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Girassol: escolha da semente e correta semeadura

Crédito: Norman Neumaier

Abimael dos Santos Carmo Filho
Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Fitotecnia – ESALQ/USP }
abmaelfilho@hotmail.com
Marina Barros Zacharias
Bacharela em Agroecologia e doutoranda em Fitotecnia – ESALQ/USP
marinazacharias@terra.com.br

O cultivo no período da entressafra (safrinha), além de possibilitar inúmeros benefícios às áreas agrícolas, como proteção do solo, manejo de plantas daninhas, pragas e doenças, tem sido uma excelente alternativa de aumento de renda ao produtor rural.

Dentre as culturas mais utilizadas, o girassol (Helianthus annuus L.) tem se destacado, principalmente por ser bem adaptável a várias regiões.

Por que investir no girassol

Por ser uma cultura de ampla capacidade de adaptação às diversas condições de latitude, longitude e fotoperíodo, o girassol tem se tornado uma ótima opção de rotação e sucessão de culturas em regiões produtoras de grãos no País.

Dentre alguns dos fatores que têm consolidado a prática de sua utilização na safrinha, pode-se destacar boa tolerância à seca em comparação com algumas culturas utilizadas na safrinha, ciclo curto, baixa incidência de pragas e doenças, ciclagem de nutrientes, como o potássio e o fósforo e, além disso, ser economicamente viável nos sistemas de produção.

Além disso, o girassol possui características desejáveis do ponto de vista econômico, devido à alta qualidade e quantidade de óleo produzido, agregando seu valor e contribuindo para o aumento da renda dos produtores brasileiros.

Contudo, assim como a maioria das culturas, o sucesso na produção do girassol é dependente de muitos fatores, sendo que a escolha adequada da semente e maneira como será realizada sua semeadura são primordiais.

Como escolher a semente correta de girassol

A semente de girassol ideal é aquela capaz de desenvolver indivíduos que reproduzirão em campo as características genéticas do material a ser propagado frente às intempéries do ambiente, ou seja, deve apresentar aptidão de originar uma plântula normal mesmo sob condições adversas e que, futuramente, expressará o potencial produtivo de seu progenitor.

Por este motivo, é de extrema importância que na escolha da semente o produtor atente-se a parâmetros que caracterizam e atestam o material a ser adquirido, de modo que seja priorizado a obtenção de sementes de alta qualidade.

A qualidade da semente é formada pelos atributos físico, fisiológico, sanitário e genético. Assim, a expressão adequada dos quatro promove grandes chances de sucesso na lavoura.

Quando se trata de comércio de sementes de girassol, o critério primordial é que estas cumpram com os requisitos mínimos definidos em legislação para produção e comercialização de sementes.

Deve-se obter o material de produtor idôneo, que esteja atento aos atributos físico, fisiológico, sanitário e genético das sementes e estas devem pertencer a uma das seguintes categorias: semente básica, certificada de primeira geração (C1), certificada de segunda geração (C2), semente de primeira geração (S1) ou semente de segunda geração (S2).

O padrão de sementes para o girassol estabelece que a pureza mínima deve ser 98%, enquanto que a germinação mínima aceita para comercialização é de 65% para sementes básicas (apenas neste caso, aceita-se até 10 pontos percentuais abaixo do padrão, sob consentimento formal entre produtor e usuário e se efetuada a comercialização diretamente entre ambos), 75% para sementes certificadas (C1 e C2) e 70% para sementes das categorias S1 e S2.

Foto: Luize Hess

Atenção

Na escolha da variedade ou híbrido de girassol, recomenda-se atenção à região de cultivo, devendo-se evitar áreas em que foi cultivado girassol nas três últimas safras, e às características do material quanto à produtividade, uniformidade, resistência a doenças e ciclo produtivo.

Se a produção for destinada a grãos para alimentação animal, as sementes não podem estar tratadas com produtos químicos.

Plantio correto

A semeadura é uma das mais importantes operações para o cultivo de girassol, devendo considerar não só as características inerentes à semente, como formato e densidade, mas também a profundidade e uniformidade de semeadura, os equipamentos disponíveis no mercado e o número reduzido de sementes utilizadas por hectare (3,0 a 4,0 kg/ha).

Os aquênios (“sementes”) de girassol apresentam sensibilidade a impactos, levando a uma maior propensão a danos mecânicos. A semeadura pode ser realizada manual ou mecanicamente, sendo esta a mais utilizada geralmente com a mesma semeadora de milho e soja.

Para obtenção de uniformidade de semeadura, deve-se atentar para o tipo de semeadora, adequada regulagem e utilização de sementes classificadas por tamanho, no caso das semeadoras com discos perfurados.

O solo para cobertura da semente deve ter uma camada de 3,0 a 5,0 cm e estar úmido e levemente pressionado sobre a semente, não devendo estar muito compactado, sob risco de impedir a entrada de água e prejudicar a germinação e emergência das plântulas.

A profundidade de semeadura para a semente de girassol deve ser uniforme, entre 4,0 e 5,0 cm, ou até 7,0 cm em solo arenoso ou deficiente em água. A distância entrelinhas varia conforme a cultivar, ciclo, desenvolvimento vegetativo e altura das plantas, sendo uma opção recomendada uma distância entre 50 e 70 cm.

Uma distribuição equidistante das plantas de girassol possibilita uma boa interceptação de luz para maior produção e facilita os tratos na colheita. Assim, arranjos de populações entre 30.000 e 45.000 plantas por hectare podem favorecer a estabilidade produtiva e rentabilidade.

No entanto, o estabelecimento da população adequada e uniforme de plantas ainda é um dos maiores problemas recorrentes do cultivo de girassol.

Dicas

A densidade de semeadura é influenciada por diversos fatores, dentre os quais o potencial fisiológico das sementes: se baixo, pode gerar falhas no estande ou plantas de menor porte que competirão por água, luz e nutrientes com plantas vizinhas melhor desenvolvidas.

Um bom preparo de solo deve ser feito para que a profundidade de semeadura seja uniforme, o que irá influenciar na uniformidade de emergência e no número de dias até o florescimento.

Foto: Luize Hess

Os fertilizantes não devem entrar em contato direto com as sementes de girassol, que apresentam sensibilidade à salinidade. Outro fator importante é a época de semeadura do girassol, a qual é determinante para o alcance de altas produtividades e é determinada normalmente pela temperatura do solo e disponibilidade hídrica, as quais, por sua vez, variam conforme a região geográfica.

Mais produtividade

O aumento de produtividade das culturas é sempre um dos maiores anseios por parte dos produtores, pois repercute diretamente no lucro a ser obtido. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2022), a produtividade média da safrinha de girassol em 2022 foi de 1.620 kg/ha.

No entanto, é importante ressaltar que sob determinadas condições de campo, e sobretudo em regiões com mais prática de cultivo, as produtividades médias podem alcançar 2.000 kg/ha.

A produtividade do girassol é reflexo de vários fatores, os quais, se não atendidos, podem comprometer decisivamente o rendimento da cultura. O arranjo de plantas de girassol, por exemplo, contribui fortemente para seu potencial produtivo, visto que influenciam diretamente no número de plantas colhidas, número de aquênios por capítulo e no peso dos aquênios.

O número de capítulos por unidade, por sua vez, é variável em função da população de plantas, enquanto o número de aquênios cheios por capítulo é decorrente do número de flores fecundadas e que produzem frutos.

Além disso, o conhecimento da época em que se definem os diferentes componentes de produção da planta, assim como a influência dos fatores ambientais sobre os mesmos, pode contribuir para a detecção dos estádios críticos de definição da produtividade.

Dessa forma, poderá auxiliar no manejo do cultivo com a finalidade de evitar ou reduzir as situações de estresse por efeito ambiental durante esses períodos, e com isso favorecer o aumento de produtividade.

Faça as contas

Quando se deseja implantar uma cultura, entre algumas das principais questões que são levantadas pelos produtores está o custo, pois dependendo dos gastos envolvidos, o cultivo pode ser inviável financeiramente.

Além disso, as análises de viabilidade econômica possibilitam ao produtor a compreensão dos resultados econômico-financeiros obtidos em uma determinada safra e deverão ser levadas em consideração no planejamento e em tomadas de decisões para as safras seguintes.

No caso do girassol, pode-se dizer que, se produzido dentro de condições adequadas, o produtor dificilmente terá prejuízos com a implantação dessa cultura. O girassol constitui-se uma importante fonte de renda aos produtores devido às suas características agronômicas, químicas, físicas, organolépticas e versatilidade, seja por meio de seus produtos, coprodutos ou como processo. 

O custo envolvido com a aquisição de sementes e processo de semeadura do girassol é variável e dependente, principalmente, do poder financeiro do produtor e do tamanho da área a ser cultivada.

Foto: Luize Hess

Não se iluda

Optar por sementes de baixa qualidade pode levar a sérios problemas, implicando em perdas econômicas futuramente, tendo em vista a necessidade de maiores gastos com manejo ou menor retorno do capital investido.

A semeadura com material de baixa qualidade fisiológica pode levar a falhas no estande a campo, desenvolvimento de plantas menos tolerantes a estresses bióticos e abióticos e menor produtividade.

Se as sementes apresentarem baixa qualidade sanitária, pode-se promover a introdução de doenças transmitidas pelas sementes, como fungos fitopatogênicos, levando posteriormente a maiores gastos com controle fitossanitário.

No caso do lote de sementes adquirido apresentar baixo percentual de pureza, a qualidade do campo de produção tende a declinar, uma vez que pode haver introdução de sementes de outra espécie que podem ser hospedeiras de pragas e doenças que podem prejudicar a cultura do girassol.

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