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Molibdênio com aminoácidos aumenta eficiência

Júlio César RibeiroEngenheiro agrônomo e doutor em Agronomia/Ciência do Solo – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)jcragronomo@gmail.com

João Augusto Dourado Loiola Graduando em Engenheira Agronômica – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)joaoaugustodourado@gmail.com

Soja – Créditos Shutterstock

Os aminoácidos são compostos formados por esqueletos de carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio. São componentes das proteínas e fitormônios. No total, são 20 aminoácidos essenciais para as plantas.

Dentre eles, podemos destacar a metionina, um aminoácido percursor do etileno, que é um importante hormônio para a maturação dos frutos. A aplicação de aminoácidos tem o objetivo de suplementar a cultura e potencializar a nutrição vegetal.

A suplementação com aminoácidos em conjunto com micronutrientes (quelatos) tem a função de facilitar a formação de compostos proteicos, aumentar a eficiência das atividades metabólicas e elevar a absorção de nutrientes, tendo como consequência o aumento na produtividade.

Atuação

O molibdênio é um nutriente essencial para a nutrição vegetal que desempenha funções importantes no metabolismo do nitrogênio, sendo constituinte das molibdoenzimas (nitrato redutase e nitrogenase).

Este micronutriente é considerado pouco móvel na planta, desta forma, a aplicação de molibdênio associado a aminoácidos auxilia no metabolismo vegetal, bem como no fluxo da seiva. Compostos de molibdênio e aminoácidos são fontes e percussores de energia para a cultura.

O aporte deste micronutriente consorciado com aminoácidos resulta em uma maior síntese de proteínas nas plantas, proporcionando grãos com maior teor de proteínas e mais pesados.

Benefícios proporcionados

Os benefícios são notórios, tanto no tratamento de sementes quanto na adubação foliar. Quando o quelato (molibdênio e aminoácidos) é aplicado no tratamento de sementes ocorre uma melhora no enraizamento das plantas, com um sistema radicular robusto, vigoroso e bem desenvolvido.

Quando a aplicação desse quelato é realizada via adubação foliar, por exemplo, na cultura da soja, são verificadas plantas mais sadias e com adequado enchimento de grãos. Destra forma, o manejo nutricional com adubação foliar proporciona uma melhora na performance da cultura quando, por exemplo, o molibdênio é aplicado em conjunto com aminoácidos.

Lembrando que essa técnica funciona como uma suplementação nutricional, fortalecendo a cultura contra estresses abióticos e bióticos, principalmente em períodos de veranicos.

Detalhes da técnica

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Um aumento de produtividade é notado quando o quelato (molibdênio e aminoácido) é aplicado no tratamento de sementes e na adubação foliar, sendo parte da dose recomendada para a aplicação no tratamento das sementes e a outra parte na adubação foliar.

O molibdênio aplicado no tratamento de sementes permeará a plântula no crescimento do sistema radicular ao longo do perfil de solo e no alongamento da estrutura germinativa (hipocótilo). No caso da soja, o tratamento das sementes visa a nodulação inicial das plantas, ou seja, a potencialização da fixação biológica de nitrogênio.

Para a cultura da soja, a aplicação de quelatos de molibdênio na adubação foliar deve ser realizada no estádio V4, proporcionando um incremento deste micronutriente, o que auxiliará no aumento da nodulação nos próximos estádios.

No entanto, é importante acompanhar os teores dos nutrientes presentes no solo e nas plantas. Para isso, é necessário a realização periódica de análise de solo e foliar, podendo, a partir de então, efetuar aplicação de doses adequadas para alcançar a produtividade desejada. 

Mais produtividade

O manejo nutricional é peça-chave para obter altas produtividades em qualquer cultura. A aplicação de quelatos (molibdênio e aminoácidos) na cultura da soja, por exemplo, contribui com um aumento de aproximadamente 16% na produtividade.

Esses resultados são obtidos por meio de um maior aporte de nitrogênio via fixação biológica (FBN) e uma maior síntese de proteínas proporcionados pela utilização de aminoácidos associados ao molibdênio.

Erros e acertos

Um dos principais erros na utilização de molibdênio associado aos aminoácidos, no caso da aplicação foliar, é a realização em estádios fenológicos inadequados, e em doses elevadas ou muito baixas, que não resultará no aumento de produtividade.

Doses muito elevadas podem causar fitotoxidez, ao contrário de doses muito baixas, que não suprirão as necessidades nutricionais da cultura. No caso do tratamento de sementes, preparar caldas com altas concentrações pode causar toxidez às sementes, diminuindo seu potencial germinativo.

Já quando em baixas concentrações, diminuem o poder de ação do produto, não atingindo a eficiência desejada. Para que erros sejam evitados, é necessário que a aplicação desses produtos ocorra no estádio fenológico que melhor responda à ação deles, os quais são específicos a cada cultura.

Ainda, a dose deve ser determinada de acordo com os resultados obtidos pela análise de solo e foliar, sempre seguindo as orientações de cada fabricante e com o auxílio de um profissional qualificado. 

Custo-benefício

O custo para o tratamento de sementes e a adubação foliar é variável de acordo com o produto e de região para região, no entanto, de modo geral, é irrisório quando comparado aos benefícios obtidos na produtividade da lavoura.

Tratamentos pós-estresse de injurias abióticas e bióticas tendem a apresentar maiores problemas relacionados à produtividade e rentabilidade da cultura, o que justifica, ainda, a utilização de molibdênio associado a aminoácidos de modo preventivo.

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