Inoculante aumenta estande e produtividade do milho

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André Luiz Martinez de Oliveira

Professor do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL)

almoliva@uel.br

Crédito Shutterstock
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Azospirillum é um dos tipos de Bactéria Promotora do Crescimento Vegetal (BPCV) de vida livre, que pode ser encontrada em praticamente todo o planeta. Bactérias pertencentes ao gênero Azospirillum são evolutivamente próximas aos rizóbios e agrobactérias e, portanto, conseguem viver em associação com diferentes plantas.

Quando se encontram em associação com os vegetais, ocorrem em populações muito elevadas (até 10 bilhões de células por grama de tecido vegetal). Podem viver na rizosfera, nas raízes e na parte aérea das plantas, onde utilizam os nutrientes fornecidos pela planta para seu crescimento e multiplicação, e retribuem por meio de fatores nutricionais (como o nitrogênio) e de crescimento (como fitormônios).

Espécies

Atualmente, são reconhecidas 17 espécies de Azospirillum, das quais A. brasilense é a mais explorada na produção de biofertilizantes comerciais. Existem alguns produtos comerciais contendo esse microrganismo ” comumente denominados inoculantes ou biofertilizantes ” registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para uso nas culturas de milho, trigo, e arroz.

Tais produtos compreendem formulações contendo microrganismos vivos, que são adicionados a um veículo inerte (as formulações mais comuns apresentam-se na forma líquida) e que devem ser aplicados sobre as sementes, sobre a superfície da planta ou diretamente no solo.

Função e benefícios do Azospirillum

Espera-se, pela utilização de um produto biofertilizante de qualidade à base de Azospirillum, o estabelecimento do microrganismo junto à planta para que possa exercer seus efeitos benéficos sobre o desenvolvimento e a nutrição vegetal, resultando em aumentos de produtividade e diminuição do uso de fertilizantes nitrogenados.

 Existem genótipos de milho mais responsivos ao uso de inoculantes - Crédito Shutterstock
Existem genótipos de milho mais responsivos ao uso de inoculantes – Crédito Shutterstock

A utilização da tecnologia de inoculação em plantas não leguminosas, como o milho, possui uma história relativamente recente no Brasil. Países como China, Índia e Argentina possuem formulações comerciais de biofertilizantes há algumas décadas. Em contrapartida, todas as formulações de biofertilizantes comercializadas em nosso país devem apresentar um conjunto mínimo de características que garantam sua qualidade, o que nem sempre se observa em outros países.

Mesmo que a exploração dessa tecnologia seja recente no Brasil, sua adoção apresenta crescimento contínuo entre os produtores. Os resultados positivos de sua utilização indicam a viabilidade e a importância para a melhoria da produtividade agrícola.

Especificamente para o milho, o principal benefício obtido pelo uso da inoculação com Azospirillum é o aumento do volume do sistema radicular, pelo fato de a bactéria produzir moléculas que atuam como fitormônios, sobretudo da classe das auxinas.

Essa modificação na arquitetura das raízes, por sua vez, proporciona plantas mais resistentes (acamamento, veranicos), além de promover uma eficiência maior em relação ao uso dos fertilizantes adicionados, incrementando os teores de matéria seca e de clorofila, além de aumentar a área foliar.

Os resultados desse conjunto de modificações são incrementos de produtividade de cinco a 10% no milho safrinha, ao mesmo tempo em que possibilita uma diminuição de até 50% na quantidade de fertilizante nitrogenado aplicado.

Mais respostas

É muito importante observar que existem genótipos de milho mais responsivos ao uso de inoculantes, como também genótipos que apresentam uma resposta menos pronunciada.

Além disso, as características do solo devem ser consideradas (pH e teores de matéria orgânica, principalmente) na escolha do manejo adotado para a cultura inoculada, bem como a utilização de inoculantes registrados junto ao Mapa, para garantir a qualidade ao produto utilizado.

A inoculação com Azospirillum promove modificações precoces no desenvolvimento da planta
A inoculação com Azospirillum promove modificações precoces no desenvolvimento da planta ” Crédito Ademir Torchetti

Atuação direta

Os mecanismos pelos quais Azospirillum sp. interage com as plantas permanecem como assunto controverso há anos, em grande parte devido à gama de influências que ocorrem sobre esse tipo de interação não simbiótica. Mas é consenso o fato de que uma associação eficiente entre Azospirillum com a planta só pode ser bem-sucedida se a bactéria inoculada for capaz de competir e sobreviver no ambiente de cultivo, de maneira a alcançar e se estabelecer no sistema radicular.

Apesar de tal estabelecimento estar sujeito a fatores de difícil controle (e que podem gerar variação nos resultados de inoculação em cultivos comerciais), um produto inoculante de alta qualidade proporciona uma alta concentração de células antes de seu uso (ou seja, na prateleira) e após a sua aplicação (sobre a semente ou junto ao solo), aumentando o sucesso da inoculação.

Por outro lado, a má qualidade fisiológica das células presentes nas formulações inoculantes, a realização de um procedimento de inoculação que resulte em desuniformidade na distribuição do inoculante, a submissão dos inoculantes ou sementes tratadas a condições de insolação ou de temperaturas superiores a 30 °C por períodos de tempo prolongado ou a utilização dos inoculantes em solos com elevada acidez podem levar à ineficiência da ação do inoculante, impedindo que ganhos de produtividade sejam alcançados.

 

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