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Fósforo é aliado da alta produtividade da soja

 

Álisson Vanin

Engenheiro agrônomo, MSc. Produção Vegetal e pesquisador do Centro Tecnológico Comigo

alissonvanin@hotmail.com

Adilson Oliveira Júnior

Engenheiro agrônomo, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e pesquisador da Embrapa Soja

 

Fósforo é aliado da alta produtividade da soja - CréditoShutterstock
Fósforo é aliado da alta produtividade da soja – CréditoShutterstock

O fósforo (P) é considerado o nutriente mais limitante à produção de soja no Brasil. Isso porque, em geral, os solos cultivados com essa cultura apresentam baixa disponibilidade natural de P, consequentemente, para a obtenção de produtividades economicamente aceitáveis, torna-se obrigatoriamente necessário o fornecimento de P via fertilização.

O principal minério que o contém é a Apatita (Ca5(PO4)3(F,OH,Cl), encontrada em rochas, principalmente no Marrocos, Rússia e Estados Unidos, já que o mesmo não é encontrado isolado na crosta terrestre, devido a oxidar-se na presença de oxigênio atmosférico.

Fósforo no solo

O teor de P nos solos varia de acordo com o tipo de solo, mas nos solos mais abundantes do Brasil (Latossolos) seu teor é muito baixo, sendo comum encontrar valores próximos de 1 mg dm-3 em solos naturais de Cerrado, por exemplo.

Na fase sólida do solo, é encontrado nos minerais silicatados, adsorvido em argilominerais e na matéria orgânica e em hidróxidos de Al e Fe. A fixação de fósforo é o principal processo de perda deste nutriente no sistema solo-planta, pois o elemento fica indisponível à absorção pelas plantas.

Além disso, a fixação diminui muito a eficiência do uso de fertilizantes fosfatados, exigindo a aplicação de grandes quantidades do elemento, aumentando assim o custo de produção das culturas.

A disponibilidade de P no solo depende do pH, sendo maior em pH (em água) entre 6,0 e 7,0. Os valores de P na solução do solo representam uma fração muito pequena, tanto do P disponível como do P total do solo, com teores em torno de 0,002-2,0 mg kg-1.

Por isso os métodos de análise de solo avaliam não somente o P em solução, mas, principalmente, o P fracamente adsorvido na fração argila do solo, chamado de P lábil ou P disponível para às plantas.

Lixiviação

É importante ressaltar que a lixiviação de P nos solos encontrados no Brasil é incomum, devido à forte atração do mesmo com as partículas do solo e, também, pelo fato de se preponderar o transporte do elemento por difusão, ou seja, a pequenas distâncias.

Em função desta dinâmica, o mesmo é considerado de baixa mobilidade no solo, encontrando-se com muita frequência um gradiente vertical de disponibilidade de P, onde os maiores teores de P são verificados na superfície do solo, devido à aplicação localizada de fertilizantes na camada de 0-15cm de profundidade no perfil do solo.

Aplicação

Nos últimos anos, em “sistema de plantio direto“, tem sido comum a aplicação de fertilizantes, dentre eles os fosfatados, a lanço sobre a superfície do solo visando a retirada da adubação de base (sulco) em função da logística de semeadura.

Mas, considerando a dinâmica de P no solo, é fundamental que o produtor conheça os teores dele no perfil do solo (camadas 0-10 e 10-20 cm, em especial), verificando se as quantidades são suficientes para evitar perdas de produtividade ou problemas futuros de concentração superficial de nutrientes.

Utilizando o fósforo de forma correta, as plantas respondem com produtividade - CréditoShutterstock
Utilizando o fósforo de forma correta, as plantas respondem com produtividade – CréditoShutterstock

Método de extração

 

Os métodos de extração de P do solo mais utilizados são Mehlich-1 e Resina, ambos com resultados satisfatórios e equivalentes, porém, com algumas diferenças entre os métodos que não serão abordados.

Fósforo nas plantas

O P é absorvido pelas plantas como [H2PO4-] e [HPO42-], tanto por via radicular como foliar. O P no solo é movimentado passivamente por difusão, portanto, é muito dependente de concentração no solo, textura e principalmente de água, o que é muito preocupante em anos de baixa disponibilidade hídrica, pois a absorção do elemento é reduzida, assim como em solos com concentração de nutrientes em camadas, pois a movimentação do elemento via difusão ocorre em distâncias muito pequenas no solo.

O fósforo tem importante função na transferência de energia. Também participa na síntese de ácidos nucleicos, glicose, respiração, síntese e estabilidade da membrana, ativação e desativação de enzimas, reações redox, metabolismo de carboidratos e fixação de nitrogênio atmosférico.

O fósforo é móvel nas plantas, sendo movimentado tanto pelo xilema quanto pelo floema. Em caso de deficiência, dentre vários sintomas, a redução do porte da planta e coloração verde-escura ou avermelhada das folhas mais velhas são os mais comuns.

 
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