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Hora de colher os bons frutos

Juliana Sanches

Pesquisadora científica do Centro de Engenharia e Automação, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC)

jsanches@iac.sp.gov.br

Todas as frutas são beneficiadas pelos aminoácidos na fase de maturação - Créditos Shutterstock
Todas as frutas são beneficiadas pelos aminoácidos na fase de maturação – Créditos Shutterstock

O interesse pela pós-colheita de frutas e hortaliças tem aumentado nos últimos anos no Brasil, em virtude de grandes safras, do aumento do consumo, da necessidade de um abastecimento permanente do mercado com frutas frescas e do incremento no volume de exportações.

Além disso, o consumidor tem se tornado cada vez mais exigente quanto à qualidade do produto final. No beneficiamento e na comercialização de frutas e hortaliças, a qualidade externa é considerada um parâmetro de grande importância.

A aparência, constituída por aspectos de forma, tamanho, cor e presença de danos, influencia a percepção do consumidor e, portanto, determina o nível de aceitabilidade desses produtos. Isso tem motivado a preocupação no que se refere à preservação da qualidade da fruta, com vistas ao prolongamento no período de comercialização, bem como à sua seleção e classificação.

Por outro lado, ainda se perde muito da produção hortícola durante a fase pós-colheita, em função do manuseio descuidado e/ou desconhecimento das técnicas de conservação. As perdas durante a colheita e a pós-colheita de frutas no Brasil são da ordem de 30 a 50%, e grande parte desse elevado percentual se deve ao manejo deficiente na colheita e pós-colheita.

Perdas

Juliana Sanches Pesquisadora científica do Centro de Engenharia e Automação, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC)
Juliana Sanches
Pesquisadora científica do Centro de Engenharia e Automação, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC)

Entende-se por perdas a parte da produção que não é destinada ao consumo, em virtude de depreciação da qualidade dos produtos, devido à deterioração causada por amassamentos, cortes, podridões e outros fatores. Após a colheita, as frutas e hortaliças sofrem perdas significativas que começam no campo, por ocasião da colheita, e prosseguem ao longo de toda a cadeia, passando por packing houses, centrais de abastecimento e outros atacadistas, rede varejista e consumidores.

Dentre as principais causas de perdas, pode-se citar o manuseio, as embalagens e o transporte inadequados, a não utilização da cadeia do frio, a falta de classificação, o desconhecimento das técnicas de manuseio pré e pós-colheita, a comercialização a granel, o excesso de manuseio por parte dos consumidores, bem como o acúmulo de produtos nas gôndolas de exposição, as deficiências nos centros atacadistas. As perdas podem se agravar no verão, quando não se utilizam técnicas de conservação eficientes.

As perdas pós-colheita são divididas em fisiológicas, por injúria mecânica e fitopatológicas. As fisiológicas ocorrem devido à respiração, à transpiração, ao amadurecimento e à senescência das frutas e hortaliças, bem como às temperaturas muito altas ou muito baixas e baixa umidade relativa; as perdas por injúrias mecânicas ocorrem em toda a cadeia das hortaliças; e as fitopatológicas ocorrem quando há ataques de microrganismos em pré e pós-colheita.

Como minimizar os danos

Embora não seja possível eliminar totalmente as perdas, elas podem ser minimizadas por meio do conhecimento do produto, dos processos de colheita e pós-colheita e das melhorias na comercialização. Além disso, muitas frutas e hortaliças que são descartadas diariamente poderiam ser destinadas a programas sociais. O custo para realizar as implementações é consideravelmente menor que o custo necessário para se produzir mais e suprir tais perdas.

Durante a fase de pós-colheita, não é possível melhorar a qualidade das frutas e hortaliças que vêm do campo, e sim preservá-las pelo maior tempo possível, até seu consumo final. Para isso, os produtores, distribuidores e comerciantes devem seguir recomendações mínimas, que são:

→ Manuseio adequado e cuidadoso;

→ Manter limpos e higienizados os maquinários, as mesas classificadoras, os demais equipamentos utilizados na colheita e o galpão de beneficiamento (packing house);

→ O packing house deve ser próximo da produção, coberto, de fácil acesso e dispor de água e energia elétrica;

→ Logo após a colheita, os produtos devem ser classificados, eliminando os frutos doentes;

→ Deve-se acondicionar os produtos em embalagens adequadas para evitar danos mecânicos. Independentemente da embalagem a ser utilizada, deve-se respeitar a capacidade máxima de produto a ser acondicionada;

→ As embalagens devem ser paletizáveis, isto é, de medidas múltiplas de 1,00 m x 1,20 m;

→ Os produtos devem ser armazenados imediatamente, de preferência sob refrigeração. Uma vez refrigerados, os produtos precisam permanecer sob a cadeia do frio.

Assim que efetuada a colheita, as frutas e hortaliças são submetidas a diferentes tipos de manuseio. De maneira geral, as etapas de beneficiamento são as seguintes: recepção, seleção e inspeção, limpeza (lavagem e secagem ” escovação), polimento, classificação, embalagem, rotulagem, empilhamento, paletização e armazenamento.

Além das já citadas, alguns produtos requerem operações especiais como toalete, imersão em água quente, fumigação, aplicação de fungicidas e/ou ceras, uso de revestimento comestível ou filme e desverdecimento.

Mais vida na prateleira

A durabilidade de frutas e hortaliças após a colheita depende de vários fatores, como: genética, suscetibilidade às desordens fisiológicas, resistência a patógenos, grau de maturação, aspectos edafoclimáticos e culturais, manuseio e tecnologias pós-colheita.

Tal durabilidade também depende do grau de perecibilidade de cada produto. Como exemplo, podemos citar que os morangos, devido ao seu rápido desenvolvimento, são muito mais perecíveis que as maçãs, que possuem desenvolvimento lento; logo, os morangos irão durar alguns dias, independentemente das técnicas de conservação, enquanto as maçãs podem durar meses quando armazenadas em condições adequadas.

Os artifícios utilizados para aumentar a vida útil de frutas e hortaliças visam prevenir e controlar infestações por insetos e infecções de patógenos, evitar injúrias mecânicas, evitar ou controlar desordens fisiológicas, uniformizar os atributos de qualidade e retardar o amadurecimento e a senescência dos frutos.

Para tanto, pesquisadores de todo o Brasil estudam técnicas envolvendo antagonistas de etileno, reguladores de crescimento, fitormônios, abaixamento ou elevação da temperatura, uso de radiação, controle das condições atmosféricas, desenvolvimento de embalagens, técnicas de classificação, entre outros.

Inovação

Dentre as novidades em pesquisa na pós-colheita de frutas e hortaliças está o uso de imagens digitais para seleção e classificação. Esses procedimentos merecem atenção, pois, apesar de serem tradicionalmente trabalhos de natureza manual, o mercado brasileiro tem buscado profissionalizar a comercialização.

A crescente demanda por frutos classificados pela qualidade e a falta de consistência no processo baseado na decisão humana resultam numa procura pela automatização na pós-colheita.

Para satisfazer as exigências de qualidade do mercado, sistemas de classificação e caracterização objetiva não destrutivos estão sendo desenvolvidos por sensores e dispositivos eletrônicos. Uma das técnicas que tem sido estudada na área agrícola é a visão de máquina, cujo escopo é promover a objetividade da classificação dos produtos.

Os sistemas de visão de máquina são autocalibráveis, imunes a aspectos intrínsecos à natureza humana como estresse, emoções, fadiga e julgamentos subjetivos. Tais sistemas contribuem para a melhoria contínua da produção e o aumento da produtividade, dada a sua adaptabilidade e capacidade de redução de erros decorrentes da monotonia e da subjetividade em tarefas executadas por humanos.

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