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Ervas daninhas: prejuízos à lavoura de abacate

Crédito: Ana Maria Diniz

Givago Coutinho
Doutor em Fruticultura e professor efetivo – Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)
givago_agro@hotmail.com

As plantas daninhas, sobretudo aquelas que se desenvolvem no entorno da planta (área de projeção da copa), determinam a concorrência com as plantas por recursos como água e nutrientes, causando assim danos ao abacateiro.

Por ser uma cultura considerada exigente em nutrientes, principalmente de nitrogênio, a infestação de ervas daninhas tem afetado severamente a produção do abacateiro.

Entretanto, mesmo em face de serem consideradas plantas daninhas por provocarem a competição com a cultura por água e nutrientes, essas plantas também trazem efeitos benéficos. Dentre outros, podemos citar o controle de erosão, o favorecimento do solo com adição de matéria orgânica e melhoria de sua estrutura, além de favorecer a circulação de máquinas e equipamentos no pomar quando o solo está encharcado.

Assim, para um bom planejamento de manejo, controle e prevenção quanto aos prejuízos causados, é necessário que se conheça quais são as espécies de plantas daninhas que competem com o pomar de abacate, assim como fazer o correto manejo de controle.

Prejuízos

Os principais prejuízos ocasionados pelas plantas daninhas no cultivo do abacateiro ocorrem devido à competição travada por recursos como água e nutrientes.

Além disso, em relação à vegetação espontânea, é interessante facilitar a proliferação de trevos e outras leguminosas, principalmente daquelas cuja época de floração não coincida com a época de floração das fruteiras, visando evitar a competição em relação aos insetos polinizadores.

No caso da ocorrência de plantas infestantes com períodos de floração coincidentes com o das cultivares do pomar, deve-se efetuar o controle, especialmente quando suas flores forem mais atrativas para os insetos polinizadores.

Tipos de daninhas

Cita-se como espécies infestantes que podem acarretar problemas à cultura do abacateiro, sobretudo aquelas consideradas “vivazes”, ou seja, mais agressivas, como gramas (Paspalum spp.; Cynodon dactylon, dentre outras), junça (Cyperus sp.), corriola (Convolvulus spp.) e outras, por poderem prejudicar as fruteiras.

Manejo

É necessário frisar que, devido ao fato de o sistema radicular do abacateiro ser muito sensível e não suportar ferimentos, há grandes possibilidades de ocasionar a entrada de patógenos, podendo acarretar doenças às plantas. Assim, o método de controle mais utilizado atualmente é a roçagem na entrelinha.

De acordo com Simão (1998), durante o período de chuvas, quando há umidade, é recomendável que se realize uma roçagem na área. Esta prática permite aumentar o teor de matéria orgânica, além de proteger o solo contra a erosão.

Nas linhas de plantio, pode-se proceder a aplicação de herbicidas, conforme haja registro para a cultura. No quadro 1 são mostrados os herbicidas indicados para a cultura do abacateiro com base no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitário (Agrofit).

Quadro 1. Herbicidas citados pelo Agrofit/MAPA para utilização na cultura do abacateiro.

Nome comumGrupo químicoClasse
CletodimOxima ciclohexanodiona    Herbicida
DiuromUréia
Glifosato-sal de amônioGlicina substituída
Glifosato-sal de isopropilaminaGlicina substituída

Fonte: Agrofit/MAPA (2023).

Alternativa

A capina manual na linha de plantio pode ser uma alternativa em substituição ao controle químico com herbicidas, porém, deve ser realizada de forma muito cuidadosa para evitar danos e ferimentos ao caule das plantas.

Outra alternativa é a gradagem, que pode substituir a roçagem em certas épocas do ano, como no outono (estação seca), mantendo-se a área limpa até o 5° ou 6° ano após o plantio.

Com vistas à sustentabilidade do sistema de produção, a adubação verde, que consiste na incorporação ao solo de plantas de elevada produção de biomassa, ricas em nutrientes, visa melhorá-lo física, química e biologicamente, com foco na conservação ou aumento da fertilidade do solo, sendo uma prática bastante recomendável.

Crédito: Depositphotos

Benefícios

Com vários benefícios, como a diminuição na taxa de germinação de sementes de plantas daninhas, da oscilação da temperatura do solo e da perda de umidade do solo por evaporação, o manejo indicado atualmente é o corte, deixando a parte aérea das plantas sobre a superfície do solo, ao invés de enterrá-la, porque o efeito torna-se mais prolongado.

Recomenda-se que o corte ou a incorporação dessas plantas no solo seja feito na época em que elas se encontram em plena floração, o que também coincide com a fase de maior concentração de nutrientes e de fácil manuseio de seu material no solo.

Durante os primeiros anos de cultivo, podem ser utilizadas culturas intercalares em sistema de consórcio nas entrelinhas, sendo aconselhável a utilização de culturas de pequeno porte, como o feijão, soja, ervilha, aveia, trigo e outras.

Entretanto, após o 5° ou 6° ano não é recomendável a utilização de culturas anuais devido à possibilidade de danos às raízes do abacateiro pelas grades.

Produção Integrada

A exemplo de protocolos de produção, como a Produção Integrada, certas técnicas devem ser aplicadas a fim de proporcionar a manutenção ou melhoria da fertilidade do solo, minimizando, simultaneamente, a sua erosão e a lixiviação de nutrientes, que são alguns dos objetivos desta modalidade de produção.

Assim, o manejo das linhas de plantio, assim como das entrelinhas, torna-se essencial na instalação do pomar, bem como para a produção adequada das plantas ao longo dos anos. Nas entrelinhas, deve-se manter, obrigatoriamente, a cobertura com material vegetal herbáceo, ou com outra prática de proteção do solo.

Nas linhas, é recomendável deixar uma faixa de terreno, que pode ir até cerca de um metro para cada lado da linha, livre de vegetação herbácea que possa concorrer com a cultura. É obrigatória a manutenção desta faixa ao se tratar de um pomar jovem.

O que você ainda não sabe

A presença de plantas infestantes também pode ser indicativo de problemas ambientais, a exemplo de problemas relacionados à salinidade do solo. O predomínio de plantas tolerantes aos sais, como bredos ou carurus (Amaranthus sp.), sobre outras plantas daninhas, pode ser indicativo de solos salinizados. Além disso, as plantas apresentam sintomas de murcha, mesmo após irrigação ou chuva.

Para que seja diagnosticado se um solo é salino e/ou sódicos, é necessário que sejam realizadas análises feitas em amostras de solo por laboratório especializado.

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