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Guima Café adota policultivo e mix de cobertura para ter cafés cada vez mais especiais

Divulgação

Promover a biodiversidade de espécies da fauna e flora na área cultivada, promover a conservação do solo e, consequentemente dos recursos hídricos na propriedade – nascentes, córregos e rios -, além de melhorar a qualidade das matas existentes no entorno. Para os gestores do Guima Café, cultivado na Fazenda São Mateus, no Alto Paranaíba (MG), essas são algumas das vantagens da adoção de policultivos junto com a produção cafeeira na atualidade.

“Além desses benefícios, quando temos mais de uma espécie sendo cultivada comercialmente na mesma área que os pés de café na forma de consórcio, conseguimos reduzir as temperaturas na área plantada, ciclagem de nutrientes, incremento de matéria orgânica e sequestro de carbono. O ambiente acaba se tornando favorável para insetos polinizadores e temos um controle biológico de pragas, que dialoga com as premissas do Guima Café de agricultura regenerativa”, explica Ricardo Vitor de Oliveira, técnico agrícola do Guima.

Há 15 anos, as fazendas do Guima Café fizeram a transição para a produção de cafés especiais, sempre focados nos pilares da sustentabilidade. Desde então, são buscadas e postas em prática técnicas e processos para transformar as lavouras tradicionais em locais cuja regeneração do solo, da água e do ar fosse um norteador de todas as ações.

“Foi ainda em 2007, que o Guima, que já havia iniciado um processo de evolução de melhoria contínua dos processos nas fazendas, decidiu produzir o café especial. Passamos a implantar nas lavouras boas práticas agrícolas, sem descartar a tradição e os aprendizados do passado. Esses passos foram importantes para buscarmos uma cafeicultura carbono zero, com processos produtivos que respeitam o solo, melhoria constante da gestão dos recursos hídricos e capacitação do capital humano das fazendas”, acrescenta Ricardo.

 O mix de cobertura é outro modelo de cultivo em consórcio com o café, como práticas de agricultura conservacionista  e regenerativa. “No nosso projeto temos plantados em nossas lavouras o abacate e o cedro australiano, o que nos auxilia nessa melhoria do solo. O manejo adotado usa plantas de cobertura nas entrelinhas das lavouras, que após a prática de roçadas, a palhada (biomassa) é aplicada ao redor dos pés de café, a conhecida ‘adubação verde’”, acrescenta o técnico agrícola.

O consórcio da lavoura de café da Fazenda São Mateus com outras culturas ocorre desde 2017, quando foram plantadas entrelinhas de seringueiras. Já o mix de plantas de cobertura nas entrelinhas do café foi adotado a partir de 2010.

“São muitos os aprendizados de ao longo desses anos. E os cultivos são bem diversificados. A braquiária temos em todas as áreas, mantemos o solo coberto durante o ano todo, e usamos o mix com plantas de cobertura em 50% das áreas de produção do café. Com isso, já mapeamos, no solo, uma melhor capacidade de retenção de água, não temos registro de erosão e temos notado a presença de bioindicadores no solo (minhocas, formigas, insetos, fungos), que são um excelente termômetro”, complementa.

Bioinsumos – Entre as novas técnicas de bioinsumos adotadas pelo Guima Café estão o uso de inseticidas, fungicidas, acaricidas e nematicidas biológicos e também a adoção de fixadores de nutrientes biológicos. Para isso, a equipe técnica da fazenda conta com a consultoria de empresas de pesquisas parceiras que conduzem trabalhos conjuntamente.

Para manter o alto nível de qualidade nas lavouras da Fazenda São Mateus, os gestores, além do uso racional de insumos, adoção das boas práticas agrícolas conservacionistas nos manejos e condução das lavouras, não abrem mão de tecnologias e aperfeiçoamento contínuo dos processos de produção e de gestão.

“As pessoas que trabalham na nossa produção têm fundamental importância, por sua dedicação e compromisso. Para produzir algo especial, todos aqueles envolvidos nos processos produtivos também têm que ser especiais. Na minha visão, todos nós temos que nos regenerar e evoluir sempre”, conclui.

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