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Empresas brasileiras já exportam produtos plant-based para mais de 25 países

GFI lança guia de startups com dicas sobre como criar, planejar e financiar uma empresa de produtos à base de proteínas alternativas

Créditos Shutterstock

Após cinco anos do primeiro lançamento brasileiro no setor de alimentos análogos plant-based, um hambúrguer de carne vegetal da startup Fazenda Futuro, o país já soma mais de 100 empresas, de acordo com mapeamento do  The Good Food Institute  Brasil (GFI Brasil), organização sem fins lucrativos que promove o setor de proteínas alternativas no mundo.

Entre startups, indústrias de ingredientes e de manufatura, nesse curto período, as empresas brasileiras já exportam produtos cárneos feitos de plantas para mais de 25 países, tornando o Brasil uma referência.

Atualmente, o mercado de carnes vegetais brasileiro está em fase de consolidação, com um número significativo de empresas estabelecidas em diversos segmentos. Apesar do crescimento do consumo desses produtos, a taxa de expansão tem se tornado mais lenta e a competição se torna mais acirrada entre startups. Esse momento de consolidação também é marcado pela presença de grandes indústrias investindo em produtos plant-based no portfólio ou investindo e fazendo aquisições de startups para entrar de forma competitiva no mercado. 

Para Guilherme Oliveira, especialista em inovação do GFI Brasil, a consolidação do mercado plant-based não deve desencorajar quem deseja investir no mercado, mas é preciso saber estar atento ao momento atual para fazer apostas mais certeiras.

“O setor ainda possui muitas oportunidades como novos ingredientes, recheios, carnes vegetais em pedaços inteiros, algumas categorias de produtos, como hambúrgueres plant-based, já possuem variedade suficiente nas gôndolas. Por isso, as marcas que desejam ganhar espaço nas prateleiras e na mesa do consumidor precisam oferecer alimentos  com características nutricionais, sensoriais e funcionais desejadas pelo público, além de investir em estratégias para reduzir os custos de produção e ampliar os pontos de venda, a fim de garantir maior acessibilidade”, afirma o especialista.

Administrador graduado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Oliveira atua há nove anos com gestão da inovação, apoiando o desenvolvimento de negócios inovadores de base tecnológica e oferecendo suporte à estruturação e articulação de ecossistemas de empreendedorismo e inovação.  Em 2023, visitou ecossistemas regionais de inovação de 8 cidades, em 7 estados de todas as regiões do país, tendo a oportunidade de conhecer  incubadoras, aceleradoras, hubs, coworkings, centros de P&D, Núcleos de Inovação e Tecnologias (NITs), laboratórios de pesquisa, empresas, associações e parques tecnológicos para estimular conexões frutíferas para o setor de proteínas alternativas.

Maior potencial – Entre os segmentos de maior potencial, segundo o especialista, está o de ingredientes. As razões são muitas e vão desde a redução de custos dos produtos a partir da adoção de ingredientes nacionais, a necessidade de produzirmos ingredientes capazes de melhorar os produtos existentes, até a própria preferência dos investidores por negócios B2B”, explica Oliveira.

Tendências Tecnológicas e a Importância da Pesquisa –  Apesar de não terem chegado ao mercado, quatro startups trabalham para produzir produtos ou ingredientes a partir de processos de fermentação de precisão e biomassa e três de carne cultivada. “Diferente da cadeia de produtos plant-based, a produção de alimentos a partir dessas tecnologias ainda está em construção e, por isso, existem muitas oportunidades para a inovação tecnológica e novos modelos de negócios”, acredita Guilherme.

Neste setor, a pesquisa científica desempenha um papel central: quando falamos de inovação em proteínas alternativas, estamos falando de inovação “hard science”, que são processos que exigem uma etapa de pesquisa e desenvolvimento muito intenso.

A maioria das startups origina-se de pesquisas científicas avançadas, muitas vezes conduzidas por pesquisadores que se tornam empreendedores. Contudo, essa transição representa um desafio significativo, porque muitos pesquisadores não sabem como migrar da pesquisa para o mercado ou não sabem como alinhar os resultados científicos às necessidades industriais.

“Dito isso, já temos mais de 152 pesquisadores mapeados que estão atuando na área e com iniciativas e programas sendo construídos para engajar cada vez mais pesquisadores nos próximos anos. Esses pesquisadores serão nossa base para levar tecnologias para as grandes indústrias ou para fundar ou participar da fundação de novas startups para atuar em diversas partes da cadeia produtiva dessa nova indústria que está se formando”, diz especialista do GFI.

Ainda assim, ele acredita que é imprescindível apoiar empreendimentos que nascem nas universidades e centros de pesquisa. “Temos que criar condições para que cada vez mais cientistas se sintam confortáveis na cadeira de CEO de uma startup de sucesso. Nesse sentido, existem boas práticas na interação entre universidade e empresa que podem gerar modelos de negócio adaptados às necessidades e competências das duas partes. Os Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) podem ser parceiros valiosos nesse processo e auxiliar em etapas de transferência de tecnologia, contratos de prestação de serviços etc.” explica Oliveira.

Guia de Startups

Dicas sobre como criar, planejar e financiar uma empresa e desenvolver e comercializar produtos à base de proteínas alternativas podem ser conferidas no recém-lançado Guia Para Startups, do GFI Brasil.  “Por meio deste  recurso, esperamos fomentar ainda mais o ecossistema de inovação alimentar no Brasil, posicionando o país como um líder no desenvolvimento de soluções alimentares sustentáveis, e capacitar os empreendedores que vão trazer as próximas ondas de inovação que o nosso planeta precisa”. Com textos da Insper, Vegan Business, CTIT -Núcleo de Inovação da UFMG, Wylinka e ABGI, o Guia é gratuito e pode ser baixado no site do GFI Brasil neste link.

Navegando pelo Guia: Um Roteiro para o Empreendedorismo

O Guia para Startups criado pelo GFI Brasil, é, em essência, um mapa detalhado que orienta o empreendedor desde a concepção da ideia até a sua concretização no mercado. Com uma abordagem passo a passo, ele oferece insights, ferramentas e recursos indispensáveis para a jornada empreendedora no setor de proteínas alternativas. O Guia foi desenvolvido para abordar todas as necessidades de qualquer um que busca empreender no setor, mas com uma atenção particular aos pesquisadores que buscam comercializar suas inovações. Nele, abordamos todas as etapas da interação entre universidade e indústria, auxiliamos o pesquisador a se aproximar da realidade do mercado e facilitamos a comunicação com potenciais investidores, abordando a estrutura do pitch e como apresentar projetos de forma atraente para o financiamento. Com a colaboração do CTIT – Núcleo de Inovação e Tecnologia da UFMG, o guia ilumina caminhos para que pesquisadores possam transformar suas pesquisas de ponta em produtos inovadores e sustentáveis.

“O Guia para Startups é mais do que um manual; é um convite à inovação e ao empreendedorismo consciente. Para pesquisadores, empreendedores experientes ou aspirantes, este guia representa uma oportunidade única de alinhar visão científica com viabilidade comercial, explorando o potencial das proteínas alternativas para criar um futuro alimentar mais sustentável e saudável. Através deste recurso, nós esperamos fomentar ainda mais o ecossistema de inovação alimentar no Brasil, posicionando o país como um líder no desenvolvimento de soluções alimentares sustentáveis, e capacitar os empreendedores que vão trazer a próxima onda de inovação”, afirma o especialista.

Para acessar o guia – https://gfi.org.br/quer-saber-como-criar-a-proxima-startup-de-sucesso-do-mercado-de-proteinas-alternativas-nosso-guia-para-startups-chegou-para-te-ajudar/

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