, livre das pragas que atacariam a sua lavoura em sua fase de crescimento.

Assim, nossa lavoura só tende a produzir mais, devido ao controle sanitário que foi feito desde a semente, garantindo então ao produtor grandes números em produtividade, o que acarreta lucros líquidos ao final de sua safra.

Lembrando que nem toda sua produtividade está na dependência do tratamento de sementes. Vários outros manejos de solo e aplicações também contribuem para um conjunto homogêneo, garantindo a produtividade esperada.     

Pragas que podem ser combatidas

Hoje encontramos diversas pragas que vêm assolando as lavoras de soja, mas as principais que muitos visam quando se executa o tratamento de semente são as lagartas, que se alimentam do colo da planta: lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus); lagarta-do-cartucho (Spodoperta frugiperda); mosca-branca (Bemisia sp.); lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e helicoverpa (Helicoverpa spp).

Inseticidas específicos geralmente são eficazes contra pragas específicas, portanto, misturas ou compostos químicos podem matar mais espécies de insetos.

Custo-benefício

O tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas é a prática mais adotada. Em uma análise do custo de produção da safra 2021/22 de soja no Mato Grosso do Sul, vemos o custo total de implantação da cultura da soja estimado em R$ 5.419,01 por hectare, onde o tratamento de semente ocupa 1,45% do valor total por hectare, que nos dá o total de R$ 78,57, um custo bem baixo que traz vários pontos positivos para a lavoura.

Os dados revelam, ainda, que a média de gastos com o tratamento de sementes de soja, ao longo dos dez anos analisados, representou apenas 2,2% do custo total investido na produção da lavoura de soja.

É um ótimo investimento, afinal, a iniciativa de proteger as plantas em um período crítico, oferecendo plenas condições para que extraiam o máximo em produtividade.

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