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domingo, julho 3, 2022
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Evite desperdícios pós-colheita

Maria Carla dos Santos NogueiraMestra em Ciências das Religiões com ênfase em Marketing, Religião e Sociedade (FU), bacharel em Administração (Unibalsas) e tutora presencial de Administração – Unopar polo Balsas (MA)profmcarla@outlook.com

Wemerson Henrique dos Santos AtaídesGraduando em Ciências e Tecnologias – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Balsaswemersondossantos19@gmail.com

Yrayana Abreu BandeiraJovem Aprendiz no Grupo Mateus e Senac yrayanaab@gmail.com 

Hortifrúti – Crédito: Shutterstock

No cenário de hortifrúti, é de suma importância que no período de colheita os profissionais do agro estejam atentos ao processo de maturação das frutas, verduras e legumes, assim como aos atributos dos alimentos que serão colhidos, já que cada um possui características específicas, por meio das quais é possível detectar se realmente estão prontos para serem apanhados na lavoura e encaminhados ao processo de pós-colheita.

Após colher os alimentos, esses devem passar pelo processo de lavagem, de modo que a realização da limpeza requer o uso de produtos neutros ou específicos, que não alterarem o sabor ou as características do produto.

Da mesma forma, a água utilizada para higienizar os produtos de hortifrúti deve ser analisada periodicamente com vistas a detectar se essa está própria para o uso e se não causará danos aos alimentos ou mesmo à vida dos consumidores.

Depois de passarem pelos processos de colhimento, classificação, seleção e lavagem, os produtos de hortifrúti são direcionados à etapa de embalagem e armazenamento, onde normalmente recebem etiqueta e/ou rótulos que ficam visíveis ao comprador e que atendem à legislação vigente, pautada na correta identificação do produto.

De modo geral, os alimentos provenientes do pós-colheita do hortifrúti devem ser armazenados em locais limpos, higienizados e expostos a temperaturas ideais, conforme cada tipo.

Técnicas utilizadas na colheita e pós-colheita

Durante o período de colheita é obrigatório que seja feita a limpeza e a higienização dos instrumentos de trabalho, de maneira a preservar a qualidade do alimento, assim como o uso de proteção (Equipamento de Proteção Individual – EPI) por parte dos colhedores, prospectando diminuir os riscos de acidentes.

Nesse período e no pós-colheita, é de suma importância que a proposta de qualidade das frutas, legumes e verduras se mantenha em alta, refletindo os seguintes aspectos: a aparência visual (frescor, cor, defeitos e deterioração), textura (consistência, resistência e integridade do tecido), sabor, aroma, valor nutricional e a segurança do alimento, compondo um conjunto de atributos que determinam sua qualidade.

Quanto às estratégias para a melhoria e ampliação do controle da qualidade pós-colheita, destacam-se a adoção dos Sistemas de Garantia de Qualidade, como as Boas Práticas Agrícolas e/ou Produção Integrada de Frutas e Hortaliças e as Boas Práticas de Fabricação, como o resfriamento, o armazenamento refrigerado e o uso de revestimentos (comestíveis ou não). Estas ações têm mitigado o uso de agrotóxicos e reduzido as contaminações microbiológicas dos alimentos.

Próximo passo

No pós-colheita, transportar os alimentos em embalagens plásticas é uma excelente escolha, além de ser uma técnica interessante, pois evita que haja a contaminação ou algum tipo de alteração nas mercadorias, como amassos ou rachaduras, por exemplo, que ocorrem bastante em frutas e verduras, se não transportados corretamente.

Nessa etapa, também é preciso gerenciar com cautela a temperatura definida para acondicionamento e transporte dos produtos de hortifrúti e evitar o contato de produtos contaminados com itens sadios, já que a matéria orgânica em decomposição pode propagar microrganismos pelas embalagens e atrair insetos e roedores.

Pontos fortes e fracos da pós-colheita

Um dos pontos fortes do pós-colheita no hortifrúti é a rapidez com que os alimentos são colocados em locais frios. Essa ação garante que as frutas, verduras e legumes sejam bem conservados, apresentando uma boa aparência, pigmentação viva, aromatização natural e sabor, além de o alimento ficar na prateleira/gôndola por mais tempo sem estragar ou ter sua qualidade alterada.

Um dos principais pontos fracos do pós-colheita são os riscos vinculados à má gestão dessa importante etapa, assim como a quantidade de alimentos que é desperdiçada por falhas no processo, como erros de acondicionamento, armazenagem, problemas de contaminação, principalmente no transporte dos alimentos em bom estado, que acabam perdendo elementos pontuais de qualidade ou estragando nesse período de locomoção.

Índice de desperdício e perdas financeiras

No Brasil, o índice de desperdício de hortaliças chega a 55% na pós-colheita, ou seja, a maior parte do que é plantado se perde em meio a essa etapa e não chega à mesa do consumidor. Faz-se pertinente ressaltar que 20% desses produtos são perdidos ainda na sua produção, ou seja, sobram apenas 35%, que chegam à mesa do consumidor em condições próprias para o uso.

Apesar de as hortaliças terem se encontrado no eixo do contexto exposto, é notável a quantidade de frutas que também são desperdiçadas no processo de pós-colheita.

Anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são perdidos ou desperdiçados na cadeia de alimentos, o que corresponde a 30% da produção mundial, segundo dados da FAO/ONU (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação: FAO no Brasil | Food and Agriculture Organization of the United Nations).

No Brasil, a situação não é das melhores. Tomando por base a realidade supermercadista, o prejuízo com perdas e desperdícios chega a R$ 7,1 bilhões ao ano (o equivalente a mais da metade do valor total da produção de frutas e hortaliças produzidas na roça), sendo o segmento de FLV (frutas legumes e verduras) o líder das perdas.

No Brasil, infelizmente as perdas no processo de comercialização de frutas e hortaliças já superam 30% do total produzido, enquanto em outros países o desperdício não passa de 10%, ou seja, um resultado deprimente frente às problemáticas que permeiam as questões vinculadas à correta gestão no pós-colheita.

Por que e como evitar o desperdício

Quando se fala em desperdício de alimentos percebe-se, por um outro ângulo, o crescente índice de pessoas que passam fome no mundo, assim como o desperdício de toneladas de alimentos no mundo que vão para no lixo, sendo possível ser revertido em outros recursos.

De acordo com a FAO (agência das Nações Unidas preocupada em erradicar a fome), 54% do desperdício de alimentos no mundo ocorre na fase inicial da produção, que é composta pela manipulação pós-colheita e pela armazenagem, os outros 46% do desperdício, de acordo com a mesma fonte, ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo, o que contribui para a insegurança alimentar e a crise global.

Pensando em medidas para minimizar os desperdícios, caberia às grandes lojas atacadistas e varejistas a missão de escolher ou optar por produtos cultivados localmente, já que não haveria a necessidade de realizar o transporte desses, evitando que os produtos de hortifrúti amassem ou até mesmo percam seus aspectos qualitativos essenciais à comercialização e ao consumo.

A estocagem se tornaria um procedimento desinteressante, considerando a facilidade de acesso às frutas, verduras e legumes frescos produzidos in loco.

Famílias a serem alimentadas

De acordo com os cálculos da FAO, 8,7 milhões de toneladas de comida vão para o lixo no Brasil, um montante que seria suficiente para alimentar o imenso grupo de mais de 13 milhões de pessoas que passam fome no País.

No âmbito internacional, um terço da produção total de alimentos, ou seja, 1,3 bilhão de toneladas é jogado fora. A partir dessa estatística, 2,0 bilhões de pessoas poderiam ser alimentadas com todo esse desperdício.

Em meio a esse cenário caótico, uma forma de contornar todo esse desperdício é compartilhar com as pessoas que passam fome todo o alimento que não serve para comercialização, mas que ainda está em estado de consumo. Essa medida alimentaria milhares de pessoas no mundo que diariamente tentam sobreviver.

Direcionar os alimentos desperdiçados à criação de suínos, bovinos, entre outros, é um exemplo de reaproveitamento, assim como desenvolver a compostagem ainda configura uma ação correta e positiva frente ao não desperdício dos produtos de hortifrúti que se perdem no processo de pós-colheita, evitando assim que sejam colocados no lixo.

Novidades sobre o pós-colheita

Para aprimorar as técnicas pós-colheita, melhorando a seleção e a produção de itens do Hortifrúti de modo que apresentam maior qualidade, evitando perdas desnecessárias e, consequentemente, o desperdício, é preciso contar com algumas novidades, como:

• Inserção de tecnologias de processamento, conservação e embalagens para frutas e hortaliças in natura, minimamente processadas, visando a qualidade e a segurança alimentar;

• Aplicação de técnicas de manejo/manuseio assertivas na pré-colheita visando a qualidade pós-colheita;

• Agregação de revestimentos comestíveis em frutas e hortaliças visando o aumento de sua vida útil;

• Aplicação de técnicas de manuseio e/ou tecnologias voltadas à redução de perdas pós-colheita;

• Inserção do método de detecção rápida e de controle de doenças na pós-colheita de frutas e hortaliças;

• Uso de embalagens biodegradáveis de conveniência e comercialmente competitivas;

• Caracterização pós-colheita de novas variedades de frutas e hortaliças.

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