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Matéria orgânica e a importância para o solo

A matéria orgânica é o segredo da vida no solo, nutrindo plantas e sustentando ecossistemas.

Muriel Cicatti Emanoeli Soares
Analista de Pesquisa e Desenvolvimento – Technes

O solo é o maior responsável por fornecer os elementos minerais exigidos pelas plantas. De maneira geral, os solos agrícolas brasileiros são ácidos e de baixa fertilidade e necessitam de manejo adequado e planejamento da sua fertilidade.

Foto: Shutterstock

Da mesma forma, realizar uma adubação sem preparar adequadamente o solo é um grande prejuízo que o produtor pode ter, já que os nutrientes podem ser fixados ou lixiviados quando as condições de solo não são ideais.

De nada adianta aplicar adubo em quantidades adequadas se outros fatores, como aeração, umidade, microbiologia, pH e CTC (que são características inerentes ao solo) não estão em equilíbrio, podendo limitar o desenvolvimento das plantas.

Condicionar o solo, num conceito mais amplo da agricultura, significa, então, prepará-lo, de modo a melhorar suas condições físicas, químicas e biológicas e, assim, garantir melhores condições para as plantas se desenvolverem.

Substâncias húmicas

As substâncias húmicas são classicamente reconhecidas como condicionadores de solo devido às suas propriedades físico-químicas, em que pequenas quantidades podem alterar profundamente o solo agricultável.

São definidas como produtos das transformações químicas e biológicas dos resíduos vegetais e animais, assim como da atividade dos microrganismos do solo. São compostos estáveis, divididos em três frações: ácidos fúlvicos (AF), ácidos húmicos (AH) e humina (H).

Em geral, são moléculas de massa muito variada, complexas, indefinidas, não sendo possível classificá-las como componentes da matéria orgânica que ainda não está humificada, como é o caso dos estercos, por exemplo.

Funções

As substâncias húmicas (SH’s) estão intimamente ligadas ao aumento da CTC do solo – quanto maior a CTC de um solo, maior será seu poder tampão e maior será sua capacidade de disponibilizar nutrientes na solução do solo.

Elas exercem papel importante na formação de um “reservatório” natural de nutrientes, uma vez que, quando chegam ao solo e encontram os cátions, como ferro, potássio, magnésio, cálcio, etc., formam um complexo denominado humato, semelhante à formação de quelatos.

Essa união impede ou diminui a lixiviação dos cátions, tornando-os mais disponíveis às plantas e por um período de tempo maior.

Ainda relacionado a essa característica, a presença de cargas pode promover também a redução da fitotoxicidade de elementos, tanto dos minerais quanto dos metais pesados, como mercúrio e níquel, por exemplo.

O incremento de fósforo solúvel pela complexação de Fe+2 e Al+3 em solos ácidos e do Ca+2 em solos alcalinos, é outro benefício atribuído às substâncias húmicas. Os ácidos húmicos complexam (sequestram) o cálcio solúvel e protegem os fosfatos da interação cálcio fosfato, deixando-os disponíveis para a absorção pelas plantas.

Ainda, os ácidos húmicos e fúlvicos formam complexos organometálicos estáveis com ferro e alumínio, o que também contribui para aumentar a disponibilidade de fósforo para as plantas. Como as substâncias húmicas têm cargas negativas, competem com os fosfatos pelos sítios de adsorção, mantendo o fosfato mais livre em solução e, consequentemente, disponível às plantas.

Agregados do solo

Além das características químicas, as substâncias húmicas, devido às suas dimensões coloidais, também interferem na qualidade física do solo e, assim, promovem a formação de agregados, que beneficiam a porosidade do solo, influenciando na retenção e infiltração de água, densidade, aeração e resistência à erosão.

Todas essas características, indiretamente, também estão ligadas à eficiência da adubação realizada.

Efeito fisiológico

A ação estimulante das SH é um campo que também vem sendo muito estudado. Experimentos mostram que quantidades de SH’s ainda menores que as usadas como condicionador de solo podem ter efeito sobre o crescimento das plantas.

Alguns estudos mostraram que AH e AF são capazes de ativar as ATPases bombeadoras de prótons presentes na membrana celular, o que leva a uma maior troca de íons na região da rizosfera e, consequentemente, maior absorção de nutrientes como nitratos, que favorecem o crescimento vegetativo.

Além disso, podem estimular a maior síntese de proteínas, em especial as enzimas relacionadas à parede celular, por meio da síntese de RNA; favorecer os processos energéticos das plantas e melhorar a germinação das sementes; assim como a atividade microbiológica – fornecem carbono orgânico como fonte energética para os microrganismos.

Matéria orgânica humificada x esterco

No dia-a-dia, ocorre muita confusão sobre matéria orgânica e substância húmica. Toda substância húmica é uma matéria orgânica, mas nem toda matéria orgânica é uma substância húmica ou contém grande quantidade dela.

Essa distinção é necessária porque, apesar de apresentarem os mesmos elementos químicos, possuem propriedades totalmente distintas nos solos e, por isso, também tem objetivos e aplicações diferentes.

Os estercos, de forma geral, apresentam baixa concentração de substâncias húmicas e são considerados “matéria orgânica não humificada”, não havendo ação prolongada nos solos. Apresentam em sua formação cadeias carbônicas curtas e, portanto, de fácil degradação pelos microrganismos.

As substâncias húmicas, como mencionado, são moléculas complexas, e geralmente apenas microrganismos mais especificados conseguem ataca-la. Ainda, permanecem estáveis no solo por muito tempo.

Portanto, não devemos esquecer que a matéria orgânica, responsável pelo aumento da CTC e da estruturação do solo, é a matéria orgânica humificada. A aplicação de material orgânico não humificado fornece nutrientes às plantas, mas vai demorar anos para humificar.

Se o objetivo é nutrir a planta, pode-se aplicar matéria orgânica não humificada, como por exemplo, estercos. Se quiser condicionar o solo, deve-se aplicar produtos que contenham altas concentrações de substâncias húmicas.

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