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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Cultivares de soja resistentes aos nematoides asseguram produtividade

 

Andressa C. Z. Machado

Pesquisadora ” nematologista do IAPAR

andressa_machado@iapar.br

 

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

Nos últimos anos, os fitonematoides tornaram-se motivo de grande preocupação para a agricultura brasileira, seja pela sua ampla distribuição geográfica, pois ocorrem em praticamente todas as regiões de importância agrícola no País, mas, principalmente, pela grande capacidade de causar perdas de produtividade em culturas como soja, algodão, feijão, café, entre outras.

Atualmente, as principais espécies que ocorrem no País, causando expressivas perdas econômicas, são os nematoides das galhas Meloidogynejavanica (soja e milho) e M. incognita (soja e milho), o nematoide das lesões Pratylenchusbrachyurus (soja, algodão e milho), o nematoide de cisto da soja Heteroderaglycines (soja) e o nematoide reniforme Rotylenchulusreniformis (soja e algodão).

Como pode ser observado, os mais danosos nematoides para as condições brasileiras têm uma cultura em comum: a soja.

Alvo certo

Os nematoides constituem um dos principais problemas para a cultura da soja. Perdas de produção induzidas por esses patógenos variam de 10 a 100%. Por exemplo, o cultivo da soja em área altamente infestada por M. incognita resulta em mais de 55% de redução na produção.

Entretanto, tais perdas podem ser muito maiores, dependendo das condições edafoclimáticas, variedade utilizada e espécie de nematoide. Em algumas regiões do Brasil, como no Centro-Oeste, por exemplo, já foram relatadas perdas de até 80% de produtividade na soja em função do ataque de uma única espécie de nematoide, P. brachyurus, um dos principais problemas da cultura na atualidade.

Ainda no Brasil Central, em condições de populações muito elevadas do nematoide de cisto no solo, especialmente se associadas com excesso de calagem, as perdas podem chegar a 100%.

Mesmo em lavouras de soja sem sintomas aparentes de danos, como acontece nos Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, a produtividade de cultivares suscetíveis tem sido, em média, 400 kg/ha menor do que a de cultivares resistentes.

Galhas radiculares causadas por Meloidogyne spp. - Crédito SantinoAleandro da Silva
Galhas radiculares causadas por Meloidogyne spp. – Crédito SantinoAleandro da Silva

Sintomas

O reconhecimento dessas espécies de nematoides a campo se faz pela observação do sistema radicular, que pode ou não apresentar sintomas típicos da presença desses organismos. Os nematoides de galhas, como o próprio nome diz, são aqueles formadores de galhas no sistema radicular, sintoma bastante típico das meloidoginoses nas culturas em que ocorre.

Por outro lado, P. brachyurus causa extensivas lesões necróticas nas raízes; entretanto, este tipo de sintoma não é característico do nematoide, podendo ser ocasionado por vários outros patógenos da cultura, dificultando o diagnóstico da espécie.

Assim como para P. brachyurus, raízes de plantas atacadas pelo nematoide reniforme e pelo nematoide de cisto não exibem, habitualmente, um sintoma típico que possa caracterizá-lo sob observação ainda no campo. Em todos os casos, entretanto, a melhor forma de identificar o problema seria a amostragem da área suspeita e envio das amostras a um laboratório especializado para identificação e quantificação da(s) espécie(s) presente(s) na área.

Uma vez identificada e espécie, o controle dos nematoides em culturas de grande extensão geralmente é bastante difícil, por ser oneroso e de eficiência variável.

Prevenção é sempre melhor

O mais importante, para evitar prejuízos, é prevenir o estabelecimento desses patógenos em locais onde ainda não estejam presentes, pois sua erradicação é praticamente impossível. Infelizmente, grandes extensões no Brasil já estão infestadas por nematoides, sendo necessária a adoção de medidas para diminuir sua população e permitir o cultivo com menores perdas para o produtor.

Como principais opções para o manejo de nematoides têm-se a rotação de culturas com plantas não hospedeiras, a utilização de nematicidas, seja no sulco de plantio, seja via tratamento de sementes, e o uso de cultivares resistentes.

O uso de cultivares resistentes seria o método ideal de manejo, uma vez que é eficiente na redução populacional do nematoide, bem como não aumenta o custo de produção, já que a própria semente é a ferramenta de manejo e não há a necessidade de adaptação de maquinário agrícola dentro da lavoura.

Entretanto, poucas opções com níveis elevados de resistência e alta produtividade estão disponíveis no mercado. Além disso, a necessidade de conhecimento acerca da espécie de nematoide presente na área é imprescindível para o sucesso desta prática.

Assim, a utilização de cultivares resistentes, ainda que dificultada por esses fatores, ou mesmo pela grande variabilidade genética apresentada pelos nematoides, é o método mais econômico e de melhor aceitação pelo produtor.

Essa matéria completa você encontra na edição de dezembro 2015  da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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