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Manejo de resistência a insetos no algodoeiro

O manejo de resistência a insetos no algodoeiro é uma prática fundamental para proteger a cultura contra pragas e garantir a qualidade das fibras de algodão.

Franciely da Silva Ponce
Engenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Horticultura – FCA/UNESP
francielyponce@gmail.com
Willian Ricardo Monesi da Silva
Engenheiro agrônomo – Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)
willian.monesi@gmail.com

A seleção de insetos resistentes a moléculas ou proteínas é uma ocorrência natural, mas pode ser retardado por meio do Manejo de Resistência de Insetos (MRI), um conjunto de medidas que visa preservar a eficácia das biotecnologias, incluindo proteínas inseridas em plantas geneticamente modificadas e que protegem a cultura contra o ataque de pragas.

Eficácia das biotecnologias

Com os avanços da biotecnologia no desenvolvimento de organismos geneticamente modificados (OGMs), também chamados transgênicos ou Bt (Bacillus thuringensis), chegou-se ao cultivo de variedades de algodoeiro resistentes a pragas.
A tecnologia de transgenia fornece proteção ininterrupta, uma vez que a planta expressa a proteína Bt, capaz de provocar a morte em lepidópteros-praga. Este tipo de tecnologia contribui para a redução das pragas, além de reduzir os custos produtivos decorrentes da pulverização de inseticidas.
Contribui, assim, de forma positiva na redução de danos e aumenta os ganhos de produção, se tornando um importante aliado no controle de insetos-praga, um dos maiores entraves da cotonicultura.

Cuidados

Dada a importância desta tecnologia e seu amplo uso na agricultura, alguns cuidados devem ser tomados para que a capacidade de adaptação destes insetos-praga não se sobreponha à resistência das variedades OGM’s.
Para garantir uma maior vida útil desta tecnologia, é preciso manter as áreas de refúgio, ou seja, plantadas com variedades “tradicionais ou não resistentes” para reduzir a pressão de seleção das pragas na cultura resistente.
O refúgio deve representar 20% da área plantada com tecnologia, com um limite de distância de até 800 metros. A variedade escolhida para o refúgio deve seguir o mesmo manejo da área ocupada com plantas transgênicas. Além disso, deve apresentar semelhanças, como porte e desenvolvimento (Figura 1).

Figura 1. Recomendação de áreas de refúgio em áreas com uso de variedades Bt.
Fonte: Franciely S. Ponce

O uso de inseticidas à base de Bacillus thuringensis também deve ser limitado, uma vez que esta bactéria é responsável pela expressão da proteína ligada à característica de resistência genética das variedades de algodão.
Também é importante ressaltar a importância da integração dos métodos de controle e rotação dos grupos químicos de inseticidas, não apostando apenas em um único. É essencial seguir os preceitos do manejo integrado de pragas para reduzir a pressão de seleção e garantir a produtividade do algodoeiro.

Alerta para pragas resistentes

O algodoeiro (Gossypium hirsutum L.) é alimento de diversas pragas, sendo algumas específicas da cultura, como o bicudo-do-algodoeiro [Anthonomus grandis (Coleoptera: Curculionidae)], Curuquerê-do-algodoeiro [Alabama argilácea (Lepidoptera: Noctuidae)], ou polífagas, como a mosca-branca [Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae)], o complexo Spodoptera, Helicoverpa armigera (Lepidoptera: Noctuidae) e a falsa-medideira [Chrysodeixis includens (Lepidoptera: Noctuidae)] (Figura 2).

Figura 2. Principais pragas do algodoeiro.

A identificação correta das pragas, dos níveis de controle e mortalidade natural do sistema são bases importantes para o sucesso do manejo das pragas, não só no algodoeiro. Esses preceitos são de suma importância para o manejo de resistência e preservação das tecnologias.
A seleção de indivíduos resistentes é um fenômeno natural das espécies, especialmente em condições adversas, como a pressão de seleção exercida nos agroecossistemas devido ao uso de inseticidas, ou mesmo tecnologia Bt.
Sendo assim, o uso inadequado de uma tecnologia pode resultar na seleção de populações resistentes a determinados métodos de controle, como o uso de variedades resistentes (OGMs) e grupos químicos de inseticidas. Os insetos mais expostos a esta pressão de seleção estão mais sujeitos a serem resistentes aos métodos de controle.
Desta forma, deve-se observar com atenção a efetividade do método de controle em relação a pragas recorrentes nos ciclos produtivos e, principalmente, aos insetos-praga de hábito polífago presentes em outras culturas, além do algodão.

Ameaças à produtividade do algodoeiro

Os benefícios produtivos adquiridos com o uso das tecnologias disponíveis para o controle de pragas são fundamentais para obter bons resultados nos cultivos de algodão e sucesso da cotonicultura brasileira.
A seleção de insetos-praga resistentes a moléculas e proteínas utilizadas no controle destes pode implicar em danos econômicos para os produtores, devido à redução na produtividade e qualidade da fibra. Os custos de produção são afetados, devido ao aumento do número de pulverizações e redução da eficiência das moléculas.
O custo devido à quebra de resistência vai além das porteiras, uma vez que são necessários milhões de dólares para a pesquisa e desenvolvimento de moléculas. Além disso, requer um longo período para que esta molécula seja disponibilizada no mercado.

Manejo de Resistência de Insetos

A implantação do Manejo de Resistência de Insetos (MRI) nas lavouras é imprescindível para garantir a eficácia das tecnologias inseticidas disponíveis. Contudo, a implantação do MRI tem alguns desafios, como a utilização de áreas de refúgio corretamente, rotação de princípios ativos e implantação do MIP visando à pressão de seleção das pragas.
A adoção do MIP é uma ferramenta que visa principalmente o manejo dos insetos-praga, de forma a reduzir a pressão de seleção do agroecossistema, com entregas satisfatórias de resultados.

Ferramentas úteis

O MIP é a principal ferramenta para reduzir a seleção de insetos resistentes à tecnologia Bt e às moléculas inseticidas. Destaque para:

 Calendário de cultivo: seguir os períodos de safra recomendados para cada região, aproveitando as condições favoráveis ao desenvolvimento da cultura, evitando estresses climáticos e doenças.
Manejo cultural: preparo correto da área, destruição de restos culturais, manejo correto de plantas daninhas que possam servir de abrigo e alimento para insetos-praga.
Variedades resistentes: usar variedades resistentes ou tolerantes às principais pragas que causam danos à cultura e que são observadas na região. Vale se atentar às novas variedades disponíveis no mercado.
Monitoramento: trata-se de uma ferramenta importante para a identificação correta das pragas que ocorrem na lavoura, mas também para determinar os níveis de ação, para tomada de decisão, o que garante a entrega de resultados satisfatórios.
Rotação de inseticidas: alternar os grupos químicos e seus respectivos modos de ação reduz a pressão de seleção dos insetos-praga no cultivo.
Controle biológico: pormeio de agentes microbiológicos (parasitoides e predadores) e microbiológicos (fungos, bactérias, vírus e nematoides entomopatogênicos) é possível diversificar os agentes de controle de pragas.
Rotação de cultura: técnica importante dentro do manejo de pragas, possibilitando a quebra do ciclo reprodutivo de pragas específicas, como o bicudo-do-algodoeiro. Em uma situação de cultivo contínuo (algodão + algodão), as chances de selecionarmos indivíduos resistentes aumenta, assim como o nível populacional, que deve crescer de forma exponencial a cada cultivo. Em cultivo rotacionado (algodão + soja + milho), cria-se um ambiente desfavorável à população do bicudo, reduz a seleção de indivíduos resistentes e proporciona um melhor uso da área de cultivo, assim como ganhos ambientais em relação ao solo.

Tendência

O uso combinado de táticas de manejo de insetos representa a melhor perspectiva para o futuro da cotonicultura brasileira, uma vez que é a chave para redução de prejuízos provocados pelas pragas. Além disso, é essencial para a preservação das tecnologias de controle de insetos-praga, disponíveis atualmente.

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